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Em crise, Botafogo faz clássico com Ferroviária

Equipes empataram em 1 a 1 no primeiro turno (Raul Ramos)

Por Hugo Luque 

O Botafogo recebe a Ferroviária neste domingo (28), às 18h30, no Estádio Santa Cruz/Arena Nicnet, pela 29ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. A reta final da temporada se aproxima e o Pantera busca, com cada vez mais urgência, deixar a zona de rebaixamento e evitar um desfecho trágico para um péssimo ano. 

A equipe já enfrentou troca de treinador, reformulação no elenco e uma briga contra o descenso no Campeonato Paulista. Mesmo com as janelas de transferências, chegadas e saídas, o roteiro se repete no nacional, com o terceiro ataque menos produtivo (25 gols marcados) e a defesa mais vazada da divisão (42 tentos sofridos). 

Na última rodada, o Tricolor fez um primeiro tempo ruim diante do CRB e chegou a ficar três gols atrás no placar, mas reduziu a desvantagem no final da segunda etapa e deixou o Estádio Rei Pelé com uma derrota por 3 a 2. Os dois gols botafoguenses foram marcados por meio-campistas: o volante Gabriel Bispo e o meia-atacante Leandro Maciel. 

“No segundo tempo, tivemos uma postura mais aguerrida, que é a do nosso time. Uma postura mais organizada. Mas temos de manter isso durante o jogo inteiro e não durante um tempo, como fizemos contra o Operário e novamente contra o CRB. O trabalho tem de aumentar, a cobrança entre nós tem de aumentar, mas a confiança tem de subir na mesma proporção, porque se você jogar futebol sem confiança, é muito difícil de conseguir o resultado”, lamentou o técnico Allan Aal após o revés. 

Dos últimos cinco gols do Botafogo, apenas um foi marcado por um atacante. Principal jogador do setor ofensivo nas últimas rodadas, o ponta Jefferson Nem garantiu o empate com o Operário em 1 a 1, há duas rodadas. Ele tem três participações diretas em tentos (dois gols e uma assistência) nos últimos sete jogos. Os outros homens de frente, porém, não têm acompanhado o ritmo. 

“Eu acho que o time vem numa crescente, por mais que as coisas não venham dando certo em alguns momentos e em alguns jogos. Mas falta o que eu falei: um pouco mais de concentração e de foco na parte ofensiva. É mais o mental mesmo, por conta da nossa situação. Que a gente sempre esteja focado em fazer o gol. A gente ali na frente gosta de fazer gol, mas parece que tem vezes que a bola não quer entrar. No meu caso, busco sempre ficar focado e esperto para, quando surgir uma oportunidade, poder fazer o gol”, comentou Nem. 

Cenário preocupante 

Embora o jogador observe uma evolução dentro de campo por parte do conjunto ribeirão-pretano, os pontos não têm vindo na quantidade necessária. Com 29 pontos, o Botafogo está na zona de rebaixamento. O aproveitamento de 34,5% é superior ao da última queda do clube, na temporada de 2020, quando o Pantera somou 34 pontos e caiu para a Série C com 29,8% dos pontos conquistados. 

O problema é que o aproveitamento atual é quase queda na certa. Se mantiver aproximadamente essa marca até a última rodada, o Tricolor vai encerrar a campanha com 39 pontos somados (34,2%). De acordo com o Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a chance de um time cair neste ano com essa pontuação é de 99,65%. 

Nas últimas cinco rodadas, ganhou apenas uma vez, empatou outra e perdeu três. A situação é difícil e o grupo apresenta dificuldades para lidar com a pressão, mas Aal tem a receita para a reação. 

“É um cenário que depende só de nós o final, o desfecho. Está totalmente a nosso alcance. Já tivemos situações piores, de estar a sete, cinco pontos para sair da zona de rebaixamento. (…) Um confronto direto, muito importante e dentro da nossa casa. A gente precisa mostrar que tem essa condição, principalmente dentro de casa, de vencer a partida e de ter uma questão mental mais forte, porque a cobrança existe no futebol e o momento de pontuação não é bom. A gente tem de entender tudo isso e transformar em motivação, e não o contrário: baixar a cabeça, deixar de trabalhar ou, principalmente, deixar de confiar no elenco que nós temos e no trabalho diário que nós temos.” 

O treinador mencionou que esse será um confronto direto. Isso porque a Ferroviária também não faz boa campanha, embora esteja fora do Z-4, com 33 pontos. Recém-promovida, a Locomotiva tenta evitar o retorno para a Série C e conta com novo técnico para isso. 

Após a demissão de Vinícius Bergantin, a diretoria grená trouxe um velho conhecido do Botafogo: Claudinei Oliveira, que comandou a equipe em 2020. Com o novo comandante, o conjunto de Araraquara empatou com o Goiás por 1 a 1. Antes, acumulou dois empates e duas derrotas. 

O histórico do clássico Bota-Ferro favorece o lado visitante da noite deste domingo. A Ferroviária venceu 53 vezes, perdeu 38 e empatou 38 dos 129 encontros. No primeiro turno, o empate em 1 a 1 estampou o placar da Fonte Luminosa. 

Desfalques e retornos 

Depois de jogar na quarta-feira, o Bota teve pouco tempo para se preparar para o dérbi. Aal, então, precisou manter o foco em recuperar os titulares que têm à disposição, sobretudo em período de cada vez mais jogadores no departamento médico. 

“Esperamos ter o retorno de atletas importantes para que a gente possa colocar dentro de campo aqueles que estiverem totalmente recuperados. Contra a Ferroviária será um jogo de muita disputa, muito duelo físico e individual, e a gente precisa estar muito consciente disso para buscar o resultado positivo que pode nos dar, de imediato, uma saída da zona de rebaixamento”, comentou o técnico. 

Uma importante novidade pode surgir na zaga. Edson, expulso, desfalca o Tricolor, o que pode abrir espaço para a volta de Ericson. Pilar da defesa e líder do elenco, o defensor se contundiu no início de agosto e foi ao banco de reservas nos últimos dois jogos, mas não entrou. 

Rafael Milhorim também é opção para o setor, que sofreu com a baixa de Carlos Eduardo na última rodada com um problema no joelho – ele será desfalque novamente. O lateral-esquerdo Gabriel Risso e o volante Wesley Dias cumpriram suspensão e estão à disposição. Desfalque no meio de semana, Ronie Carrillo é dúvida. 

Assim, uma provável escalação tem: Victor Souza; Wallison (Jeferson), Ericson (Rafael Milhorim), Vilar e Gabriel Risso; Gabriel Bispo, Matheus Barbosa (Marquinho) e Leandro Maciel; Jefferson Nem, Gabriel Barros e Guilherme Queiroz (Ronie Carrillo). 

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