Por: Adalberto Luque
Dois ex-policiais civis são investigados por suspeita de participação em um roubo de R$ 30 mil registrado há cerca de um mês em Ribeirão Preto.
Segundo o delegado André Baldochi, da Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DIG/DISE), os empresários foram atraídos para uma negociação ilegal.
De acordo com a Polícia Civil, os dois empresários foram atraídos para uma área de lazer na Ribeirânia, zona Leste da cidade, sob a justificativa de negociar a venda de celulares. A versão ainda é apurada.
Durante o encontro, dois homens vestidos como policiais entraram no local e renderam as vítimas. Imagens de câmeras de segurança registraram a ação. Um dos que se passou por policial civil foi o carcereiro aposentado Jair Jorge Cano, que chegou a algemar Guilherme Zapparoli Manieri, responsável por negociar com os empresários.
Os falsos policiais, supostamente simularam a operação. Segundo os relatos, os supostos policiais civis “apreenderam” os R$ 30 mil dos empresários e levaram Manieri supostamente preso, deixando os empresários algemados, apostando que eles não denunciariam o golpe porque também estariam negociando um produto supostamente ilegal. O golpe só foi descoberto porque um vizinho chamou a Polícia Militar para liberar os empresários.]

As investigações apontam que ao menos oito pessoas podem estar envolvidas, sendo cinco já identificadas. Cano, carcereiro aposentado, foi preso no dia 13 de março em Jaboticabal, região metropolitana de Ribeirão Preto. Com ele os investigadores encontraram uma camiseta da Polícia Civil e chaves de algemas.
Na mesma data, Manieri foi detido em Ribeirão Preto. Ele foi o responsável pela suposta negociação com os empresários da Capital e de Fortaleza (CE). Além deles, são considerados foragidos Gilmar Peixoto Alencar e Marcelo José Ferezin, além do ex-investigador José Claudino da Rocha Neto, que foi exonerado por crimes contra a administração pública. Outros dois homens ainda não foram identificados.
Na casa de Manieri, os agentes encontraram dólares e dinheiro em espécie. Segundo Baldochi, Jair Jorge Cano afirmou ter sido contratado para participar da ação. No dia do crime, ele teve creditado em sua conta corrente R$ 9 mil, mas não teria confirmado que esse seria seu pagamento, apesar de admitir ter participado do golpe.

A Polícia Civil segue com as apurações para esclarecer a dinâmica dos fatos e a possível tipificação dos crimes. O delegado explicou que as vítimas foram atraídas por algum motivo que, a princípio, seria a compra e venda de iPhones, quando os falsos policiais entraram para supostamente combater o crime de receptação.
“Na fase como está, o delito é tratado como um delito de roubo, um roubo majorado pelo concurso de pessoas, enfim, mas pode, sim, vir a transformar em outro crime, uma lavagem de dinheiro de fundo, tendo em vista a grande quantidade de dólar e real apreendido, uma organização criminosa, eventual estelionato ou roubo”, explicou o delegado. A reportagem não conseguiu contato com nenhum dos advogados dos envolvidos, mas permanece à disposição caso queiram se manifestar.

