Tribuna Ribeirão
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A sociedade é uma situação educativa

Foto: Arquivo

José Eugenio Kaça *
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A situação que vivenciamos atualmente, onde cada vez mais a crueldade da humanidade é exposta parece que não tem limites, chegamos ao ponto de haver uma busca incessante pelas agruras da Idade Média, e isso é real. A sociedade é toda ela uma situação educativa, e a vivência entre os seres humanos é condição da educação. Portanto, um mundo melhor só vai acontecer através da educação. Segundo Paulo Freire: “a educação é uma prática da liberdade, um ato político, e um ato de amor e coragem”, entretanto, a coragem para o bem esvai-se no tempo e no espaço.

A educação é a ferramenta que vai construir um ser humano melhor, todavia, essa ferramenta vem sendo utilizada para destruir o próprio ser humano. Quando o francês Montesquieu criou a ideia dos três poderes na República, e definiu que seriam independentes e harmônicos, não previu que os interesses privados iriam se sobrepor aos interesses da República, aí na coisa degringolou. No Brasil, essa divisão dos três poderes independentes e harmônicos nunca saiu do papel, mas havia uma máscara que escondia a verdadeira face do poder, que nunca foram três, apenas o poder do capital.

Os três poderes no Brasil nunca serviram ao povo, com raras exceções, e os desvios de conduta nunca foram debatidos e solucionados, mesmo a Constituição cidadã, trazendo novos ares a coisa só piorou, como os problemas não foram solucionados, mas sim jogados para dentro do tanque afim de ser serem esquecidos, não deu certo, pois com a multiplicação da carga de dejetos, o tanque implodiu, expondo a bandalheira e a corrupção, e o ditado que diz: “tá tudo dominado”, se materializou, e o pior de tudo e ver os mais corruptos fazendo propostas para combater o que eles praticam. Sempre souberam que a educação pública pode mudar esta situação, e é por causa disso que trabalham com afinco para que tudo permanecer como sempre foi, e agora com um ingrediente a mais; fazer o País virar uma colônia do Império do Norte. Conversando com adolescentes dos nonos anos do ensino fundamental e do ensino médio, vejo a desilusão estampada em seus rostos, pois não veem na escola um futuro para as suas vidas, pois a realidade da sala de aula, e da escola não coaduna com a realidade vivida no cotidiano das ruas e do lar, e as redes sociais estão contribuindo para pior este ambiente.

O povo brasileiro precisa saber, que o poder está em suas mãos, e que não e que não existe salvador da Pátria. As agruras que o povo vivencia, onde a mentira, a crueldade e a desumanidade são aceitas com naturalidade precisa mudar. No passado os políticos ainda usavam de sofismas para esconder suas verdadeiras intenções, agora deixaram a máscara cair, e sentem orgulho das atrocidades que praticam. Quem tem o desprazer de assistir às sessões da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos deputados vê que não estão preocupados com a segurança pública, apenas lacrar para as redes sociais, jogando no lixo o dinheiro do contribuinte.

A promiscuidade tomou conta da República. O Congresso ao invés de defender o povo, virou um antro de facções, que atuam em benefícios próprios; bancada da bala, bancada da Bíblia, bancada das betes, bancado do boi, são alguns exemplos que o poder nunca emanou do povo, pois o povo vota, mas não tem o direito de exercer o poder deste voto. A Suprema Corte que deveria ser a guardiã da Constituição também mergulhou neste lamaçal. O Executivo e o Legislativo sempre tiveram problemas sérios de corrupção. O STF, mesmo com os seus problemas era respeitado, entretanto, com a chegada do inominável ao poder, tudo mudou, pois, destruir as instituições por dentro, para agradar ao Império era a sua função.

E para destruir o STF, o inominável colocou no Supremo um ministro terrivelmente evangélico treinado pelo Império para colocar o Supremo na berlinda e sair como herói. A vitória da extrema direita vai ser a extinção de todos os direitos sociais. ACORDA POVO!

* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação

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