Deputado federal relembra trajetória iniciada aos 20 anos, destaca a presidência do MDB e a atuação em pautas decisivas, como a Reforma Tributária e a viabilização de recursos federais para obras estruturantes em Ribeirão Preto.
O deputado federal por Ribeirão Preto, Luiz Felipe Baleia Tenuto Rossi (MDB), mais conhecido como Baleia Rossi, construiu uma trajetória política considerada invejável, iniciada aos 20 anos de idade em 1992, quando foi eleito pela primeira vez vereador em Ribeirão Preto. Desde então não parou mais.
Foi reeleito vereador mais duas vezes, eleito três vezes deputado estadual e outras três para a Câmara dos Deputados. Desde 2019, preside o MDB, uma das mais tradicionais legendas políticas do país.

Em entrevista ao Tribuna Ribeirão, Baleia Rossi relembrou sua trajetória política e falou sobre o seu trabalho político, como a luta para a viabilização da Reforma Tributária Brasileira e o trabalho, junto com o prefeito Ricardo Silva (PSD), para a liberação de recursos federais de R$ 1,1 bilhão para a construção da mais importante obra viária da cidade: a Via Leste e Oeste.
Tribuna Ribeirão – O senhor começou sua carreira política aos 20 anos de idade como vereador em Ribeirão Preto. Já foi eleito três vezes deputado estadual e hoje é deputado federal pela terceira vez, além de presidente nacional do MDB. Como avalia essa trajetória política?
Baleia Rossi – Desde criança sempre acompanhei meu pai, percorrendo as cidades da nossa região. Percebi desde cedo o quanto é importante termos políticas públicas que contribuam com o desenvolvimento dos municípios e ajudem de verdade as pessoas que mais precisam.
Comecei minha vida pública em Ribeirão Preto porque é a cidade onde cresci, constituí minha família e moro até hoje. Aprendi muito nos dez anos em que fui vereador, o que me fez ter a confiança da população para ser deputado estadual e hoje deputado federal. Após 33 anos de mandato, sinto que ainda posso contribuir para que tenhamos um País mais justo e com vida mais digna para todas as famílias.
Tribuna Ribeirão – O senhor já teve a pretensão de ser prefeito de Ribeirão Preto em 2004 quando se candidatou, mas não se elegeu. Esse sonho ainda persiste?
Baleia Rossi – Naquele momento, o saudoso Welson Gasparini foi eleito em um segundo turno muito disputado. Éramos dois apaixonados pela nossa cidade e que queriam o melhor para ela. Hoje, a história comprova isso. E esse meu sonho de sempre conseguir ajudar Ribeirão Preto continua.
Mas, nesse momento, entendo que como deputado federal posso ajudar mais a nossa cidade. Nos últimos anos foram mais de R$ 160 milhões em emendas parlamentares para todos os hospitais, entidades filantrópicas e projetos sociais. Além de veículos para assistência social, ambulâncias, SAMU, obras em todos os setores, como na Saúde, Esporte, Infraestrutura e Turismo. Também articulei programas no governo estadual e federal que trouxeram recursos para Ribeirão. A exemplo, temos mais recentemente a conquista de R$ 1,1 bilhão para implantação da Via Leste-Oeste.
Tribuna Ribeirão – Sua carreira política também é marcada pelo trabalho pela região e em defesa dos municípios. Como avalia a PEC dos municípios?
Baleia Rossi – A PEC dos Municípios tem um significado muito especial para mim, porque fui o relator dessa proposta construída a muitas mãos, ouvindo prefeitos, gestores e quem vive a realidade das cidades. Ela nasceu do diálogo e da necessidade real dos municípios, que estavam sufocados por dívidas e sem espaço para cuidar das pessoas.
Tive a responsabilidade de buscar equilíbrio. Quando uma prefeitura fica sufocada por dívidas, quem paga a conta é o cidadão, com posto de saúde sem recurso, escola sem investimento e obras paradas. A PEC organiza essas dívidas, dá fôlego às cidades e permite que o dinheiro volte a ser aplicado em saúde, educação, infraestrutura e assistência social. Fortalecer os municípios é garantir atendimento melhor, serviços funcionando e mais qualidade de vida. Essa emenda é sobre responsabilidade fiscal, mas, acima de tudo, é sobre gente, sobre quem depende do poder público no dia a dia.
Tribuna Ribeirão – Uma das marcas de seus mandatos tem sido a ajuda a entidades assistenciais e aos hospitais públicos da região, por meio de emendas e propostas legislativas. Tem noção de quantas entidades e cidades foram beneficiadas ao longo de seus mandatos estaduais e federais?
