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Altas e quedas nos índices de criminalidade em RP

Polícia intensifica ações e consegue reduzir números na maioria dos indicadores de crimes patrimoniais em Ribeirão Preto | Foto: Alfredo Risk

Por: Adalberto Luque

 

Os crimes contra o patrimônio apresentaram queda expressiva no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, segundo os índices estatísticos de criminalidade divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP/SP). Em contrapartida, os crimes contra a vida e contra a dignidade sexual registraram aumentos relevantes em alguns indicadores, com destaque para os homicídios dolosos e os casos de estupro de vulnerável.

Entre janeiro e março de 2026, foram registrados 323 roubos em geral, contra 398 ocorrências no mesmo intervalo de 2025. A redução foi de 18,8%, o que representa 75 casos a menos. Na prática, o indicador reúne principalmente roubos a pedestres, comércios e outros alvos que não envolvem veículos, bancos ou cargas.

A queda mais acentuada entre os crimes patrimoniais foi observada nos casos de roubo de veículos. Nos três primeiros meses de 2025, houve 54 ocorrências. No mesmo período de 2026, foram 27 casos. A redução foi de 50%, indicando que esse tipo de crime caiu à metade em relação ao ano anterior.

O roubo de carga permaneceu estável. Foram duas ocorrências em cada um dos períodos analisados, sem variação percentual.

Os furtos também apresentaram retração significativa. O indicador furtos em geral passou de 2.485 registros no primeiro trimestre de 2025 para 1.876 em 2026. A queda foi de 24,5%, equivalente a 509 ocorrências a menos. Trata-se do maior recuo em números absolutos entre todos os crimes analisados.

Na contramão dessa tendência, o furto de veículos teve leve alta. O total subiu de 333 para 369 casos, aumento de 10,81%. Foram 36 ocorrências a mais no comparativo entre os dois períodos.

 

Forma consistente

Os dados mostram que os crimes patrimoniais, de maneira geral, tiveram desempenho mais favorável em 2026. Dos cinco indicadores selecionados, quatro apresentaram queda ou estabilidade, e apenas um registrou aumento.

A combinação entre redução nos roubos em geral, queda de 50% nos roubos de veículos e retração superior a 20% nos furtos comuns contribuiu para um cenário de diminuição dos delitos contra o patrimônio. O único ponto de alta foi o furto de veículos, mas com variação moderada. Ainda assim, a média de quatro veículos furtados por dia não deixa de ser preocupante.

Com ações pontuais, como a “Operação Caminhos Seguros”, polícias Civil, Militar e GCM miram redução nos crimes contra a vida, sobretudo os crimes sexuais e feminicídios | Foto: Alfredo Risk

Os furtos em geral também merecem atenção. Afinal, apesar da queda de 24,5% no total de casos no recorde de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, o total diário no ano bate 21 casos por dia.

Somados, os dois tipos de furto têm juntos média de 25 casos a cada dia de 2026. Se considerarmos todos os casos de crimes contra o patrimônio registrados no primeiro trimestre de 2026, incluindo os dois de roubo de carga, a média pula para 30 por dia. Muito longe de ser um tipo de delito livre de preocupação.

 

Homicídios dobram

Enquanto os crimes patrimoniais recuaram, os homicídios dolosos — quando há intenção de matar — aumentaram de forma expressiva.

No primeiro trimestre de 2025, foram registrados sete homicídios dolosos. Em 2026, o número subiu para 14. O crescimento foi de 100%, ou seja, o total dobrou em relação ao ano anterior.

O número de vítimas em homicídios dolosos acompanhou a mesma evolução, passando de sete para 14, também com aumento de 100%.

As tentativas de homicídio apresentaram ligeira redução. O total caiu de nove para oito registros, queda de 11,1%.

Nos casos de latrocínio, que é o roubo seguido de morte, não havia registros no primeiro trimestre de 2025. Em 2026, foi contabilizado um caso. Como o período anterior teve índice zero, não é possível calcular variação percentual.

 

Crimes sexuais

Os indicadores de estupro tiveram alta importante no primeiro trimestre de 2026. O Total de Estupro, que soma os casos de estupro e estupro de vulnerável, passou de 44 para 72 ocorrências. O aumento foi de 63,6%, com 28 registros a mais.

O recorte específico de estupro, categoria que engloba vítimas mulheres e adolescentes acima de 14 anos, apresentou uma das maiores altas do levantamento. O número subiu de 11 para 20 casos, alta de 81,8%.

