Tribuna Ribeirão
Justiça

Juristas pedem punição ‘sem anistia’

FERNANDO FRAZÃO/AG.BR.

Autoridades, membros da sociedade civil, juristas, repre­sentantes do Ministério Públi­co e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) se reuni­ram na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francis­co, na segunda-feira, 9 de ja­neiro, e pediram punição “sem anistia” aos financiadores e participantes do ataque à Pra­ça dos Três Poderes em Brasília no domingo (8).

À noite, manifestantes pró­-democracia reuniram mul­tidões em São Paulo e Rio de Janeiro. O grupo classificou a ação como “atos terroristas contra a democracia” e “tenta­tiva de golpe de Estado”. Tam­bém pediu responsabilização civil, criminal e indenização aos cofres públicos. Os orado­res ainda exigiram que seja in­vestigada ação ou omissão de representantes do Poder Públi­co ao longo dos ataques.

O reitor da Universidade de São Paulo, o ribeirão-pre­tano Carlos Gilberto Carlotti Júnior, defendeu que “não há e nem haverá anistia” aos res­ponsáveis. “A depredação da sede dos três Poderes da nos­sa República só serviu para cobrir nossa pátria de vergo­nha”, disse.

“Estamos aqui para exi­gir sem meias palavras que os responsáveis pelos crimes de barbárie sejam todos eles, seus financiadores e seus agentes investigados, julgados e puni­dos na forma da lei”, disse. “Os atos terroristas de ontem (do­mingo), bem como sua pre­paração e financiamento não ficarão impunes.”

Carlotti Júnior disse que o mesmo grupo reunido ante­ontem, em ato convocado na véspera, também foi responsável pela leitura de uma carta em de­fesa da democracia e do sistema eleitoral em 11 de agosto do ano passado, quando, disse ele, um “golpismo já se ensaiava”.

O Comitê de Defesa da Democracia, que também es­tava no evento do ano passado, divulgou nota afirmando que “também vem praticando cri­mes contra o Estado Democrá­tico de Direito aqueles que or­ganizam, financiam ou incitam a tentativa de suprimir nossas instituições democráticas”.

Mário Sarrubbo, procu­rador-geral de Justiça de São Paulo, disse que, para o Mi­nistério Público paulista, a depredação do patrimônio público foi realizada por “orga­nizações criminosas que estão procurando subverter a ordem democrática e patrocinar um golpe de Estado”.

“Essa é a palavra da insti­tuição. Nosso compromisso é com os deveres que nos foram impostos pela Constituição Federal. Nosso compromis­so será com a punição dessa organização criminosa”, dis­se. A presidente da OAB-SP, Patrícia Vanzolini, defendeu a ação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ela pediu a desmobilização imediata de acampamentos bolsonaristas nas portas dos quartéis. “Agora não há mais como fechar os olhos para o fato de que há ali (nos acam­pamentos) uma organização terrorista voltada para atos de violência real, física. São atos preparatórios para condutas de violência.” A plateia reagiu diversas vezes às falas das au­toridades, com palmas e gritos de “não vai ter golpe”, “vai ter luta” e “sem anistia”.

Paulista
Movimentos sociais, sin­dicatos, partidos políticos e apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reali­zaram um ato pró-democracia na avenida Paulista, Centro de São Paulo. Duas faixas da via em sete quarteirões, a partir do prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foram tomadas pela multidão. Os manifestan­tes pediam punição e também que o ex-presidente Jair Bolso­naro (PL), que está nos Esta­dos Unidos, seja extraditado.

‘Colegas’
Em cumprimento à decisão do ministro do Supremo Tri­bunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, forças de segurança de São Paulo desmobilizaram os 34 acampamentos espalha­dos pela capital e pelo interior do Estado. Os atos, de acordo com a Secretaria de Seguran­ça Pública, agora sob gestão do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), acon­teceram sem prisões, diferen­temente do que foi exigido pela Corte Suprema.

À noite, manifestantes pró­-democracia reuniram mul­tidões em São Paulo e Rio de Janeiro. O grupo classificou a ação como “atos terroristas contra a democracia” e “tenta­tiva de golpe de Estado”.

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