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A Pátria, a Mãe Gentil, o setembro e a mala

A vida sempre nos reserva momentos inesquecíveis, só podem ser vividos em uma mesa regada de prosa, comidinhas e muito álcool, não existem verdades sem o torpor.

Em uma imensidão de palavras, gestos, opiniões e bobagens, encontrava-me ao lado de um casal muito amado, David Ranieri Bulgari, meu editor e a querida esposa Regina Bulgari.

Como sempre e infelizmente falávamos do Brasil, “Já podeis da Pátria…” que na distante infância fazíamos troça; “japonês da Pátria” hoje, acabada, esquecida e enferma, manchada de um 7 de setembro qualquer, dia que me lembro de tocar tambor e ver os cavalos enchendo de fezes as ruas, sob os gritos histéricos de uma classe média insana e eternamente ignara, aplaudindo áulicos, sanguinários e ditadores.

A nossa “Mãe Gentil”, pátria amada e fétida de usurpadores, montanhas de dinheiro, de instituições falidas, de malas e corruptos.

O álcool ainda bem, nos leva a devaneios, sonhos, misturas, sorrisos, palavras em vão, descompromissos e, principalmente, uma profunda solidariedade e cumplicidade dos amigos no altar ungido de uma mesa.

Entre palavras e ilusões etílicas começamos a discorrer sobre a importância da mala, antigamente símbolo de despedidas e reencontros nas estações da vida.

Continuamos discorrendo sobre um assunto tão importante e decisivo nas nossas vidas diante da palavra MALA, após muitas tagarelices, levantei-me trôpego, “allegro ma no troppo”, fitei o David com seu sorriso imenso ao lado da elegância da Regina e balbuciei;
Escreva sobre a mala!”.

Hoje, ao abrir a correspondência virtual, assim estava escrito:
“Liberdade, liberdade, há malas por trás de mim.”
Quanto devo por ter dito que a mala seria mais importante que tudo que na vida tive.
Guardo no fundo tudo que tenho, produto das minhas conquistas em ti e nada mais do que a mala.

Incompleto, me sinto longe de ti e, preocupado com as circunstâncias por tê-la e outros a exporem quando somente eu fazia de ti meu sustento, meu alento, meu deposito infinito. Cheia das virtudes que perdi na vida. A mala sempre foi para mim mais do que sustento.

Insensíveis adentraram nosso esconderijo expondo sua beleza rara que poucos podem ter”.
Somente em ti poderia haver tanta riqueza, de me tirar a o sono só de pensar em perdê-la.
Como é bom amá-la!”.

A poesia e a sensibilidade para entender e traduzir, transformando em sentimento os dissabores diabólicos da realidade.
Um forte abraço ao David e Regina.

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