O estupro de vulnerável também apresentou alta considerável. O total saltou de 33 para 52 ocorrências, crescimento de 57,6%. Foram 21 registros adicionais em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

 

Panorama

Roubo de veículos caiu 50% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, mas os furtos de veículo aumentaram mais de 10% | Foto: GCM/Divulgação

O comparativo entre o primeiro trimestre de 2025 e o de 2026 mostra queda nos crimes patrimoniais e alta nos delitos mais graves. Roubos de veículos caíram 50%, furtos em geral recuaram 24,5% e o total de roubos diminuiu quase 19%. Em contrapartida, os homicídios dolosos dobraram e os estupros cresceram 63,6%, com aumentos de 81,8% nos casos de estupro e de 57,6% nos de estupro de vulnerável. Assim, os dados da SSP/SP apontam redução dos crimes contra o patrimônio, mas avanço expressivo dos homicídios e da violência sexual.

O estupro de vulnerável também apresentou alta considerável. O total saltou de 33 para 52 ocorrências, crescimento de 57,6%. Foram 21 registros adicionais em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

Entre outras ações para coibir, Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Civil Metropolitana intensificam ações conjuntas. Foi o que ocorreu, por exemplo, com a “Operação Caminhos Seguros” foi deflagrada para cumprimento de diversos mandados de prisão relativos a crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes, realizada em 5 de maio.

 

Feminicídios

Como a Secretaria de Segurança Pública – SSP/SP não detalha os casos de feminicídio por cidade, esses crimes são contabilizados entre os homicídios dolosos.

Ribeirão Preto segue a tendência nacional de alta nos feminicídios. A Secretaria da Segurança Pública (SSP/SP) divulga os dados em três recortes: Capital, Demacro (38 municípios da Grande São Paulo, exceto a Capital) e Interior, que reúne as demais 606 cidades, incluindo o litoral.

No primeiro trimestre de 2026, os casos no Interior passaram de 34 para 60 em relação ao mesmo período de 2025, aumento de 76,47%.

Em 2025, dos 61 feminicídios registrados no Estado até março, 34 ocorreram no Interior. Em 2026, foram 60 dos 82 casos contabilizados no mesmo período.

Embora as 606 cidades do Interior somem cerca de 12 milhões de habitantes, ante 11,9 milhões da Capital e 21,7 milhões da região metropolitana, elas concentraram 73% dos feminicídios registrados no Estado no primeiro trimestre de 2026.

 

Casos recentes

Entre 18 de abril e 9 de maio, seis mulheres foram assassinadas na região de Ribeirão Preto em casos investigados como feminicídio. Em menos de um mês, a sequência de crimes chamou a atenção pela violência e pela repetição de ataques cometidos por homens com quem as vítimas mantinham ou haviam mantido relacionamento.

O primeiro caso foi o da cabeleireira Jeane Ferreira da Silva Funes, de 38 anos, morta a facadas em 21 de abril, nos Campos Elíseos, em Ribeirão Preto. O marido, Renato Augusto Funes, de 44 anos, foi preso três dias depois.

Quatro dias mais tarde, Taís Rodrigues de Paulo, de 24 anos, foi assassinada a facadas no Jardim Presidente Dutra, também na Zona Norte da cidade. O ex-companheiro, Maziel Dantas da Silva, de 51 anos, está preso.

A cabeleireira Jeane Ferreira da Silva Funes foi morta pelo marido que não aceitava fim do relacionamento; crime ocorreu em abril, nos Campos Elíseos | Foto: Redes Sociais

Em Barretos, Deise Batista, de 33 anos, morreu após ter 92% do corpo queimado. Segundo a polícia, o ex-companheiro, Lucas Antônio, jogou gasolina sobre a vítima e ateou fogo porque não aceitava o fim do relacionamento.

No dia 24 de abril, Geniane Pereira, de 20 anos, foi morta com nove facadas em Pontal. O autor, Cleomar Borges Gomes, de 53 anos, pai de uma amiga da jovem, fugiu e foi capturado cinco dias depois em Ribeirão Preto.

Em Barrinha, a cabeleireira Fabiana Cristina Lacerda Batista, de 42 anos, foi morta a tiros em 2 de maio. O ex-marido, Paulo Henrique Batista, de 42 anos, foi preso.

