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Lula: ONU está ficando desacreditada; cede ao fatalismo senhores da guerra, sem espaço para paz

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Geovani Bucci e Gabriel Hirabahasi

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar nesta quarta-feira, 4, os ataques de Israel à Faixa de Gaza e afirmou que a Organização das Nações Unidas (ONU) está ficando “desacreditada”. A declaração foi feita durante a cerimônia de abertura da 39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

“Compensa destruir Gaza, matar a quantidade de mulheres e crianças que mataram, para depois aparecer com pompa criando um conselho para dizer: vamos reconstruir a casa?”, questionou Lula “Aparecem como se fosse um resort para passar férias em um lugar onde ainda estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram.”

O presidente afirmou que a ONU estaria perdendo credibilidade por, em sua avaliação, não cumprir os princípios estabelecidos na carta de criação da organização, em 1945. Segundo Lula, a entidade estaria cedendo à lógica dos conflitos e deixando de abrir espaço para iniciativas voltadas à paz. Ele questionou por que a organização ainda não convocou uma conferência mundial para discutir os principais conflitos internacionais em curso.

Ao comentar a guerra entre Rússia e Ucrânia, Lula afirmou que o conflito já se estende por quatro anos, apesar de, na sua avaliação, haver clareza sobre como ele deve terminar. “Por que a guerra entre Rússia e Ucrânia já dura quatro anos, quando todo mundo sabe como ela vai terminar? Quem é que não sabe o que vai acontecer?”, disse. “(Vladimir) Putin vai ficar com o que já conquistou, (Volodymyr) Zelensky vai acabar se contentando com o que perdeu e vai haver um acordo. Se é isso, por que não fazem logo? Ou seja, a gente naturalizou esse tipo de coisa.”

Lula também criticou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que líderes mundiais costumam destacar poder militar em vez de capacidade produtiva. O petista afirmou que, em vez de enfatizar a força bélica, os países poderiam ressaltar sua capacidade de produzir e distribuir alimentos. Segundo ele, o combate à fome depende justamente de “mudança de prioridades”, já que “os pobres do mundo permanecem invisíveis” às burocracias e às lideranças políticas globais.

O presidente ainda fez críticas ao mercado financeiro. Segundo Lula, a lógica dominante ignora problemas sociais e transfere os custos das crises para a população mais pobre. Ele afirmou que, se os governos permanecerem subordinados apenas às dinâmicas do mercado, as desigualdades não serão resolvidas. “Se a gente continuar subordinado apenas às ações do mercado, nada se resolve. O mercado começa o dia 1º de janeiro preocupado com o teto fiscal e termina o dia 31 de dezembro preocupado com o déficit fiscal”, disse.

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