Sob direção e texto de Carlos Jardim, Mande Notícias do Mundo de Lá mistura humor afiado e emoção genuína para falar de luto, amizade e envelhecimento
Há um cemitério, um caixão e uma amiga que partiu. E surpreendentemente, muito riso. É nesse território incomum, entre a dor da despedida e a graça de uma vida inteira de cumplicidade, que Arlete Salles estreia seu novo espetáculo – primeiro monólogo –, Mande Notícias do Mundo de Lá, às 20 horas de 16 de setembro, terceira quarta-feira do mês, no Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto.
Por causa dos estragos causados pelo temporal de 24 de julho, o espetáculo será apresentado em nova data – estava agendado para 24 de setembro – e local – seria no Teatro Municipal. Os preços dos ingressos também foram alterados.
Escrito e dirigido por Carlos Jardim, o espetáculo marca um divisor de águas na trajetória de uma das atrizes mais celebradas do país que, depois de décadas, encara o primeiro monólogo da sua carreira. Em cena, Arlete Salles dá vida a Eulália Eugênia, uma mulher exuberante e cheia de histórias de pavor da morte.
Ainda assim, ela precisa enfrentar seu pior pesadelo: ir ao cemitério dar adeus a Rosimere, amiga de muitos anos e de muitas aventuras. Como ninguém mais compareceu ao velório, é Eulália quem se aproxima do caixão para que a amiga saiba que não foi totalmente abandonada, e ali, entre lembranças e implicâncias antigas, nasce o humor afiado e a emoção genuína.
“Nunca foi um projeto meu ficar sozinha no palco, falando, falando… Eu achava bonito assistir a outros colegas fazendo isso. Achava muito corajoso”, conta Arlete. A veterana decidiu aceitar o desafio ao conhecer profundamente o texto de Jardim.
“Eu senti muitas qualidades e me identifiquei em vários pontos. Você precisa ler mais de uma vez, mais de duas, mais de três, para descobrir as sutilezas, as voltas, as subidas e descidas de um bom monólogo”, explica. Para a consagrada atriz, dar vida a essa personagem é também falar de si mesma.
“Em vários momentos, me identifico com a Eulália, porque é um trabalho sobre etaridade. Ele trata da vida de uma mulher com a minha idade. Então, falo de muitas coisas que estão presentes na minha vida, que eu conheço, que eu sinto, que eu vivencio diariamente”, afirma a atriz.
Ela resume sua visão sobre envelhecer com uma frase definitiva: “envelhecer é um grande desafio, mas é muito pior partir jovem, sem ter aproveitado essa maravilha que é a vida, que é viver.”
O luto que vira comédia – Apaixonado pelo teatro e pelo jornalismo factual, e por isso mesmo, um grande conhecedor de personagens e histórias, Carlos Jardim construiu o texto para explorar a versatilidade de Arlete, capaz de ir do riso fácil à emoção mais profunda em segundos.
“Arlete tem um tempo de comédia raro, sabe fazer pausas e entonações que valorizam imensamente o texto. E tem uma emoção genuína, que aflora com facilidade e emociona a todos. No texto, abuso das passagens quase bruscas entre o drama e a comédia. E Arlete pula de uma emoção à outra com uma facilidade que impressiona”, revela.
A escolha pelo humor, segundo Jardim, não é acaso: é uma forma de encarar de frente temas que costumam ser tratados com peso excessivo, como a passagem do tempo. Para ele, falar de perdas que a vida traz, também é falar de lembranças.
“O envelhecimento traz a inevitável constatação de que o fim pode chegar a qualquer momento. Isso pode gerar angústia ou despertar em nós, uma urgência de fazer valer o tempo que nos resta. Acredito sinceramente que o humor é a chave para deixar tudo mais leve, inclusive na maneira de encarar essas limitações”, diz.
O diretor e autor ainda resume o tamanho do desafio que é ver uma atriz consagrada se lançar, pela primeira vez, sozinha em cena. “Acho fascinante uma atriz gigante como a Arlete, que não precisa provar nada a ninguém, aceitar se desafiar a essa altura da carreira fazendo seu primeiro monólogo. É se jogar no trapézio sem rede de proteção. Como diretor, tento facilitar esse. E posso garantir que será um voo lindo e surpreendente”, conclui.

Sinopse – Eulália Eugênia tem pavor da morte, mas precisa encarar seu maior pesadelo quando tem que ir ao cemitério se despedir de Rosimere, companheira de décadas e de tantas peripécias. Como o velório está vazio, é ela quem se aproxima do caixão para garantir que a amiga não parta sozinha. Entre lembranças e implicâncias, alterna gargalhadas e lágrimas em uma reflexão sincera sobre envelhecer e perder quem se ama.
Ingressos – Os ingressos custam R$ 160 (plateia e frisa), R$ 120 (balcão nobre) e R$ 50 (balcão simples, preço popular). A meia-entrada sai por R$ 80, R$ 60 e R$ 25, respectivamente. Estão à venda no guichê do teatro e no site do Mega Bilheteria (megabilheteria.com).
A meia vale para estudantes, pessoa com deficiência e um acompanhante, idosos (pessoas com mais de 60 anos), diretores, coordenadores pedagógicos, supervisores e titulares de cargos do quadro de apoio das escolas das redes estadual e municipais, professores da rede pública estadual e das redes municipais de ensino
O Theatro Pedro II informa que não é permitido crianças menores de 12 anos na fila A dos setores balcão nobre e balcão simples, por determinação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), devido a altura do guarda corpo. Ingressos para cadeirantes são destinados ao setor frisa do teatro.
Não será permitida a entrada após o início do espetáculo, não havendo troca de ingresso e nem devolução do dinheiro. Para melhor conservação do Theatro Pedro II é proibido o consumo de bebidas e alimentos dentro das salas de espetáculos. Fica na rua Álvares Cabral nº 370, no Quarteirão Paulista, Centro Histórico de Ribeirão Preto.
O local tem capacidade para 1.588 pessoas, mas parte foi interditada por segurança. Atualmente conta com 1.300 lugares. O telefone para mais informações é (16) 3977-8111. Ou acesse www.theatropedro2.com.br. O espetáculo não é recomendado para menores de 12 anos. O espaço é o terceiro maior teatro de ópera do Brasil. O uso de máscara é opcional.

