Tribuna Ribeirão
Esportes

Meta de R$ 300 milhões, dívidas e fiscalização: como é planejada SAF do Comercial

Bafo está perto de virar clube-empresa com divisão de 90% para sócios e 10% para clube

Por Hugo Luque

Cada vez mais próximo de se tornar Sociedade Anônima do Futebol (SAF), o Comercial divulgou detalhes do projeto encabeçado pela empresa Alliance Football, dos empresários Eliel Fraga e Caian Oliveira. Representante máximo do clube, o presidente Wesley Rios confirmou o investimento de R$ 300 milhões ao longo de dez anos, mas fez um adendo: trata-se de uma meta, não uma obrigação dos sócios.

A quantia não é composta somente por investimentos diretos de Fraga e Oliveira. A Alliance Football vai injetar dinheiro no Leão do Norte, como já tem feito desde o fim da parceria com o empresário Bruno Carloni, durante a Copa Paulista. No entanto, negócios com terceiros também entram na conta.

“Existem dois cenários: a garantia para o pagamento das dívidas do clube e as garantias dos investimentos. O montante de R$ 300 milhões é uma meta e não significa que o investidor colocará todo esse valor do próprio bolso de uma vez. Eles trarão parceiros e patrocínios que entram no cômputo desse investimento. Se trouxerem um patrocínio de camisa, esse valor é contabilizado dentro dos R$ 300 milhões”, explicou Rios, que reforçou o papel de fiscalização dos dirigentes comercialinos, sobretudo após os problemas com a Rico Gestão Empresarial e Esportiva, representada por Carloni.

“O investidor terá de comprovar ao Conselho que está aplicando recursos ao longo dos anos. Na Série A4, o investimento na folha do futebol pode variar de R$ 150 mil a R$ 200 mil. O futebol não é ciência exata e retorno financeiro eles só terão se o clube for bem. O meu papel será estar sempre à disposição para ajudar e fiscalizar de perto.”

Dívida e divisão

Uma das principais pautas na transformação de clubes em SAF no Brasil é a questão das dívidas. Segundo divulgado pelo próprio Leão do Norte em abril, quando Wesley Rios assumiu a presidência ainda de forma interina, o clube tem débitos que superam os R$ 40 milhões. Agora, embora esse valor permaneça como responsabilidade do Bafo, parte do valor aportado pela Alliance Football será destinado justamente a quitar esse passivo.

“A dívida pertence ao clube, mas é paga de forma organizada, planejada e garantida pela SAF. A SAF repassa ao clube a porcentagem contratual, geralmente de 10% a 20%, destinada ao pagamento dos credores. Caso essa receita do percentual não seja suficiente para cobrir os acordos da dívida no mês, a SAF cobre o valor obrigatoriamente.”

Por fim, o presidente detalhou a divisão da sociedade. Caso o projeto de SAF avance e a Alliance Football seja a escolhida para tocar o projeto, o Comercial permanece com 10% das ações, enquanto a empresa fica com os outros 90%.

“No modelo proposto, foi acertada a divisão de 90% das ações para a empresa investidora e 10% mantidos com o clube. Sobre o patrimônio e receitas, Palma Travassos, centro de treinamento, eventos e shows, a operação fica 100% sob gestão da empresa investidora para gerar caixa”, concluiu o mandatário.

A votação do Conselho Deliberativo que pode definir a transformação do Leão em SAF está marcada para terça-feira (29), na Joia.

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