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Caso Sophia: MP quer afastar conselheiros do caso - Tribuna Ribeirão
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Caso Sophia: MP quer afastar conselheiros do caso

MPSP pediu afastamento de conselheiras por suposta negligência (Foto: Alfredo Risk)

| Por: Adalberto Luque |

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ingressou com uma ação civil pública para pedir o afastamento imediato de cinco conselheiras tutelares de Ribeirão Preto por suposta omissão na atuação em um caso que terminou com a morte de Sophia Emanuelly de Souza, de 3 anos. A ação foi ajuizada nesta segunda-feira (3) pela Promotoria de Justiça de Ribeirão Preto.

Além da concessão de uma liminar para afastar as conselheiras de suas funções, o promotor de Justiça Moacir Tonani Junior pede, ao final do processo, a cassação definitiva dos mandatos e a proibição de que todas elas participem de novas eleições para o Conselho Tutelar pelo período de oito anos.

Segundo o Ministério Público, o avô materno da criança, José dos Santos, havia assumido sua guarda porque a mãe, moradora de Itapetininga, era dependente química, possuía antecedentes e histórico de abandono da filha.

A Promotoria afirma que, em abril de 2025, o Conselho Tutelar de Itapetininga comunicou oficialmente ao Conselho Tutelar III de Ribeirão Preto que havia recebido um relato informando que a menina apresentava sinais de maus-tratos, estava muito magra e tinha marcas pelo corpo. A denúncia foi feita pela avó materna, que morava em Itapetininga e percebeu a situação durante uma chamada de vídeo com a neta.

Sophia foi vítima de maus-tratos e agressões que causaram sua morte e MP entende que conselheiras tutelares não evitaram isso (Foto: Divulgação)

De acordo com a ação, as conselheiras realizaram apenas uma diligência, sem registrar adequadamente o caso ou adotar outras medidas de proteção. O Ministério Público sustenta que também não houve busca ativa para localizar a criança, nem acionamento da rede municipal de saúde, assistência social e educação. Ainda segundo a Promotoria, a ocorrência não foi inserida nos sistemas de proteção e outras autoridades não foram comunicadas para auxiliar na localização da menina.

Na avaliação do Ministério Público, essa conduta permitiu que a situação de violência continuasse até fevereiro de 2026, quando a criança chegou sem vida a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ribeirão Preto.

Conforme a petição inicial, exames apontaram múltiplas lesões em diferentes estágios de cicatrização, desnutrição grave, fratura em costela já consolidada, edema cerebral e sinais compatíveis com esganadura. O laudo concluiu que a morte ocorreu por asfixia mecânica.

Para o Ministério Público, as conselheiras deixaram de cumprir deveres legais e regimentais ao não adotarem providências consideradas básicas para proteger a criança, o que, segundo a instituição, demonstra falta de aptidão para o exercício da função.

O avô da menina e a companheira dele respondem a uma ação penal por tortura e homicídio qualificado. Ambos permanecem presos desde a morte de Sophia.

Relembre o caso

No dia 17 de fevereiro deste ano, Sophia Emanuelly de Souza, de 3 anos, chegou morta à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da avenida 13 de Maio, em Ribeirão Preto. O avô materno, José dos Santos, de 43 anos, afirmou que a menina havia passado mal e a levou até a unidade de saúde.

Após a equipe médica constatar a morte, as polícias Civil e Militar foram acionadas. Os policiais seguiram até o apartamento da família, no Parque São Sebastião, onde encontraram Karen Tamires Marques, de 32 anos. No local, ela admitiu ter esganado a criança.

José e Karen estão presos desde o dia da morte da criança (Foto: Redes Sociais)

José estava com a guarda de Sophia havia cerca de dois anos. A mãe da menina, dependente química, e a avó materna moravam em Itapetininga quando a guarda foi transferida ao avô. O casal foi preso em flagrante.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde a necropsia constatou que a criança morreu por asfixia mecânica causada por estrangulamento. Os laudos também apontaram quadro severo de desnutrição, diversos hematomas e fraturas já cicatrizadas em diferentes partes do corpo.

Durante as investigações, a avó materna, ex-companheira de José, afirmou que havia denunciado cerca de um ano antes que a neta sofria maus-tratos. Segundo ela, não houve encaminhamento ou troca de informações entre os Conselhos Tutelares de Itapetininga, cidade de origem da família, e de Ribeirão Preto, onde a criança vivia com o avô.

Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil indiciou o casal por homicídio triplamente qualificado e tortura. Posteriormente, o Ministério Público apresentou denúncia por feminicídio qualificado e tortura. O promotor também instaurou um inquérito civil para apurar eventual negligência dos dois Conselhos Tutelares envolvidos no acompanhamento do caso.

Corpo da criança ficou no IML de Ribeirão Preto por uma semana, até ser sepultado em Itapetininga pela mãe e pela avó (Foto: Redes Sociais)

O corpo de Sophia permaneceu no IML de Ribeirão Preto até o dia 23 de fevereiro. Três dias antes, a delegada responsável conseguiu localizar a mãe e a avó da criança. Somente naquele momento elas foram informadas da morte da menina.

Com apoio do poder público de Itapetininga, mãe e avó viajaram até Ribeirão Preto para fazer o reconhecimento do corpo. No dia 23 de fevereiro, Sophia foi velada e sepultada em Itapetininga, seis dias após sua morte.

O processo criminal continua em tramitação na Justiça de Ribeirão Preto. Até o momento, não há data marcada para julgamento nem definição sobre a realização de júri popular.

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