
Medicamentos adulterados foram apreendidos em operação conjunta das autoridades paulistas. (Foto: Divulgação / Polícia Civil)
Mesmo após ser interditada judicialmente no final de 2024, uma distribuidora de medicamentos sediada em Araraquara continuou comercializando fármacos oncológicos falsificados e de origem ilícita para unidades de saúde. A constatação foi revelada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Ribeirão Preto durante o desdobramento da Operação Laziosi, deflagrada nesta quinta-feira em conjunto com a Polícia Civil.
As investigações apontam que a empresa investigada burlou as restrições sanitárias e manteve a oferta de imunoterápicos sem qualquer princípio ativo. De acordo com o Ministério Público, ao menos nove ampolas adulteradas de nivolumabe foram negociadas recentemente. Um paciente oncológico chegou a receber a substância ineficaz, enquanto outros frascos foram recolhidos pela própria empresa e substituídos por lotes que haviam sido roubados durante um transporte de carga em Minas Gerais.
Relatórios da Vigilância Sanitária confirmaram que a distribuidora continuava funcionando a portas fechadas e criava obstáculos para inspeções oficiais. Além disso, análises periciais confirmaram que os produtos vendidos continham apenas soluções com cloro e sódio, sem qualquer componente farmacológico terapêutico, colocando diretamente em risco a vida de pacientes com câncer atendidos em ao menos sete estados.
A nova etapa da ofensiva cumpriu mandados de prisão preventiva e dezenas de buscas em municípios do interior e na capital paulista, incluindo Araraquara e Matão. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 15 milhões em bens ligados aos investigados e ordenou a suspensão imediata das atividades de sete companhias suspeitas de integrar o esquema criminoso.