Baleia Rossi – Graças a Deus, é até difícil de contabilizar. Mas conseguimos ajudar todas as cidades do Estado de São Paulo, seja através de emendas parlamentares de minha autoria, projetos de lei, PECs ou parcerias com os governos estadual e federal. Meu foco sempre foi poder ajudar as Santas Casas, hospitais filantrópicos e instituições sociais.
Só na macrorregião de Ribeirão Preto, são 69 municípios atendidos, com mais de 100 hospitais e cerca de 200 entidades. Entre eles, estão o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, o Hospital de Amor de Barretos, o Hospital Dona Balbina de Porto Ferreira e os hospitais estaduais de Ribeirão Preto, Serrana, Santa Rita do Passa Quatro. É um trabalho diário que fazemos em São Paulo com o governador Tarcísio de Freitas, e nosso deputado estadual Léo Oliveira, e em Brasília, no governo federal.
Tribuna Ribeirão – Ribeirão Preto acaba de assinar uma linha de crédito de R$ 1,1 bilhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a viabilização da Via Leste, algo almejado pela cidade desde a década de 1960. Trabalhar politicamente junto com o prefeito para a conquista dessa linha de crédito foi algo complexo?
Baleia Rossi – Esse é o maior investimento que Ribeirão Preto já recebeu na história. Fico muito feliz em ter conseguido concretizar a articulação que viabilizou essa grande conquista através do Ministério das Cidades, com o ministro Jader Filho, que é do meu partido. Essa é uma obra que vai revolucionar a mobilidade urbana nas regiões leste, oeste e norte, mudando para melhor a vida de 340 mil pessoas de forma direta. Além das vias e intervenções, o projeto inclui o Parque Linear Ulysses Guimarães, com áreas de convivência, uma grande ciclovia e pista de caminhada, com linha verde urbana.
Também garantimos 200 moradias do “Minha Casa, Minha Vida” para realocação com dignidade de famílias em área de ocupação. Garantir um aporte deste tamanho não é fácil. Foi preciso uma união de pessoas capacitadas para virar realidade. Exige projeto bem estruturado, alinhamento técnico, muita conversa e união política para fazer o processo andar, do início ao fim, com responsabilidade e transparência. Nada disso seria possível sem a colaboração do prefeito Ricardo Silva, do vice-prefeito Alessandro Maraca, com toda a equipe técnica, e apoio do deputado estadual Léo Oliveira.
Tribuna Ribeirão – Outra conquista da cidade foi a construção da nova Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas que já está sendo executada. Afirma-se nos meios políticos que o senhor foi um dos entusiastas e defensores deste projeto.
Baleia Rossi – Defendo investimentos estruturantes, que desafogam o sistema, reduzem filas e garantem atendimento mais rápido e digno para quem precisa. Essa é uma obra muito importante para Ribeirão Preto e para toda a região, porque amplia a capacidade de atendimento de urgência e emergência. Quando uma obra como essa sai do papel, quem ganha é o cidadão, especialmente quem depende do SUS. Apoiar a saúde é isso: trabalhar para que projetos importantes avancem. O foco precisa ser sempre a vida das pessoas. Essa é uma conquista que tem o trabalho do prefeito Ricardo Silva, que destinou R$ 30 milhões em emenda parlamentar quando era deputado, e o restante do recurso veio através de articulação da nossa região junto ao governador Tarcísio de Freitas.
Tribuna Ribeirão – O senhor é o autor da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Reforma Tributária. Em sua avaliação, o que essa legislação e a unificação de tributos representarão no dia a dia dos empresários, dos pequenos empreendedores e da população?
Baleia Rossi – A Reforma Tributária foi pensada para simplificar a vida de quem produz, trabalha e consome no Brasil. Antes, empresários e pequenos empreendedores perdiam tempo e dinheiro tentando entender um sistema confuso, cheio de regras diferentes. A unificação de tributos traz clareza, previsibilidade e segurança, permitindo que o empresário foque no que realmente importa: gerar emprego, investir e crescer.
Para as pequenas empresas, isso significa menos burocracia e mais justiça. Quem é menor deixa de ser penalizado por um sistema complexo que favorecia poucos. Para a população, o impacto aparece no bolso. Com impostos mais transparentes e cobrados no destino, produtos e serviços essenciais tendem a ficar mais baratos, especialmente para quem tem menos renda. Essa reforma não é só sobre impostos. É sobre tornar o Brasil mais simples, mais justo e mais competitivo, criando um ambiente que gere oportunidades e melhore a vida das pessoas no dia a dia.
Tribuna Ribeirão – Os pequenos municípios – aqueles que têm sua economia muito centralizada em uma ou mais empresas – vão perder arrecadação, porque o imposto não será mais devido na fonte. Isso não é um problema?
