Projeto também apresentou previsões de R$ 1.812 para o salário mínimo em 2028, de R$ 1.913 para 2029 e de R$ 2.020 para 2030
O governo federal propôs um salário mínimo de R$ 1.717 para o ano que vem, com aumento nominal de 5,92% e aporte de R$ 96. O valor consta do Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado ao Congresso Nacional nesta quarta-feira, 15 de abril.
O reajuste segue a projeção de 3,06% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) para os doze meses terminados em novembro mais o crescimento da economia em 2025, limitado ao crescimento de gastos de 2,5% acima da inflação, determinado pelo arcabouço fiscal. A estimativa para o INPC também consta do PLDO.
O projeto também apresentou previsões de R$ 1.812 para o salário mínimo em 2028, de R$ 1.913 para 2029 e de R$ 2.020 para 2030. As projeções são preliminares e serão revistas no PLDO dos próximos anos. Em 2023, o salário mínimo voltou a ser corrigido pelo INPC do ano anterior mais o crescimento do PIB, soma das riquezas produzidas pelo país, de dois anos antes.
Essa fórmula vigorou de 2006 a 2019. Por essa regra, o salário mínimo aumentaria 2,3% acima do INPC. O pacote de corte de gastos aprovado no fim de 2024, no entanto, limitou o crescimento. Isso porque o salário mínimo entrou nos limites do arcabouço fiscal, que prevê crescimento real (acima da inflação) dos gastos entre 0,6% e 2,5%.
Como o crescimento de 2,3% no PIB está abaixo do teto de 2,5%, a expansão da economia em 2025 poderá ser aplicada. No início do ano, o piso saltou de R$ 1,518 para R$ 1.621, reajuste de 6,79%, equivalente a R$ 103
Em março, o salário mínimo ideal necessário para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele deveria ser de R$ 7.425,99, ou 4,58 vezes o valor do novo piso nacional, de R$ 1.621. São R$ 5.804,99 a mais, variação de 358,11%. Também está acima dos R$ 7.164,94 (4,42 vezes) estimados para fevereiro, alta de 3,64% e acréscimo de R$ 261,05.
Em relação a março de 2025, quando o ideal seria de R$ 7.398,94 (4,87 o piso da época, de R$ 1.518), são R$ 27,05 a mais, variação de 0,37%. Os dados têm por base o preço da cesta básica de São Paulo (SP), de R$ 883,94 em março.
Era a cesta mais cara observada pela pesquisa mensal do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, que envolve 27 capitais de Estados brasileiros. O valor estimado pelo Dieese bancaria as despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Além do valor mensal de R$ 1.621, o diário passou para R$ 54,04, e hora trabalhada subiu a R$ 7,37. A inflação pelo INPC corresponde a 4,18%, somada ao crescimento real do PIB, de 3,4%, e adicional de 3,4% limitado a 2,5% pelo arcabouço fiscal, totalizando 6,79%.
Impactos – Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o novo salário mínimo impacta 61,9 milhões de brasileiros. O aumento deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia em 2026. O reajuste tem efeitos amplos tanto sobre a renda das famílias quanto sobre as contas públicas.
O governo estima impacto combinado de R$ 110 bilhões na economia, ao considerar o reajuste e a isenção do IR. No entanto, haverá custo adicional para a Previdência Social estimado em R$ 39,1 bilhões.
Além de afetar diretamente trabalhadores que recebem o piso nacional, o novo valor serve como referência para uma série de benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas, como aposentadorias do INSS, pensões, seguro-desemprego e salário-família.
Aposentados que recebem até um salário mínimo tiveram reajuste de 6,79%. Acima do piso, o aumento floi de 3,90% (segundo o INPC de 2025). O teto do INSS passou para R$ 8.475,55. O seguro-desemprego também subiu 3,90%, com vigência desde 11 de janeiro. O salário-família agora é de R$ 67,54 por dependente, pago a quem recebe até R$ 1.980,38 mensais.

