Por: Adalberto Luque
A Polícia Civil indiciou Larissa Batista de Sousa por tentativa de homicídio qualificado por envenenamento. A jovem é namorada de Adenilson Ferreira Parente, de 27 anos, que passou mal e chegou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas – Unidade de Emergência (HC-UE).
O caso ocorreu no dia 5 de fevereiro. A Polícia Civil concluiu que Larissa teria sido a responsável por entregar açaí com “chumbinho”. O laudo do Instituto de Criminalística (IC) constatou a presença de terbufós, princípio ativo do “chumbinho” no copo de açaí consumido por Adenilson.
Além disso, o delegado responsável pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), José Carvalho de Araújo havia dito que imagens de câmeras de segurança cedidas pela empresa que preparou os copos de açaí consumidos pelo casal descartavam a participação de alguém dentro da empresa ter colocado o veneno.

O promotor Eliseu Berardo, todavia, negou o pedido de prisão preventiva feito pela Polícia Civil após conclusão do inquérito, que resultou no indiciamento de Larissa. Para o representante do Ministério Público (MP), faltariam provas mais robustas que indiquem ter sido Larissa a responsável pelo envenenamento. O caso deve retornar para a Polícia Civil, que deve esclarecer os pontos levantados pelo MP, sobretudo em relação ao lacre e se havia um local onde o veneno pudesse ter sido colocado no copo.
Segundo Jéssica Nozé, advogada de Larissa, o indiciamento não quer dizer que sua cliente será ré ou que será presa. Ela disse que Larissa está colaborando com a Justiça e não há justificativas para a prisão dela.
“O Ministério Público concordou com a defesa no sentido de que não há motivos jurídicos pela prisão preventiva da Larissa neste momento, assim como não havia no pedido anterior de prisão temporária. A defesa requereu inclusive a devolução dos celulares apreendidos”, explica a advogada.
A defesa considera prematuro o encerramento das investigações. “Em momento nenhum foi cogitado pela polícia de que a Larissa não fosse culpada, deixaram de investigar outros cenários. O Adenilson que é o maior interessado no fato, confirma que o açaí estava “sem burla” (sic) nenhuma quando consumiu. As únicas pessoas presentes naquele momento eram Adenilson e Larissa, ambos dizem a mesma coisa.”
A advogada espera que o inquérito volte para que sejam feitas novas investigações.

Entenda o caso
Adenilson e Larissa decidiram comprar o açaí aproveitando oferta em um aplicativo de delivery de gêneros alimentícios. Eles optaram por retirar os dois copos no estabelecimento, que fica próximo à residência onde moram. Isso ocorreu no dia 5 de fevereiro.
O casal foi até o local de carro. Larissa desceu e apanhou os dois copos, voltando para o carro onde estava Adenilson. Chegaram em casa, onde uma câmera de segurança de um vizinho registrou tudo por imagens. Larissa entra com seu copo, mas Adenilson deixa o dele no chão e sai com o carro. Ela volta e apanha o copo.
Ele chega mais duas vezes e sai logo em seguida, até finalmente chegar e entrar em casa. Pouco depois, o casal sai e volta à açaiteria. Eles devolvem o produto e voltam para casa.

Pouco mais tarde, familiares de Adenilson chegam na casa. Em seguida, saem amparando o rapaz e o colocam no carro para levá-lo até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da avenida 13 de Maio, onde, diante de seu quadro, foi transferido para o HC-UE, sendo entubado e internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Adenilson, que recebeu alta no dia 15 de fevereiro. Ele prestou depoimento na delegacia e voltou a morar com a namorada. O laudo do IC constatou a presença de terbufós, princípio ativo do “chumbinho” no copo de açaí consumido por Adenilson.
O MP negou o pedido de prisão preventiva contra a jovem. O promotor Eliseu Berardo entendeu que faltam provas contra Larissa.

