| Por: Adalberto Luque |
Um homem de 33 anos foi preso na manhã desta quinta-feira (29), por crimes relacionados ao armazenamento de material de abuso sexual infantojuvenil, falsa identidade e extorsão de adolescentes. A prisão ocorreu em Patrocínio Paulista, na região de Franca, durante a 12ª fase da Operação Hórus, de enfrentamento ao abuso sexual de menores. A ação foi realizada pela Delegacia de Polícia Federal (PF) em Ribeirão Preto, após trabalho investigativo.
Segundo a Polícia Federal, a investigação começou após provedores de internet encaminharem informações às autoridades por meio de cooperação internacional. Os levantamentos apontaram que, desde 2024, o suspeito criava perfis falsos em redes sociais, nos quais se passava por uma mulher para abordar adolescentes do sexo masculino e obter imagens e vídeos íntimos.
Depois de conseguir o material, ele ameaçava divulgar o conteúdo a familiares e outras pessoas caso as vítimas não enviassem novos arquivos. A prática é conhecida como sextorsão, modalidade de extorsão em que o criminoso utiliza ameaças de exposição de conteúdo sexual para constranger a vítima.
Busca e apreensão
Além da prisão preventiva, a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência do investigado, em Patrocínio Paulista. Equipamentos eletrônicos foram apreendidos e serão submetidos à perícia para auxiliar nas investigações.
A Justiça Federal em Franca expediu as ordens judiciais. Após a prisão, o homem foi levado à Delegacia da PF em Ribeirão Preto.
De acordo com a PF, ferramentas tecnológicas e diferentes meios de obtenção de provas permitiram rastrear a atividade do investigado na internet e identificar adolescentes que teriam sido vítimas das ameaças.
Penas previstas
O compartilhamento desse tipo de material prevê pena de reclusão de três a seis anos, enquanto o armazenamento pode resultar em reclusão de um a quatro anos. A extorsão tem pena de quatro a dez anos de reclusão, além de multa. Já a falsa identidade prevê detenção de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constituir elemento de crime mais grave.
As penas podem ser somadas conforme o número e a natureza dos crimes reconhecidos no processo, observadas as regras legais aplicáveis.
O homem foi encaminhado a uma unidade prisional, onde permanece à disposição da Justiça Federal. Ele deverá responder pelas suspeitas de armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantojuvenil, extorsão de adolescentes mediante ameaça de divulgação de conteúdo sexual e falsa identidade.
Orientação às famílias
A Polícia Federal orienta adolescentes vítimas de sextorsão a não ceder às exigências dos criminosos e a preservar provas, como mensagens, conversas e nomes de perfis. A recomendação é procurar a polícia ou fazer uma denúncia pelo Disque 100. A corporação ressalta que as vítimas não têm culpa pelas ameaças sofridas.
A PF também orienta pais e responsáveis a conversar com os jovens sobre os riscos nas redes sociais, desconfiar de perfis desconhecidos que peçam imagens íntimas e acompanhar as atividades on-line. Mudanças repentinas de comportamento e o segredo excessivo em relação ao uso do celular ou computador também podem indicar situações que exigem atenção.
As investigações no caso do homem preso em Patrocínio Paulista prosseguem.

