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Carla Camurati faz filme para contar aos jovens a história recente do Brasil

Por Luiz Carlos Merten, especial para o Estadão

Mãe do Antônio, de 18 anos – seu filho com o também cineasta João Jardim -, Carla Camurati conta que vive cercada de jovens. Seu filho e os amigos estão comprometidos com muitas pautas, mas ela identifica, por parte deles, uma falta de conhecimento da história recente do Brasil, das condições que levaram ao golpe militar de 1964, e o depois.

“Informar essa geração, nutrir um debate certamente foi uma das condições que me levaram a fazer 8 Presidentes 1 Juramento.” Mas essa, ela admite, é só metade da equação. “Gosto muito de História, senão não teria feito Carlota Joaquina.”

Quando foi isso? Em 1995, Carla era conhecida principalmente como atriz. Havia filmado com diretores relevantes. Veio o governo de Fernando Collor, o confisco, o desmantelamento das instituições ligadas à cultura. O cinema brasileiro sumiu do mapa.

Começou a surgir quando ela pegou seu longa e percorreu o País restaurando todo um circuito de exibição que estava fechado para a produção nacional. Graças a esse trabalho de formiguinha, fez verão. Carlota atingiu a marca de 1 milhão de espectadores. Viabilizou o cinema brasileiro, de novo.

A História de que Carla gosta reúne fatos e emoções. E é uma história do tempo presente. Aliás, durante toda a produção 8 Presidentes se chamava A História de Um Tempo Presente. Os presidentes, e o juramento, surgiram durante a montagem, quando o filme já estava pronto. Um documentário, até aqui ela fazia ficção.

“Um e outra colocam problemas de linguagem. Como vou contar essa história?” Ela manteve o subtítulo. 8 Presidentes 1 Juramento – A História de Um Tempo Presente. O longa de 2h20 estreou na quinta, 18. Vem somar-se a filmes brasileiros em cartaz e que confrontam o público com o espectro político. O Marighella de Wagner Moura virou fenômeno e já atingiu 250 mil espectadores. Curral, de Marcelo Brennand, começa a ser descoberto pelos espectadores. E chega a Carla.

O filme dela começa com as Diretas-Já – Zezé Motta naquele palanque, cantando Senhora Liberdade, “Abre as asas sobre nós” -, prossegue com a Constituinte, e o dr. Ulysses Guimarães: “Criticá-la, sim, reformá-la, sim, afrontá-la, jamais!”.

Desde então, o Brasil teve todos aqueles presidentes – Tancredo Neves, o que não foi, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e agora Jair Bolsonaro. Todos fizeram o juramento. Honrar a Constituição, promover o bem-estar do povo brasileiro.

O filme meio que se interroga sobre o que restou do juramento de cada um. Carla admite que foi um trabalho insano, mas que teve imenso prazer em fazer. “Sou feliz com o que faço.”

A obra começou a nascer após seu envolvimento nos Jogos Olímpicos do Rio, e graças a um prêmio que recebeu, como produtora, pela bilheteria de Getúlio, do ex-marido, João Jardim “Um dia acordei e tinha tido um sonho. Sonhei com o filme que queria fazer. Me veio com o conceito todo. Zero entrevistas, nenhuma cabeça falante, e materiais colhidos de diversas fontes ”

Essa riqueza e diversidade das fontes – das mídias, das opiniões expressas – levaram inclusive a um letreiro de advertência. “Parte desse material está sendo usada pela importância histórica, e a despeito de não possuir qualidade técnica.”

FONTES

Limpar não apenas a imagem, mas o som. Carla sabe que o filme tem a cara dela, e é crítico com várias figuras, mas há uma aparência, se é que se pode dizer assim, de neutralidade. “Coleto e reúno as informações, mas não é um filme para espectadores passivos. É para gente inquieta, a minha plateia de jovens e adultos pensantes.”

Ao coletar tantas fontes, ela também sabe que está contando uma história da comunicação. Começa lá atrás com o filme de película e chega, no processo de impeachment, aos memes e à manipulação das redes sociais.

Carla já foi acusada de exagerar no tempo que dedica ao Mensalão e de não ser suficientemente crítica com Bolsonaro, mas são pontos de vista. O Mensalão introduz a República de Curitiba e a Lava Jato não sai ilesa. Imagens antigas sinalizam para o personagem em que o atual presidente se converteu. Uma perguntinha final – e a Carla atriz, quando a veremos? “Gosto do que faço, mas não tem essa coisa de que não vou mais atuar. Aguardo a proposta que seja interessante.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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