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Bonecos da Tia Lu incentivam brincadeiras e o aprendizado

Créditos: Pedro Ferro

Quando pensamos em bonecos, a primeira imagem que vem à mente certamente não são bonecos de pano grandes o suficiente para abraçar crianças. Mas essa é uma das principais características dos “parceiros de viagem” no Transporte Escolar da Tia Lu e Tio Lu.

Em entrevista exclusiva ao jornal Tribuna Ribeirão, Lucimar Cristina Vicente Marques e Luiz Antônio Marques, também conhecidos como Tia Lu e Tio Lu respectivamente, contaram como surgiu a ideia de fazer bonecos para as crianças brincarem durante o trajeto da escola. “Comecei a ver nas redes sociais que tutores de outras vans escolares faziam bonequinhos e deixavam nos bancos para as crianças brincarem durante o trajeto, então passei a pensar em como colocar isso em prática na nossa van, mas tinha que ter um diferencial”, explicou a Tia Lu.

Foto: Pedro Ferro

“[…] Eu não sei costurar. Comprei uma máquina de costura e disse: ‘agora sou eu e você!’. Procurei no YouTube como funcionava e fui costurando do meu jeito. Não tenho muita prática, mas peguei gosto”, continuou. “E eu comecei isso há uns dois ou três anos como uma brincadeira até perceber que a palhacinha, a Josefina, começou a fazer efeitos com as crianças. Elas passaram a interagir entre elas e conosco durante o trajeto, o que facilitou muito para nós dois. [O Tio Lu] ficava mais tranquilo para poder dirigir, ficava mais fácil para mim abrir a porta para elas, pegar as bolsas, colocar o cinto e monitorá-las e o trajeto não ficou mais tão cansativo para os menores.”

Lucimar Cristina ainda contou que permite que as crianças levem um boneco para brincar em casa, mas, para isso, elas precisam se responsabilizar pelos cuidados. Isso junto ao fato de poderem brincar no caminho para a escola, segundo ela, motiva as crianças a irem à escola com maior frequência. “Os pequenos olham com aquela carinha de surpresa, porque não estão acostumados. Então eu aproveito o entusiasmo deles, interajo com eles durante o trajeto e eles brincam bastante durante a viagem. Mal podem esperar a hora de levar um boneco para casa, e até não querem faltar na escola”, contou.

“Outro motivo que me fez criar os bonecos era tirar o jovem um pouco do celular. […] E o que me surpreendeu foi que, mesmo alguns tendo 10, 12 ou 13 anos, foram as crianças que mais brigaram para levar os bonecos para casa. Elas tiveram mais curiosidade, queriam passar na frente das crianças pequenas. Então, de certa forma, voltavam a ter aquela idade que realmente deveriam ter. Hoje, crianças nessa faixa etária não brincam. É muito difícil ver uma menina de 12, 13 anos brincando de boneca; elas estão se vestindo mais como adultas e tendo assuntos mais semelhantes aos de adultos. Então, saiu um pouco desse padrão e percebi que eles ainda são crianças. Apesar de quererem ser adultos, eles são crianças que sentem falta de serem crianças”, complementou Lucimar Cristina.

Bonecos que ensinam

Além de divertir e incentivar as crianças a irem à escola, os bonecos da Tia Lu também são ferramentas de ensino fundamentais para as crianças. “Os bonecos ajudam as crianças a se soltarem, a conversar mais comigo e uns com os outros e a usarem mais a imaginação ao invés dos celulares, mas eles também têm auxiliado a discutir questões de diversidade e inclusão de maneira mais lúdica”, explicou a Tia Lu.

Reprodução / Redes sociais

“Chegou um momento que percebi que apelidos ofensivos e o bullying estavam muito intensos, então pensei em utilizar os bonecos para mostrar a diferença de cada um deles, que todos merecem respeito e que gentileza também gera a gentileza. E comecei a trabalhar com cada criança sobre isso, que cada criança é diferente uma da outra. Então, eu ensinei que os bonecos, assim como nós, são diferentes e, por isso, devemos respeitá-los e às outras pessoas também. Então, quando eu entrego um boneco, eu passo essa missão pra eles de levar pra casa, cuidar, não querer passar na frente do outro e chamar o boneco pelo nome, assim como o amiguinho também tem o seu nome”, complementou ela.

De maneira lúdica, tanto Lucimar Cristina quanto Luiz ensinam crianças das mais diferentes faixas etárias a importância do respeito e da diversidade no ambiente escolar através dos bonecos de pano. “Eu até fiz o Saci, que também foi uma forma de trabalhar o folclore brasileiro, e eles perguntam por que tem a perninha do boneco é desse jeito e eu falo que, mesmo que a criança seja deficiente e/ou diferente, ela merece e deve ser tratada com respeito. E o mesmo vale para as diferentes cores de pele, pois ela não nos difere um do outro. Então eu sempre ensino que cada um tem a sua beleza, cada um tem o seu jeitinho de ser e ninguém é melhor do que ninguém”, completou.

Sucesso além da van

Reprodução / Redes sociais

O sucesso dos bonecos vai além da van escolar, tendo ganhado uma visibilidade fora do veículo. Luiz e Lucimar Cristina contaram que alguns bonecos foram levados a um casamento, ao mercado para atrair a atenção das crianças e, consequentemente, dos pais, e a clínicas de tratamentos infantil. 

“A palhacinha Josefina, a primeira boneca que fiz, já foi parar já na igreja, no mercado, já tirou foto com um padre, foi em casamento e acabou roubando a cena da noiva. Os bonecos também já foram solicitados para ficar numa recreação para facilitar a interação entre as crianças de lá. E, também foram solicitados para ‘trabalhar’ numa clínica de fonoaudiologia infantil e incentivar as crianças a querer voltar no outro dia, na próxima consulta”, explicou a Tia Lu.

Ela concluiu ao dizer que se sente grata e emocionada ao testemunhar a alegria das crianças ao irem e voltarem da escola ou irem em consultas que, geralmente, se recusariam a ir por vontade própria por conta da presença dos bonecos, pois estes acalmam e derrubam determinadas barreiras das crianças. “É emocionante ver tanto afeto para com os bonecos. Eu falava: ‘Gente, eu vou fazer outros’, e fico ainda mais incentivada quando vejo o sorriso das crianças. Não imaginei que ia chegar a esse ponto de trazer tanta alegria para as crianças dessa forma”, completou.

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