As frutas mais comercializadas nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país ficaram mais baratas no último mês. De acordo com o 3º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), os preços de banana, laranja, maçã, melancia e mamão ficaram mais baixos na média ponderada na comparação entre fevereiro e janeiro deste ano.
Entre as hotaliças, alface, tomate e batata ficaram mais caros no atacado no último mês. Ainda de acordo com o levantamento divulgado nesta quinta-feira, 26 de março, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as cotações praticadas para cebola e cenoura também acompanharam o movimento de queda.
A maior redução foi verificada para a banana, com preços na média ponderada de fevereiro 11,16% inferiores aos praticados em janeiro. A diminuição foi registrada mesmo com o retorno das aulas, o que elevou a demanda pela fruta, num contexto de baixa oferta de banana nanica até o pós-carnaval.
A Conab também identificou queda de dois dígitos para a maçã, chegando a uma variação negativa de 10,32% na média ponderada. Os menores preços no atacado refletem a maior oferta da fruta, que pode ser explicada pelo início da colheita da maçã gala, além da presença do restante da safra da maçã eva do Paraná e da safra em São Paulo.
No mercado do mamão, a companhia verificou uma menor oferta da variedade papaya, consequência do maior volume de chuvas no último trimestre de 2025, que prejudicou as floradas e reduziu a produtividade dos mamoeiros. Por outro lado, o mamão formosa apresentou preços mais baixos e oferta mais elevada, o que limitou a valorização nas cotações do mamão papaya, contribuindo para que os preços ficassem 7,52% mais baixos no último mês.
Para a melancia, a redução registrada foi de menor intensidade, chegando a 3,72% na média ponderada das cotações. No caso da laranja, a maior parte das Ceasas do Sudeste apresentou queda na comercialização e do consumo. Isso fez com que, na média ponderada geral, a queda da oferta fosse de 7%. Ainda assim os preços se mostraram dentro de uma estabilidade, com uma ligeira queda de 0,06% na média ponderada.
Hortaliças – Dentre as hortaliças analisadas, foi identificada uma nova queda nos preços para a cebola. Na média ponderada, o recuo foi de 5,52% em relação à média de janeiro, influenciado pela menor qualidade do produto. A oferta da cebola com origem em Santa Catarina apresentou novo crescimento nos mercados atacadistas.
Mesmo com esse incremento, o volume comercializado do bulbo nas Ceasas apresentou redução de 10%. Queda também para a cenoura. Após sucessivos aumentos desde dezembro de 2025, o preço voltou a cair em fevereiro. No entanto, a redução foi pequena, de apenas 1,23% na média ponderada em relação a janeiro. Em relação à oferta, houve pequena redução de 5,6% frente a janeiro, insuficiente para sustentar alta generalizada nos preços.
Já a alface, o tomate e a batata ficaram mais caros no atacado no último mês. No caso da folhosa, a elevação foi de apenas 2,02%. A oferta total nas onze Ceasas analisadas apresentou decréscimo de 7% em relação a janeiro. Essa variação negativa refletiu-se nos preços, contribuindo para a alta da média.
Mais uma vez, as chuvas nas regiões produtoras trouxeram impacto nos preços, uma vez que além de dificultarem a colheita, provocam perdas no campo, comprometem a qualidade dos produtos, e ainda podem restringir os plantios e influenciar a oferta futura.
O tomate também voltou a registrar alta em fevereiro. No mês analisado, a elevação foi de 5,20%, diante de uma menor oferta do produto nas Ceasas analisadas. Esse cenário está associado ao esgotamento das áreas em ponto de colheita, após a elevada oferta observada nos últimos três meses do ano anterior, quando os volumes atingiram os maiores níveis de 2025.
A transição após o pico da safra de verão também vem reduzindo a produção e, consequentemente, a oferta. A batata, por sua vez, teve alta de preços na maioria das Ceasas analisadas. Na média ponderada, o aumento foi de 11,72% em relação à média de janeiro.
Assim como verificado para a alface, as chuvas frequentes ao longo do mês afetaram o ritmo de colheita, refletindo diretamente na oferta. Além disso, o pico da safra das águas aparentemente já ocorreu nos dois primeiros meses do ano. Diante desse cenário, as previsões para março indicam redução da oferta e continuidade da alta de preços, movimento já observado no início deste mês.

