Tribuna Ribeirão
Polícia

Justiça vai soltar homem condenado por morte de namorada

Outro homem teria confessado o crime e cometido suicídio e isso municiou defesa para conseguir anulação do julgamento do condenado a 30 anos pelo crime

Homem foi preso no dia em que o corpo da jovem foi encontrado, mas defesa conseguiu que ele respondesse em liberdade (Foto: Reprodução)

| Por: Adalberto Luque |

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a soltura de Júlio César Barbosa Giorgetti, condenado a 30 anos de prisão pelo assassinato da namorada. A defesa conseguiu demonstrar na instância superior que outro homem teria confessado o crime e, no mesmo dia, cometido suicídio, sem ter sido formalmente ouvido pelas autoridades.

O crime ocorreu em outubro de 2013. Giorgetti namorava Vanessa Nobre Martins, de 19 anos. Segundo ele, o relacionamento era conturbado. No dia do desaparecimento da jovem, foi até o supermercado onde ela trabalhava, em Sertãozinho, na região metropolitana de Ribeirão Preto.

Os dois deixaram o local juntos, mas Giorgetti afirma que o relacionamento já havia terminado e que pediu para Vanessa ir embora. A jovem teria saído e pretendia ir a um show naquela noite, mas não foi mais vista.

Dez dias depois, o corpo dela foi encontrado. Giorgetti teria se desesperado ao receber a notícia, chegando a desmaiar. As investigações, porém, concluíram que ele teria cometido um crime passional, classificação utilizada à época para casos que hoje se enquadram como feminicídio.

Ele foi preso no dia em que o corpo de Vanessa foi localizado, mas obteve habeas corpus e respondeu ao processo em liberdade. Anos depois, voltou à prisão após ser condenado.

De acordo com a defesa, outro homem procurou a sede da Guarda Civil Municipal de Sertãozinho e confessou ter matado Vanessa. O advogado Eliezer Costa sustenta que não há provas nem testemunhas oculares que apontem Giorgetti como autor do crime.

Segundo o defensor, consta nos autos que esse homem esteve na Guarda Municipal, confessou o assassinato e levou agentes até um local onde o corpo supostamente teria sido desovado. Como o cadáver não foi encontrado naquele ponto, ele foi levado de volta para casa e, pouco tempo depois, cometeu suicídio. Esse argumento foi considerado pelo STJ ao decidir pela anulação do julgamento e pela soltura do condenado.

Com a anulação da condenação pelo STJ, Giorgetti poderá deixar a prisão nos próximos dias. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) informou que recorrerá da decisão.

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