O Ministério da Previdência Social anunciou nesta segunda-feira, 13 de abril, que Ana Cristina Silveira assume a presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no lugar de Gilberto Waller, que ficou onze meses no cargo. Segundo a pasta, Silveira é servidora de carreira do órgão há mais de 20 anos e chega com a missão de acelerar a fila de benefícios, simplificar processos e melhorar o atendimento no órgão.
A escolha de uma servidora com visão sistêmica – que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal – marca um novo momento para o instituto, focado na redução do tempo de espera e qualidade do atendimento aos segurados.
“Agradeço a Gilberto Waller pela importante contribuição nesse período e dou as boas-vindas à Dra. Ana Cristina. Ela tem o perfil ideal para iniciar esse novo momento e cumprir a determinação do presidente Lula, que é solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás”, disse o ministro Wolney Queiroz.
Ele apontou que a nomeação dela é colocar o INSS nas mãos dos servidores e dá mais visibilidade para mulheres. “Sua nomeação também entrega o comando do Instituto nas mãos de seus próprios servidores. Tenho a alegria ainda de anunciar mais uma mulher para a alta cúpula do órgão, que já tem quatro diretoras”, completou o ministro.
Waller assumiu o INSS depois do pedido de demissão de Alessandro Stefanutto, que saiu em meio a uma ordem judicial que decretou seu afastamento do cargo.
O então presidente do órgão enfrentava investigação por conta da fraude bilionária de descontos indevidos de beneficiários do INSS, que virou alvo inclusive de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso.
Waller comandou o processo de ressarcimento dos afetados pela fraude, chegando a ressarcir R$ 2,959 bilhões a 4,3 milhões de pessoas, segundo os dados mais recentes.
A avaliação dentro do ministério é que o combate às fraudes nos descontos associativos já está encaminhado, com operações avançadas para identificar e punir os responsáveis, e que agora seria necessário voltar a focar no enfrentamento da fila do INSS, que bateu 2,7 milhões de pessoas em março.

Stefanutto pediu demissão após ser afastado pela Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para investigar fraudes bilionárias em descontos de aposentadorias e pensões. Ao longo dos onze meses em que ficou à frente do órgão, Waller teve alguns atritos com o ministro Wolney Queiroz.
Silveira terá como missão reduzir a fila do INSS e reorganizar o ambiente interno do órgão, que era considerado muito tensionado por causa da gestão de Waller. Também havia uma leitura de que o ex-presidente do órgão só priorizava uma medida para acabar com a fila, que era a concessão de bônus para peritos.
Em março, a fila caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões. A média de novos pedidos foi de 61 mil por dia, superando a média de 59 mil registrada em fevereiro. Além disso, o aumento da fila não era considerado proporcional ao número de requerimentos protocolados solicitando benefícios
Isso gerou críticas à atuação de Waller. A mudança busca ainda evitar o desgaste que o aumento da fila do INSS poderia provocar na campanha à reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

