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Acirp questiona tombamentos

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O presidente da Associação Comercial e Industrial de Ri­beirão Preto (Acirp), Dorival Balbino, recebeu nesta quinta­-feira, 31 de março, na sede da entidade, o promotor Wander­ley Trindade, responsável pela área de Habitação e Urbanis­mo do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Balbino apresentou um le­vantamento feito pela associa­ção sobre imóveis tombados pelo patrimônio histórico e a política de tombamento do munícipio. Realizado pelo cor­po técnico da Acirp, o estudo indica aumento de 550% na quantidade de imóveis tom­bados ou em processo de tom­bamento nos últimos três anos em comparação à média dos últimos 37 anos.

O relatório também des­taca a falta de transparência nos processos e critérios, aos quais a sociedade civil não tem tido acesso. O objetivo da entidade é que a sociedade possa ter acesso aos proces­sos de imóveis já tombados ou em andamento para co­nhecer as justificativas usa­das nos pedidos, os laudos técnicos e os critérios das to­madas de decisão.

“Não é aceitável que um órgão público não tenha trans­parência. A sociedade precisa ter acesso às motivações e ao andamento dos processos”, afirma Balbino sem citar o Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribei­rão Preto (Conppac), respon­sável por essas decisões.

O presidente da Acirp cita como exemplo a morosidade e falta de esclarecimento sobre o restauro do casarão Camilo de Mattos e o tombamento de edifícios que abrigam agências bancárias no entorno da praça XV de Novembro, como a sede do Itaú Unibanco.

“Sem falar no distrito de Bonfim Paulista, onde há 63 patrimônios tombados, o que impacta diretamente todo o entorno dos prédios”, reforça o presidente da Acirp. “Este le­vantamento vai facilitar muito minha atuação”, diz o promo­tor Wanderley Trindade.

“É um momento histórico importante no qual gostaria de fazer uma homenagem ao trabalho da Acirp”, elogiou o promotor da Habitação e Ur­banismo, destacando que já instaurou inquéritos civis em favor da preservação de vá­rios patrimônios históricos da cidade. Em nota, a prefeitura de Ribeirão Preto diz que o Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural é uma entidade independente. Tem representantes do governo em sua composição, mas não res­ponde pelo governo.

Números dos tombamentos
O relatório da Acirp ana­lisou todos os 244 patrimô­nios imóveis tombados em Ribeirão Preto que constam em uma planilha enviada pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural. Destes, 34% se localizam no quadrilá­tero central.

Deste total, 36% estão em condições consideradas ruins ou regulares. De 51 imó­veis tombados na região que constam na relação do Conp­pac, 33 pertencem à iniciativa privada e 18 são bens públi­cos. Em toda a cidade, apenas 20% dos 244 patrimônios têm seu tombamento definitivo, o restante segue com seus pro­cessos ainda em andamento.

“O relatório deixa claro que política municipal de pre­servação do patrimônio vem fracassando e que é preciso viabilizar o desenvolvimento da cidade e aliar conservação dos patrimônios com novos usos destes espaços”, afirma o cientista político José Ma­nuel Lourenço, coordenador de Comunicação da entidade que, em parceria com a ar­quiteta Laura Machado, é um dos autores do estudo.

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