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Laudo confirma “chumbinho” em copo de açaí

Caso deve passar a ser investigado como tentativa de homicídio e principal suspeita é companheira da vítima

Laudo do IC constatou presença de "chumbinho" em copo de açaí (Foto: Reprodução)

Por: Adalberto Luque

A Polícia Civil confirmou que o laudo do Instituto de Criminalística (IC) constatou a presença de terbufós, princípio ativo do “chumbinho” no copo de açaí consumido por Adenilson Ferreira Parente, de 27 anos. Ele passou mal após consumir o produto no dia 5 de fevereiro e chegou a ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas – Unidade de Emergência (HC-UE).

O laudo do exame de sangue, divulgado há alguns dias, não detectou a presença do veneno, mas o material só foi coletado depois que Adenilson passou por tratamento. Desta forma, não teria como afirmar que havia resquícios de “chumbinho” em seu organismo.

Com a confirmação da presença do veneno, o caso deve passar a ser investigado como tentativa de homicídio. A Polícia Civil já havia descartado que o veneno tenha sido aplicado no estabelecimento que vendeu o produto.

Delegado Araújo disse, há algumas semanas que, se constatada a presença de veneno no açaí, principal suspeita seria companheira da vítima (Foto: Alfredo Risk)

Os proprietários da açaiteria encaminharam farto material, com câmeras de vídeo que demonstram a montagem dos produtos, o armazenamento e sua retirada. Assim, a principal suspeita passa a ser a companheira de Adenilson, Larissa Batista de Souza.

O delegado responsável pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), José Carvalho de Araújo, disse há algumas semanas que, caso fosse confirmada a presença de “chumbinho” no açaí, ela passaria a ser tratada como principal suspeita. Ontem, afirmou que o laudo é uma prova técnica e indica que alguém tinha a intenção de matar Adenilson Parente.

“Em algum momento alguém colocou veneno nesse copo”, diz o delegado, que estuda pedir a prisão de Larissa batista Souza caso fique comprovado que Eça manuseou o produto antes de entregá-lo ao companheiro. A Polícia Civil espera obter novas provas e mantém as investigações.

Araújo também aguarda a conclusão da perícia nos celulares do casal. Ele acredita que conversas entre os dois e também com terceiros possam ajudara esclarecer o caso. O inquérito deve ser concluído ainda nesta semana.

Em depoimento na Polícia Civil, Larissa negou que tivesse envenenado o companheiro. A reportagem pediu uma nota para Jéssica Nozé, advogada de Larissa, mas ainda não recebeu retorno. O espaço segue aberto para a manifestação da defesa.

Entenda o caso

Adenilson e Larissa decidiram comprar o açaí, cada qual com seu celular, aproveitando oferta em um aplicativo de delivery de gêneros alimentícios. Eles optaram por retirar os dois copos no estabelecimento, que fica próximo à residência onde moram. Isso ocorreu no dia 5 de fevereiro.

Imagens de câmeras de segurança mostraram a produção do açaí e Polícia Civil descartou que envenenamento tenha ocorrido durante este processo (Foto: Reprodução)

O casal foi até o local de carro. Larissa desceu e apanhou os dois copos, voltando para o carro onde estava Adenilson. Ele disse que ela teria insistido para ele tomar, mas ele não quis.

Chegaram em casa, onde uma câmera de segurança de um vizinho registrou tudo por imagens. Larissa entra com seu copo, mas Adenilson deixa o dele no chão e sai com o carro. Ela volta e apanha o copo.

Ele chega mais duas vezes e sai logo em seguida, até finalmente chegar e entrar em casa. Pouco depois, o casal sai e volta à açaiteria. Eles devolvem o produto e voltam para casa.

Suspeita no caso de envenenamento foi quem retirou os produtos na açaíteria, enquanto vítima aguardava no carro (Foto: Reprodução)

Pouco mais tarde, a câmera de segurança registra familiares de Adenilson chegando na casa. O irmão pulou o portão, que estava fechado. Em seguida, saem amparando o rapaz e o colocam no carro para levá-lo até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da avenida 13 de Maio, onde, diante de seu quadro, foi transferido para o HC-UE, sendo entubado e internado na UTI.

A açaiteria forneceu diversas imagens de câmeras de segurança mostrando a produção, entrega e a frente da loja. Nas imagens, é possível ver que Larissa retira o produto e vai até o carro onde estava seu companheiro.

Adenilson, que recebeu alta em 15 de fevereiro, voltou para sua casa. Ele voltou a viver com Larissa e disse que acreditava na inocência da companheira. A reportagem não conseguiu contato com o rapaz.

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