O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo/USP realizou, nos últimos cinco anos, 1.139 transplantes de órgãos e tecidos, média de uma cirurgia a cada 36 horas. Os procedimentos incluem transplantes de córnea, fígado, rim, medula óssea, pele e rim/pâncreas.
Os números mostram crescimento gradual dos procedimentos no hospital. Em 2021 foram realizados 207 transplantes. Em 2022, o total foi de 193. Já em 2023 foram 214 cirurgias, número que subiu para 228 em 2024 e chegou a 297 em 2025.
O avanço acompanha o cenário nacional. O Brasil registrou 31 mil transplantes em 2025, recorde histórico no país. O número representa crescimento de 21% em relação a 2022, quando foram realizados 25,6 mil procedimentos.
Segundo o Ministério da Saúde, o resultado reflete avanços na logística, organização do sistema e fortalecimento da rede de transplantes em todo o país.
A consolidação da distribuição interestadual, coordenada pela Central Nacional de Transplantes, também tem sido apontada como decisiva para o crescimento dos procedimentos. Em 2025, o sistema viabilizou 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro de pâncreas.
No início de maio, o Hospital das Clínicas comemorou os 25 anos do primeiro transplante de fígado realizado na instituição. O procedimento ocorreu em 2001 e foi conduzido pelo professor e cirurgião hepatologista Orlando Castro e Silva Júnior.
O paciente foi o representante comercial Edélcio Alves Pinto, de 48 anos, que aguardava um fígado devido a complicações provocadas pela hepatite B. A doadora era uma mulher de 42 anos, vítima de acidente vascular cerebral (AVC).
Apesar dos avanços, o Ministério da Saúde afirma que a recusa familiar ainda representa um dos principais desafios para ampliar o número de transplantes no país. Atualmente, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação de órgãos.
Segundo especialistas, conversar sobre o tema com os familiares pode facilitar a decisão em um momento de forte impacto emocional e contribuir para salvar vidas.
Número de doadores de órgãos tem alta de 33,2% em São Paulo
O Estado de São Paulo registrou aumento de 33,2% no número de doadores de órgãos em 2025. O total passou de 1.023, em 2024, para 1.363 neste ano, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
No mesmo período, a recusa familiar teve queda de 1,3 ponto percentual, resultado que contribuiu para ampliar o número de transplantes realizados no estado. Em números absolutos, 2025 atingiu 8.875 transplantes, o que representou 564 procedimentos a mais em relação a 2024, quando o Estado registrou 8.311.

São Paulo concentra a maior rede transplantadora do país e lidera a realização de transplantes no Brasil. No último ano, a Central Estadual de Transplantes registrou 5.886 transplantes de córnea, 2.031 de rim, 685 de fígado, 148 de coração, 68 de rim e pâncreas, 48 de pulmão e 15 de pâncreas.
“O aumento no número de doadores é resultado de um trabalho contínuo de capacitação e sensibilização dos profissionais de saúde em todo o estado, aliado à maior conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos, contribuindo para que mais vidas sejam salvas”, afirma o coordenador da Central de Transplantes, Francisco de Assis Monteiro.
Hoje, 28.852 pacientes aguardam por um transplante em São Paulo. Para facilitar o acesso às informações, a SES-SP disponibiliza no aplicativo Poupatempo, por meio do programa Saúde Digital Paulista, uma ferramenta que permite ao paciente acompanhar o andamento do cadastro e sua posição na fila de transplantes.
A SES-SP também ampliou em 80% os valores pagos pela Tabela SUS Paulista para sete procedimentos relacionados à captação de órgãos para transplantes. O modelo garante repasses maiores para hospitais e instituições filantrópicas, que podem receber até cinco vezes o valor previsto na tabela federal por procedimento.
O Governo de São Paulo mantém campanhas de conscientização em diferentes canais para sensibilizar a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. A autorização familiar é essencial para que a doação seja efetivada.
Entre as iniciativas da gestão está o TransplantAR Aviação Solidária, programa lançado em setembro de 2024 para acelerar o transporte de equipes médicas e de órgãos destinados a transplantes.
Pela iniciativa, proprietários de aeronaves privadas podem doar horas de voo para apoiar a logística de captação e transporte de órgãos em todo o país. Desde a criação, o programa realizou 106 voos e contribuiu para a captação de 99 órgãos.
O TransplantAR não gera custos aos cofres públicos. A seleção dos proprietários de aeronaves interessados em participar da iniciativa é feita pelo Instituto Brasileiro de Aviação (IBA).
Helicópteros, turboélices e jatos particulares autorizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) podem ser utilizados de forma voluntária. A agilidade no transporte é decisiva para órgãos como coração e pulmão, que precisam ser transplantados em até quatro horas após a captação, e fígado, cujo prazo é de até 12 horas.
Transplantes no Hospital das Clínicas de Ribeirão
2021
Córnea – 94
Fígado –37
Fígado/Rim -01
Medula –35
Rim/Pancreas- 0
Rim – 31
Pele- 9
Total – 207
2022
Córnea – 90
Fígado – 30
Fígado/Rim – 0
Medula – 30
Rim/Pancreas – 0
Rim -37
Pele – 6
Total – 193
2023
Córnea – 118
Fígado –38
Fígado/Rim -2
Medula – 31
Rim/Pâncreas – 0
Rim – 25
Pele -0
Total – 214
2024
Córnea – 116
Fígado – 44
Fígado/Rim -0
Medula – 31
Rim/Pancreas – 0
Rim – 36
Pele – 1
Total – 228
2025
Córnea – 154
Fígado – 44
Fígado/Rim – 0
Medula – 53
Rim/Pancreas – 2
Rim- 44
Pele – 0
Total – 297

