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Anvisa libera vacina infantil

Foto: Fernando Gonzaga

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a aplicação da vaci­na da Pfizer/BioNTech contra a covid-19 em crianças de 5 a 11 anos, nesta quinta-feira, 16 de dezembro. A formulação da dose pediátrica equivale a um terço da usada em pessoas com mais de 12 anos. A decisão da Anvisa precisará ser publica­da no Diário Oficial da União para passar a valer.

Serão administradas duas doses, com intervalo de 21 dias, cada uma com 10 mi­crogramas para pessoas nessa faixa etária. Como a compo­sição é distinta da dos adultos, os frascos do imunizante serão de cor laranja e será necessário treinar profissionais de saúde para evitar eventuais erros. Já havia indicação da liberação nesta quarta-feira (15).

Além dos dados submeti­dos pela empresa, que atesta­ram a segurança e eficácia de 90% no público, a agência le­vou em conta a administração do imunizante em maiores de 5 anos pelo mundo. Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha e Espanha, entre outras nações, já imunizam a população pediátrica com a vacina da Pfizer.

Quase 95% dos casos sus­peitos de evento adverso re­portados por essas nações foram “não graves”, informou a gerente-geral de Monitora­mento de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária, Suzie Marie Gomes. Mais da me­tade deles relacionados a er­ros na aplicação, disse Suzie.

Assim como a Anvisa, o pre­sidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Renato Kfouri considera os benefícios maiores que os riscos. “Só a co­vid mata mais do que todas as doenças do calendário vacinal infantil somadas”, exemplifica.

A Anvisa destaca ainda, que a vacinação na faixa etária também terá impacto positi­vo na redução de transmissão da doença e ao minimizar as interrupções na educação dos mais jovens. O Ministério da Saúde começou a se preparar para a vacinação de crianças em novembro, antes da autori­zação da Anvisa.

A pasta decidiu se anteci­par e negociou com a Pfizer 40 milhões de doses para imuni­zar a faixa etária de 5 a 11 anos. A entrega dos imunizantes es­tava condicionada ao aval do órgão. A vacinação de crian­ças enfrenta resistência do presidente Jair Bolsonaro e de apoiadores da ala ideológica. Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o governo federal ainda vai avaliar a deci­são da Anvisa.

A vacina da Pfizer está re­gistrada no país desde 23 de fevereiro deste ano. Inicial­mente, o imunizante foi au­torizado para pessoas com mais de 16 anos. Em 11 de junho, a Anvisa liberou a inclusão da faixa etária de 12 a 15 anos. O Brasil ainda não tem em solo nacional as cha­madas doses pediátricas.

O início da aplicação está condicionado à chegada das doses adaptadas, o que pode fazer com que o público come­ce a ser imunizado só em 2022. Como a vacinação de crianças não estava aprovada pela An­visa, a Pfizer aponta que “ne­nhuma dose de vacina pediá­trica foi enviada ainda ao país”.

Por outro lado, a farma­cêutica explica que o tercei­ro contrato firmado com o governo brasileiro, assinado em 29 de novembro para o fornecimento de 100 milhões de imunizantes anticovid no ano de 2022, abre caminho para a chegada de vacinas para crianças.

Isso porque, continua a Pfizer, o acordo “inclui a pos­sibilidade de fornecimento de versões modificadas do imu­nizante para variantes (como a Ômicron), que poderão ser eventualmente desenvolvidas caso necessário, e versões para diferentes faixas etárias”.

O fornecimento depende do que for solicitado pelo Mi­nistério da Saúde. Apesar de ter o mesmo princípio ativo, a formulação pediátrica para crianças entre 5 a 11 anos, por exemplo, possui uma concen­tração diferente, um maior número de doses por frasco e um prazo de armazenamento maior na temperatura de gela­deira entre 2-8°C.

Segundo a farmacêutica, o imunizante demonstrou eficá­cia de 90,7% em estudo clínico desenvolvido especificamente para a faixa etária pediátrica. Os ensaios de fase 2/3 foram realizados em 2.268 crianças em Estados Unidos, Finlândia, Polônia e Espanha.

O imunizante não deve ser administrado de forma con­comitante com outras vacinas do calendário infantil. Por precaução, é recomendado in­tervalo de 15 dias. Os agentes de saúde devem informar aos pais ou responsáveis sobre sin­tomas e reações esperadas após a vacinação, como dor, incha­ço ou vermelhidão local, febre, fadiga, dor de cabeça ou linfa­denopatia (gânglios) na axila do braço que recebeu a vacina.

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