Tribuna Ribeirão
DestaqueGeral

Advogado pode ter sido vítima de ‘falha’

O advogado Eliézer Ma­rins, de 37 anos, que também é empresário e músico, pode ter sido vítima de uma falha do consulado da Albânia no Bra­sil. Na terça-feira, 5 de dezem­bro, ele passou quatro horas na carceragem da Polícia Federal em Ribeirão Preto acusado de “exercício de atividade consu­lar não autorizada pelo gover­no brasileiro”.

Alvo de denúncia do Mi­nistério das relações Exterio­res, Marins fora investigado havia um mês por usar uma carteira diplomática com o Brasão da República do Brasil e uma identificação em seu ve­ículo, não reconhecidas oficial­mente pelo Itamaraty.

O título de “adido consu­lar da Albânia” foi concedido a Marins pelo cônsul Thomas Ne­ves, em 14 de dezembro do ano passado, em Curitiba (PR). O Tribuna tentou contato com ele várias vezes nesta quarta-feira (6), deixou recado no celular, fa­lou com o consulado albanês em São Paulo e não obteve retorno.

Segundo a advogada do empresário supostamente pre­judicado, Maria. Carolina Ha­ram, “ele foi nomeado, tem a documentação, foi diplomado, e agora vamos atrás dessa situ­ação porque houve um erro no consulado da Albânia. Vamos tomar todas as medidas legais e cabíveis para resolver essa situ­ação. Mas, o doutor Eliézer foi vítima de uma situação”, disse. “Vamos provar sua inocência. Ele foi vítima de uma controver­sa nomeação consular e não co­meteu nenhum crime”, emenda.

Questionada se houve algum pagamento para obter a nomea­ção de agente consular, a advo­gada limitou-se mencionar “que não responderia porque está sob investigação federal”. O Tribuna também entrou em contato com a Embaixada da Albânia, em Brasília, que confirmou Thomas Neves como cônsul represen­tante do país europeu na região.

Em foto publicada na rede social, Marins aparece receben­do os documentos de adido con­sular das mãos de Neves. O côn­sul também entregou a mesma comenda a William Cardoso, no Mato Grosso. Em nota enviada ao Tribuna, o Itamaraty diz que não comenta a investigação, a cargo da PF. Mas informa que “para oficializar alguém como adido consular “o país interes­sado deve solicitar por meio de comunicação diplomática (nota verbal) a anuência do governo brasileiro para a abertura de re­presentação consular, seja de carreira ou honorária, com ju­risdição definida, não podendo abranger todo o Brasil.”

Ressalta, ainda, que existem os seguintes cargos de chefes de repartições consulares de carreira: “cônsul-geral, cônsul e vice-cônsul”, além dos chefes de repartições consulares honorá­rias – “cônsul-geral honorário, cônsul honorário e vice-cônsul honorário.” Diz, também, que “o Itamaraty concede ‘anuênci’” para a abertura de repartições consulares, de carreira ou ho­norários; concede ‘exequatu’ para os chefes de repartições consulares de carreira; e concede ‘anuência’ para a chefia de repar­tições consulares honorárias.”

Advogada de Marins nega que seu cliente tenha falsifica­do os documentos, afirmando que ele foi diplomado adido da Albânia e que o erro ocorreu no consulado, além de ressal­tar que o empresário não foi in­diciado. Segundo nota da Polícia Federal distribuída à imprensa, as investigações tiveram início após o Ministério das Relações Exteriores do Brasil comunicar à Polícia Federal “que um homem passava-se por adido consular da República da Albânia uti­lizando-se de uma carteira de identificação não reconhecida oficialmente, que continha o brasão da República e inscri­ções de referido ministério”.

A PF também informa que após diligências, verificou-se que o investigado utilizava-se também de placas em seu ve­ículo que o identificava como “agente consular” e, na realidade, não detinha tal condição e não poderia se utilizar de referida identificação. A nota conclui que diante dos fatos, o advogado “foi preso em flagrante delito pelo crime previsto no artigo 296, §1º, III, do Código de Processo Penal, cujas penas podem che­gar a seis anos de reclusão”.

Depois de quatro horas de­tido na carceragem da Polícia Federal, Eliézer Marins foi li­berado. Maria Carolina Haram entrou com solicitação de alva­rá de soltura e a Justiça acatou, possibilitando a liberação do empresário. O Tribuna aguar­da, agora, uma explicação do consulado albanês.

VEJA TAMBÉM

Mês de atividades em defesa das mulheres trabalhadoras é encerrado no Clube dos Comerciários

Eduardo Ferrari

Pacientes reclamam de problemas com serviço de transporte

Eduardo Ferrari

Polícia age contra golpistas que compravam em nome de empresas sólidas

Luque

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com