A sexta vítima foi Carolina Lisboa da Cruz, de 27 anos, morta em 9 de maio. O companheiro, Anderson Vieira, de 37 anos, foi preso após inicialmente negar o crime.

Além dos assassinatos, foram registradas duas tentativas de feminicídio em Colômbia e em Ribeirão Preto. No Sumarezinho, um homem invadiu a casa da ex-companheira para agredi-la, mas acabou esfaqueado durante a reação da mulher.

 

Crimes que ocorrem no núcleo familiar

Coronel aposentado da Polícia Militar e especialista em segurança pública, Marco Aurélio Gritti entende que os números divulgados pela SSP/SP relativos ao primeiro trimestre de 2026, relativos aos crimes patrimoniais em Ribeirão Preto, seguem tendência anterior de estabilidade ou redução na maioria dos casos.

“Creio que esse aumento nos furtos de veículos seja pontual, resultado da ampliação da frota na cidade, registrada recentemente pela mídia, dos furtos de motocicletas e do mercado ilegal de peças”, avalia Gritti.

Para o coronel, a produtividade policial sugere que os crimes seguirão sendo reduzidos e cita como exemplo o número de flagrantes, que aumentou de 681 no primeiro trimestre de 2025 para 695 neste ano. “Isso implica verificar que a prevenção e o combate ao furto/roubo e receptação está intenso, somando-se à ampliação do Muralha Paulista com a adesão de câmeras particulares ao Sistema, o que potencializará a localização de veículos furtados/roubados e o reconhecimento facial de criminosos procurados pela Justiça. A prevenção/combate aos roubos é incessante, pois que lamentavelmente houve um latrocínio no trimestre, ou seja, um crime gravíssimo advindo do roubo”, avalia.

No caso dos crimes contra a vida, Gritti explica que os homicídios, que apresentaram acréscimo estatístico, em sua maioria são mortes decorrentes de discussões entre pessoas próximas. “Ou seja, circunstância que os aproximam do feminicídio e dos crimes sexuais, cujos índices ainda resistem a todo o aparato policial de prevenção e repressão. São crimes de difícil prevenção, pois ocorrem no núcleo familiar ou na convivência entre as pessoas”, completa.

Para o especialista em segurança pública, é importante que as pessoas denunciem pelo telefone 181 (disque denúncia da Polícia Civil) ou 190 (Emergência da Polícia Militar), assim como pelos grupos existentes. “Como o Programa Vizinhança Solidária e a partir deste ano pelo Muralha Paulista é fundamental como meio auxiliar de prevenção e repressão aos crimes”, finaliza.

 

1.196 prisões em Ribeirão Preto

De acordo com a SSP/SP, todo caso notificado é investigado pela Polícia Civil com o objetivo de esclarecer os crimes. A pasta reforça que as forças policiais monitoram constantemente os índices criminais, adotando estratégias de enfrentamento a todas as modalidades, nas regiões de maior incidência, incluindo ações preventivas contra roubos e furtos.

Especialista em segurança pública, coronel Gritti destaca o uso do Muralha Paulista no combate aos crimes patrimoniais | Foto: Alfredo Risk

“Como resultado do trabalho integrado das forças de segurança, a cidade de Ribeirão Preto apresentou redução de 18,9% e 24,6% nos roubos e furtos, respectivamente, no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao ano anterior. As ações desenvolvidas ainda possibilitaram a prisão e apreensão de 1.196 infratores no município.”

Em relação aos crimes contra a vida, a SSP/SP afirma que o enfrentamento é tratado com prioridade permanente, integrando o programa SP Vida, que analisa todas as ocorrências de homicídio doloso de forma contínua para ações investigativas e de prevenção.

“Outra prioridade é o enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo o estupro, que tem ampliado continuamente a rede de proteção e os mecanismos de prevenção, com monitoramento constante dos índices criminais e ações específicas nas regiões de maior incidência”, informa a SSP/SP.

De acordo com a secretaria, para agilizar o atendimento, foi lançado o aplicativo SP Mulher Segura, que já reúne 61 mil usuárias ativas, 2,3 mil boletins registrados e 16,2 mil acionamentos do botão do pânico.

“O Estado possui atualmente 144 DDMs e 220 Salas DDM remotas, reforçadas por mais de 650 policiais. Ainda estão previstas a implantação de outras 69 novas salas, parte do pacote de medidas anunciado no final de março para fortalecer o combate à violência contra a mulher”, conclui.

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