Tribuna Ribeirão
Economia

Inflação fecha junho em 0,41%

Alimentação no domicílio subiu 0,87% devido às altas da batata-inglesa (29,42%), do tomate (17,27%), do feijão-carioca (14,29%) e da cebola (9,54%)

IPCA-15 acumula aumento de 4,80% em doze meses e 3,45% no primeiro semestre; inflação mensal para junho é a mais alta desde 2022

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 – prévia da inflação oficial no país – desacelerou de 0,62% em maio para 0,41% em junho, 0,21 ponto percentual abaixo, após avançar 0,89% em abril, 0,44% em março, 0,84% em fevereiro e 0,20% em janeiro. Está 0,15 p.p. acima do 0,26% do quinto mês do ano passado.

Já são dez meses seguidos de inflação no país. Fechou junho de 2024 e 0,39% e em 2023 foi de apenas 0,04%. A taxa para o mês é a mais alta desde o 0,69% de 2022, ou seja, 0,28 p.p. a menos em 2026, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, dia 25.

Com o resultado, a taxa em doze meses saltou de 4,64% até maio para 4,80% até junho, elevação de 0,16 ponto percentual – resultado mais alto desde o sexto mês de 2025, quando estava em 5,27%, mas 0,47 p.p. inferior. Está 0,30 p.p. acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,50%. O centro é de 3,00%. Era de 4,50% até janeiro, 4,10% até fevereiro, 3,90% até março e 4,37% até abril.

No acumulado do primeiro semestre, avança 3,45%. São 0,43 p.p. acima dos 3,02% até maio, e 0,39 ponto percentual acima dos 3,06% do mesmo período do ano passado. Era de 2,39% no primeiro quadrimestre do ano (até abril), de 1,49% até março e de 1,04% até fevereiro , segundo a divulgação do IBGE.

O IPCA-E, que se constitui no IPCA-15 acumulado trimestralmente, situou-se em 1,93%. Está 0,88 p.p. acima da taxa de 1,05% registrada em igual período de 2025. Alimentação e bebidas teve a maior variação (0,74%) e impacto (0,16 p.p.), seguido por Habitação (0,72% e 0,11 p.p.). Juntos, respondem por cerca de 66% do resultado do mês.

Grupos – Dois dos nove grupos analisados registraram queda. Transportes registrou baixa de 0,03%, após recuo de 0,33% em maio, impacto negativo de 0,01 ponto percentual para o IPCA-15. Sobe 0,98% no trimestre e 4,11% em doze meses

Educação caiu de alta 0,01% em maio para deflação de 0,02% (sem impacto). Avança 0,04 no trimestre e 6,35% em doze meses. Destaque para Alimentação e bebidas, com a maior variação, de 0,74%, ante 1,38% de maio e impacto de 0,16 ponto percentual. Acumula aumento de 3,62% no trimestre e de 4,29% em doze meses.

Habitação subiu 0,72%, após alta de 1,03% em maio (impacto de 0,11 p.p.). Avança 2,18% no trimestre e 5,88% em doze meses. Saúde e cuidados pessoais registrou inflação de 1,05% em maio e 0,47% em junho, contribuição de 0,06 p.p.. Sobe 2,47% no trimestre e 6,17% em doze meses.

Vestuário passou de 0,36% para 0,45%, impacto de 0,02 p.p. Acumula aumento de 1,58% no trimestre e de 4,35% em doze meses. Artigos de residência saltou de 0,21% para 0,36%, contribuição de 0,01 ponto. Avança 1,05% no trimestre e 0,43% em doze meses.

Comunicação recuou de 0,36% para 0,34% (impacto de 0,02 p.p.). Sobe 1,18% no trimestre e 1,95% em doze meses. O grupo Despesas pessoais caiu de 0,50% para 0,34% (contribuição de 0,04 ponto percentual), segundo o IBGE. Acumula aumento de 1,16% no trimestre e de 5,88% em doze meses.

Alimentação –
O grupo Alimentação e bebidas desacelerou na passagem de maio (1,38%) para junho (0,74%), destacando-se como grupo de maior variação e impacto (0,16 p.p.). A alimentação no domicílio saiu de 1,73% em maio para 0,87% em junho, com destaque para as altas da batata-inglesa (29,42%), do tomate (17,27%), do feijão-carioca (14,29%) e da cebola (9,54%).

Os subitens tomate, cenoura e batata-inglesa mais que dobraram de preço no 1º semestre, com acumulados de, respectivamente, 103,84%, 103,10% e 100,20%. No lado das quedas destacam-se o café moído (-3,69%) e as frutas (-0,96%).

A alimentação fora do domicílio saiu de 0,51% em maio para 0,40% em junho. A refeição (0,39%) registrou variação inferior à registrada no mês anterior (0,57%), enquanto o lanche aumentou de 0,37% para 0,45%, no mesmo período.

Habitação – O grupo Habitação desacelerou de 1,03% em maio para 0,72% em junho. Após alta de 2,16% em maio, a energia elétrica residencial subiu 2,04%, configurando-se como o principal impacto individual no resultado do mês (0,08 p.p.). Neste mês vigora a bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 quilowatts/hora (Kwh) consumidos.

Saúde – No grupo Saúde e cuidados pessoais (0,47%), subiram os preços dos artigos de higiene pessoal (1,03%), com destaque para o subitem perfume (2,22%), e o plano de saúde, cuja variação de 0,35% reflete a incorporação do reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos contratados após a lei nº 9.656/98, com percentual de 5,11%, vigente a partir de maio de 2026.

Transportes – No grupo Transportes (-0,03%), a passagem aérea passou de alta de 3,25% em maio para elevação de 7,24% em junho, impacto de 0,05 ponto percentual. O preço do carro zero quilômetro caiu 0,42% (-0,01 p.p.). os preços dos combustíveis recuaram de deflação de 1,46% para retração de 1,22% na passagem mensal.

O etanol caiu 5,30% após queda de 2,73% em maio e a gasolina baixou 0,73% após deflação de 1,32%. Foram os subitens com o maior impacto negativo no índice (-0,04 p.p. cada) O óleo diesel recuou 1,47% após redução de 2,04% no mês anterior.

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