Baleia Rossi – Não, isso não é verdade. Nenhuma cidade vai perder arrecadação. Algumas vão ganhar mais e outras menos, mas todas terão ganhos após a transição. Essa é uma preocupação que aparece com frequência, mas não é verídica. A mudança para a cobrança no destino foi pensada justamente para corrigir distorções históricas, não para prejudicar os municípios. A reforma prevê um longo período de transição, com regras claras, fundos de compensação e critérios que garantem estabilidade da arrecadação. Além disso, o sistema atual concentra arrecadação e penaliza muitos municípios que consomem, mas não produzem.
Com um modelo mais simples, transparente e que estimula o crescimento econômico, a base de arrecadação tende a se ampliar, beneficiando também os municípios menores. A reforma não enfraquece as cidades. Ao contrário, fortalece o pacto federativo e cria condições mais justas para que todos continuem prestando bons serviços à população.
Tribuna Ribeirão – Como é comandar o MDB nacional, um dos mais tradicionais partidos do país que elegeu, em 2022, 42 deputados federais e três governadores?
Baleia Rossi – Tenho muita honra em estar presidente do MDB. É o maior partido do Brasil e o mais democrático. Estamos em um crescente graças à confiança da população. Hoje, somos o partido que mais governa pessoas, são mais de 37,4 milhões em todo o país. Pela primeira vez na história, vencemos uma eleição para prefeito na capital paulista, com Ricardo Nunes. Estamos conseguindo fazer a diferença, dando voz a quem precisa ser ouvido. Somos o partido que em 2024 elegeu mais mulheres e pretos e pardos. Sigo com muito diálogo, responsabilidade e transparência para que continuemos crescendo.
Tribuna Ribeirão – Nas recentes pesquisas eleitorais seu nome aparece entre os cotados a senador por São Paulo nas próximas eleições, quando o estado renovará dois dos seus três senadores. O senhor pretende se candidatar ao Senado ou vai disputar a reeleição para deputado federal?
Baleia Rossi – A prioridade é a minha pré-candidatura à reeleição para deputado federal. Seguir ajudando nossas cidades, Santas Casas e entidades filantrópicas, como venho fazendo ao longo do mandato. E também debater os grandes temas do Brasil, como a Reforma Tributária, que nós conseguimos aprovar após 35 anos. O MDB está fortalecido, com grandes nomes para 2026. Estou confiante de que elegeremos grandes bancadas no Estado de São Paulo.
Tribuna Ribeirão – Segundo pesquisas, a segurança pública deverá ser um dos temas prioritários nas próximas eleições. Qual sua avaliação sobre o projeto de lei anti-facção?
Baleia Rossi – Não podemos passar pano para bandido. A pauta da segurança pública tem que ser uma das prioridades, tanto na Câmara quanto no Senado. A população não aguenta mais conviver com tanta violência. O que vimos recentemente no Rio de Janeiro e também em São Paulo deixa claro que esse enfrentamento é urgente e necessário. O endurecimento da legislação precisa acontecer. Discutir o tema com seriedade e dar respostas concretas. Isso passa por penas mais duras para facções e debate técnico.
Não há espaço para relativizar o crime. As facções cresceram, se organizaram, ganharam recursos e hoje desafiam o Estado. Para enfrentá-las, é preciso inteligência, fortalecimento das polícias e respaldo legal para que a lei seja cumprida. Esse não é um debate ideológico. Não é de direita ou de esquerda. É uma cobrança da sociedade, especialmente de quem vive nas áreas mais vulneráveis e quer paz, segurança e um futuro melhor para suas famílias.
Tribuna Ribeirão – O senhor votou favoravelmente ao projeto de lei da Dosimetria, obviamente, por acreditar que a pena imposta pelo STF aos condenados pelos atos golpistas contra a Democracia tenha sido exagerada? Isso não é uma brecha para impunidades em atos contra a democracia e também alento para penas menores para crimes tão graves?
Baleia Rossi – A minha posição sobre a dosimetria é muito clara e nasce de um princípio simples: justiça se faz com equilíbrio. Não é aliviar para ninguém, mas também não é tratar situações completamente diferentes como se fossem iguais. Nas minhas redes sociais, usei o exemplo do futebol justamente por isso. Em qualquer campeonato, o tribunal analisa caso a caso.
Quem só empurrou na saída do vestiário não pode receber a mesma punição de quem tentou agredir o árbitro ou acabar com o campeonato. Se a regra não diferencia, ela deixa de ser justa. No debate da dosimetria, o que defendo é exatamente isso: cada pessoa deve responder na medida exata do que fez.
Tem gente que cometeu atos graves e precisa ser punida com rigor. Mas também há pessoas envolvidas em situações menores, que não podem pagar como se tivessem cometido os piores crimes possíveis. Sem privilégios para políticos, mas também sem exageros para as outras pessoas. Justiça só funciona quando as regras são claras, proporcionais e valem para todos.

