Pai do senador já foi homenageado, mas como está preso, não tem como receber pessoalmente a honraria
A Câmara de Ribeirão Preto deverá analisar, nas próximas semanas, um projeto de decreto-legislativo que concede título de cidadão ribeirão-pretano para o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A proposta foi protocolada no dia 9 de junho.
Segundo o projeto, de autoria do vereador Isaac Antunes (PL) e apresentado em ano eleitoral, a concessão se justifica em função das ações institucionais do senador por Ribeirão Preto e pela região, contribuindo para o encaminhamento de demandas de interesse da população local junto ao governo federal e aos órgãos competentes.
Argumenta que a atuação do senador em defesa do municipalismo e seu compromisso com o desenvolvimento do interior paulista justificam o reconhecimento da Câmara, por meio da concessão da honraria.
O ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, pai do senador, já foi homenageado com o título de cidadão ribeirão-pretano, aprovado em 20 de fevereiro de 2025 por meio de projeto também de Isaac Antunes.
Na ocasião o parlamentar argumentou que no exercício de sua função pública como presidente, Bolsonaro prestou grande apoio a Ribeirão Preto; notadamente, no âmbito da saúde, enviando recursos que foram imprescindíveis para que a cidade pudesse enfrentar os difíceis impactos trazidos pela pandemia, proporcionando um melhor atendimento à população da cidade.
Argumentava também que esse apoio se estendeu às entidades filantrópicas e aos prestadores de serviços da saúde da cidade, como Hospital Santa Lydia e a Santa Casa de Misericórdia, que receberam para enfrentamento da pandemia, cerca de R$ 27,1 milhões.
Porém, partidos de esquerda e da base governista dizem que o ex-presidente desdenhou da ciência e das vacinas, chamou a covid-19 de “gripezinha” e ironizou as mais de 600 mil mortes que ocorreram em seu governo. Demorou para encomendar imunizantes e foi contra o uso de máscara facial. Jamais evitou aglomerações.
Em 2021, Bolsonaro vetou R$ 200 milhões que seriam usados no desenvolvimento da vacina contra covid-19 “100% brasileira”, desenvolvida por cientistas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), anunciada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Ainda trocou os ministros da Saúde e bateu de frente com dois deles exatamente por causa das medidas de enfrentamento da covid-19: Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Também comprou briga com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que defendiam o lockdown.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.
No ano passado, quando o ex-presidente já estava preso em Brasília, Isaac Antunes pediu autorização ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar presencialmente o título de cidadão ribeirão-pretano a Jair Bolsonaro. Entretanto, a solicitação foi negada. A honraria ainda não foi entregue.
Flávio e Vorcaro – Já Flávio Bolsonaro está no centro de uma polêmica envolvendo Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ele pediu dinheiro ao banqueiro para financiar um filme sobre o pai Jair Bolsonaro – e as negociações envolveram contatos diretos com o filho do ex-presidente, que pressionava pelos pagamentos.
Nas mensagens escritas e em áudio, o senador disse que já tinha muitas contas para pagar e que não queria que o impacto positivo do filme tivesse “efeito elevado a menos um”.
Segundo o Intercept, Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção do filme “Dark Horse” entre fevereiro e maio de 2025. O dinheiro, de acordo com o site, foi transferido para um fundo nos Estados Unidos de um aliado de outro filho do ex-presidente, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Em um dos trechos da conversa, Flávio Bolsonaro diz: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!” O senador nega a prática de qualquer tipo de crime, mas admite ter se encontrado cm Vorcaro depois de o banqueiro ter a prisão decretada.

