Antonio Carlos Augusto Gama *
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Ultimamente, tenho visto muitas borboletas. Brancas, amarelas, pintalgadas, grandes e pequenas.
São elas os bichinhos mais encantadores de nosso planeta, e só se lhes equiparam os peixinhos ornamentais, que seriam borboletas que não voam. Tanto elas como eles são silenciosos, não emitem nenhum som. A elas aplica-se bem o verbo “adejar”. Borboletear é próprio delas. Adejam ou borboleteiam daqui para ali, sobre as flores.
As borboletas noturnas, chamadas indevidamente de “bruxas”, pousam de asas abertas, enquanto as diurnas pousam de asas fechadas. O seu ciclo vital, passando pela metamorfose completa, desde a lagarta no seu casulo, até a imago, é impressionante.
Para os italianos, borboleta é “farfalla”, palavra ainda mais adequada para ela, pois tem alguma coisa daquele seu bater de asas tão gracioso. Mas o nosso verbo “borboletear” também se lhes aplica bem.
Há moças e mulheres que parecem borboletas. Também elas piscam os olhos rápida e silenciosamente. Só que algumas, quando pousam, nos picam. E quão dolorosamente a sua picada nos faz sofrer pelo resto da vida!
As borboletas são motivos perfeitos para os selos coloridos e até para cédulas de dinheiro. Muito mais do que a carantonha de qualquer herói da pátria. Os selos que as reproduzem, nos envelopes das cartas, trazem recados que podem ser recados de amor. Aliás, todas as cartas só deviam trazer recados de amor. As outras são dispensáveis.
Os entomologistas, que colecionam milhares e milhares de borboletas, de asas abertas, espetadas em pranchas, são homens tolos. Porque não se coleciona o frêmito, o perpassar das borboletas contra o verde do jardim e das rosas vermelhas.
Para alguns, a borboleta representa a alma. A alma que esteve no casulo do corpo, e afinal dele se libertou.
Vai, borboleta, vai, que a vida é breve, e é preciso beijar todas as bocas, quero dizer, todas as flores.
* Promotor de Justiça, aposentado, advogado, professor de Direito e escritor

