Dos 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRS) de São Paulo, onze foram classificados como prioritários para ações de prevenção e resposta às arboviroses diante dos possíveis impactos do El Niño. O mapeamento integra o Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde, elaborado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) para antecipar riscos, orientar os municípios e preparar a rede assistencial.
As regiões prioritárias são Ribeirão Preto, Araraquara, Barretos, Franca, Araçatuba, Bauru, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, São João da Boa Vista e São José do Rio Preto. Nesses territórios, a avaliação considera a possibilidade de aumento da proliferação do mosquito Aedes aegypti e da transmissão de dengue, chikungunya e zika.
Também haverá maior procura pelos serviços de saúde e crescimento das internações e mortes por formas graves das doenças. A alternância entre eríodos de calor e chuva pode favorecer a proliferação do Aedes aegypti e a transmissão das arboviroses.
“O estado está se antecipando a esse cenário, com o reforço da vigilância e a preparação dos serviços de saúde, mas a participação da população também é decisiva. Fazer uma vistoria semanal e eliminar recipientes com água parada são medidas simples e eficazes”, afirma Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP.
Segundo o boletim mais recente de monitoramento do El Niño, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em parceria com outros órgãos, há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro.
Para o período, são previstas temperaturas acima da média em praticamente todo o país e chuvas acima da média em parte do estado de São Paulo. O 13º Departamento Regional de Saúde (DRS-XIII) tem sede em Ribeirão Preto e atende mais 25 cidades
No ano passado, Ribeirão Preto registrou 21.594 casos de dengue – além de 39.734 sob investigação –, contra 44.630 de 2024, queda de 51,62% e 23.036 ocorrências a menos. Os dados com informações consolidadas foram divulgados nesta quarta-feira, 2 de setembro.
A Secretaria da Municipal Saúde recebeu 7.575 notificações sobre pacientes com a doença em 2026. Segundo o Painel de Arboviroses, 378 casos foram confirmados, seis a mais que os 372 da semana anterior. Entre janeiro e junho deste ano, equipes da pasta vistoriaram 313.760 imóveis e eliminaram 14.468 focos do mosquito, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Em 2026, são 54 na região Central, 84 na Zona Leste, 87 na Norte, 70 na Sul e 81 na Oeste, além de dois sem identificação de distrito. O total de ocorrências 2026 é 98,24% inferior aos 21.439 do mesmo período do ano passado, 21.061 a menos. Nenhum óbito foi registrado até agora, contra onze do mesmo período de 2025.
O Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño foi estruturado para apoiar as regiões de saúde e os municípios diante de quatro cenários: chuvas extremas; enchentes e deslizamentos; ondas de calor e queimadas; e arboviroses.
Para o enfrentamento das arboviroses, o planejamento prevê o fortalecimento da vigilância epidemiológica, o acompanhamento dos indicadores, o controle do vetor e a organização da rede para uma eventual elevação da demanda. As medidas devem ser adotadas de acordo com o nível de risco identificado em cada território.
Apesar do alerta para os próximos meses, o cenário epidemiológico atual apresenta melhora expressiva. Até a 35ª semana epidemiológica de 2026, São Paulo registrou 58.271 casos de dengue, ante 855.132 no mesmo período de 2025 – quase 797 mil casos a menos, queda de 93,2%.

