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Outubro Rosa reforça alerta para prevenção e diagnóstico precoce

Além da prevenção, reconhecer alterações suspeitas é fundamental | Reprodução

Neste primeiro domingo de outubro, o laço cor-de-rosa volta a chamar a atenção para o câncer de mama e para a necessidade de manter os cuidados durante todo o ano. Criado internacionalmente no início da década de 1990, o Outubro Rosa foi oficialmente incorporado ao calendário brasileiro pela Lei Federal nº 13.733, de 2018, com ações destinadas à conscientização, à prevenção e à detecção precoce da doença.

A dimensão do problema aparece nas estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano entre 2026 e 2028, o equivalente a aproximadamente 71,6 diagnósticos para cada 100 mil mulheres. Somente no estado de São Paulo, são esperados 20.820 novos casos em 2026. Em 2024, a doença provocou 20.849 mortes no país.

No mundo, cerca de 2,4 milhões de mulheres receberam o diagnóstico em 2024, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e aproximadamente 694 mil morreram em decorrência da doença. Os dados também revelam desigualdades: países com menor desenvolvimento registram proporcionalmente menos diagnósticos, mas apresentam maior risco de morte, reflexo das dificuldades de acesso à investigação e ao tratamento.

A idade é um dos principais fatores de risco. Segundo o Inca, cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem depois dos 50 anos. O risco também pode ser influenciado pela história reprodutiva e hormonal, pela exposição à radiação, pelo excesso de peso, pelo consumo de bebidas alcoólicas, pela inatividade física e por alterações genéticas. Ter um fator de risco, entretanto, não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença.

Embora não exista uma forma de impedir todos os casos, parte deles pode ser evitada. O Inca estima que aproximadamente 17% das ocorrências estejam relacionadas a fatores modificáveis. Praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, reduzir ou evitar o consumo de álcool e amamentar, quando possível, estão entre as medidas associadas à diminuição do risco.

Além da prevenção, reconhecer alterações suspeitas é fundamental. Nódulo endurecido ou que aumenta de tamanho, mudanças no formato da mama ou do mamilo, retração da pele, aspecto de casca de laranja, secreção espontânea e caroços nas axilas ou no pescoço precisam ser investigados. O câncer de mama nem sempre provoca dor, e aguardar que um sinal desapareça sozinho pode atrasar o diagnóstico.

O Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento, realizada em pessoas sem sinais ou sintomas, a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. A orientação também abrange homens trans e pessoas não binárias designadas como do sexo feminino ao nascer que mantenham as mamas. Quem apresenta sintomas, histórico de alto risco ou alterações clínicas precisa de avaliação individualizada, independentemente da idade.

Mais do que iluminar prédios ou distribuir laços, o desafio do Outubro Rosa é transformar informação em atendimento oportuno. Conhecer os sinais ajuda, mas não basta quando existem dificuldades para marcar consultas, realizar exames, confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento. A campanha ganha sentido quando o cuidado deixa de se concentrar em outubro e passa a integrar, durante todo o ano, a rotina das pessoas e das redes de saúde.

Mamografia de rotina é indicada dos 50 aos 74 anos

Mamografia de rastreamento e mamografia diagnóstica não são a mesma coisa. O rastreamento é realizado em pessoas sem sintomas, com o objetivo de identificar alterações antes que possam ser percebidas. Já o exame diagnóstico é solicitado quando há nódulo, secreção, alteração na pele ou outro sinal suspeito.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a recomendação populacional é que mulheres de 50 a 74 anos façam a mamografia a cada dois anos. O SUS também não impede o acesso de mulheres entre 40 e 49 anos ou acima dos 74 que desejem realizar o exame, desde que recebam orientação profissional sobre seus possíveis benefícios e riscos. Pessoas com sintomas devem ter prioridade na investigação, qualquer que seja a idade.

Mamografia pode encontrar tumores pequenos, mas também pode produzir resultados falso-positivos, levar à realização de exames adicionais e identificar lesões que talvez não evoluíssem | Reprodução

Desde quinta-feira, 1º de outubro, a mamografia digital passou a ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde sem restrição de idade ou gênero, desde que exista indicação médica. A mudança vale para rastreamento, investigação diagnóstica e acompanhamento do tratamento. Até então, a cobertura obrigatória do exame digital estava limitada às mulheres de 40 a 69 anos.

A mamografia pode encontrar tumores pequenos, mas também pode produzir resultados falso-positivos, levar à realização de exames adicionais e identificar lesões que talvez não evoluíssem. Por isso, a periodicidade e o início do rastreamento devem considerar as recomendações de saúde pública e, nos casos de maior risco, uma avaliação individualizada.

Conhecer as mamas é diferente de fazer autoexame

A recomendação atual não exige que a mulher realize mensalmente uma técnica rígida de autoexame. A orientação é conhecer o próprio corpo e observar as mamas em situações cotidianas, como durante o banho ou ao trocar de roupa. Isso facilita a percepção de uma mudança recente, mas não substitui a avaliação profissional nem a mamografia indicada para a faixa etária.

Entre os sinais que merecem atenção estão nódulos endurecidos, fixos ou que aumentam de tamanho | Reprodução

Entre os sinais que merecem atenção estão nódulos endurecidos, fixos ou que aumentam de tamanho; retração do mamilo; saída espontânea de secreção, principalmente com sangue; vermelhidão persistente; feridas que não melhoram; alteração no tamanho ou no formato da mama; pele semelhante à casca de laranja; e caroços nas axilas ou próximos à clavícula.

A maioria dos nódulos mamários não é câncer, mas somente a investigação pode determinar sua causa. Também não é necessário esperar o surgimento de dor: tumores iniciais podem ser indolores. Ao perceber uma alteração persistente ou suspeita, a orientação é procurar uma unidade de saúde, sem aguardar o próximo exame de rotina.

Doença também atinge homens e nem sempre é hereditária

Embora seja muito mais frequente entre mulheres, o câncer de mama também pode afetar homens. Eles representam entre 0,5% e 1% dos casos, segundo a OMS. Nódulo em uma das mamas, alteração no mamilo, secreção e caroço na axila também precisam ser investigados no público masculino.

Outro equívoco comum é acreditar que a doença ocorre principalmente em famílias com histórico de câncer. Apenas 5% a 10% dos casos estão relacionados diretamente a fatores genéticos ou hereditários. A maioria das mulheres diagnosticadas não possui histórico familiar conhecido, e a ausência de casos na família não elimina o risco.

Casos de câncer de mama em parentes próximos, especialmente antes dos 50 anos, câncer de ovário na família, câncer de mama masculino e alterações conhecidas em genes como BRCA1 e BRCA2 podem justificar uma avaliação individualizada. A necessidade de aconselhamento ou teste genético deve ser definida por profissionais capacitados, considerando o histórico pessoal e familiar.

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