Tribuna Ribeirão
Política

Pena contra trabalho escravo deve ser maior

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, de­fendeu ontem (30) um endu­recimento da legislação contra o trabalho escravo, como uma maneira de reduzir a impuni­dade no crime de submeter em­pregados a situações análogas à de escravidão.

Dodge falou na abertura de um seminário, em Brasília, sobre a sentença da Corte Interamerica­na de Direitos Humanos, que em dezembro do ano passado con­denou o Brasil por não prevenir a prática do trabalho escravo, no caso conhecido como Fazenda Brasil Verde.

“A sentença da Corte Intera­mericana de Direitos Humanos é importante para que a utilizemos como marco, como instrumento na luta contra a escravidão con­temporânea”, disse Dodge. “O que a Corte faz não é censurar o que ocorreu no Brasil, o que a sentença faz é apontar onde po­demos avançar.”

A procuradora-geral da Re­pública citou diversos ítens em que o organismo internacional aponta a necessidade de avanços, entre eles o da persecução penal adequada, que inclui a investiga­ção criminal e o processo penal. Segundo ela, devido ao fato de a pena mínima prevista para este crime no Código Penal – de dois anos de reclusão – ser pequena e de o processo legal não ter uma duração razoável, o resultado é a impunidade.

“A duração do processo tem que ser mais razoável, tem que ocorrer no prazo, antes que se en­cerre o prazo para prescrição pela pena aplicada, cuja pena mínima é baixa”, afirmou a procuradora­-geral. “A punição tem que ser proporcional à gravidade desse crime. Um crime que afeta a dig­nidade da pessoa humana não é um crime pouco grave, é um crime muito grave, e a pena tem que ser proporcional. A pena mínima é muito baixa”, opinou.

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