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Papa visita países da América do Sul

Ao sobrevoar o espaço aéreo brasileiro, o papa Leão XIV enviou uma mensagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que agradeceu | Créditos: Ricardo Stuckert/PR

O papa Leão XIV, de 71 anos, iniciou  nesta sexta-feira, 6 de novembro, viagem por três países da América Latina, três semanas após passar por uma cirurgia para tratar um câncer de pulmão. A primeira parada foi no Uruguai, considerado o país mais secular e menos católico da região, que não recebe um pontífice desde 1988. O roteiro, o mais longo e distante de seu pontificado, inclui ainda Argentina e Peru.

O papa enviou uma mensagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros cinco chefes de estado receberam telegramas do pontífice. “Ao sobrevoar o espaço aéreo brasileiro em minha Viagem Apostólica ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, envio cordiais saudações a Vossa Excelência e aos seus cidadãos, e invoco sobre a nação os dons da unidade e da paz de Deus Todo-Poderoso.”

A passagem do papa Leão XIV pelo continente contará com agendas no Uruguai, na Argentina e no Peru. O primeiro compromisso oficial foi na manhã desta sexta-feira, em Montevidéu, capital uruguaia. Durante as mais de 13 horas de voo, o pontífice enviou saudações aos países sobrevoados. A começar pela própria Itália, quando decolou do Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci, em Fiumicino, na grande Roma.

Em uma rede social, o presidente Lula agradeceu a mensagem e fez um convite ao papa Leão XIV para que visite o Brasil. “Recebi com alegria a mensagem do Papa Leão XIV, que enviou bênçãos de unidade e paz ao povo brasileiro. Agradeço de coração o carinho de Sua Santidade e reitero o convite para que visite o Brasil. Será recebido de braços abertos, com muito afeto e fé'”, disse o presidente brasileiro em resposta ao pontífice.

Após um voo de 13 horas e meia desde Roma, Leão XIV chega a Montevidéu para uma visita de três dias. A agenda inclui um encontro com o presidente Yamandú Orsi, uma visita a um bairro afetado pela violência de gangues e missas em Paysandú e Florida, cidades do interior.

A viagem chegou a ser colocada em dúvida pela cirurgia de 13 de outubro. Segundo María Montserrat Alvarado, nova chefe de comunicação do Vaticano, o papa já cumpriu os 14 dias de convalescença prescritos pelos médicos. “Sua resistência física é fantástica”, disse. Ela acrescentou que o pontífice contará com assistência médica durante o voo.

O Uruguai, com 3,5 milhões de habitantes, é um caso particular na América Latina, região que abriga cerca de 40% dos 1,4 bilhão de católicos do mundo. Embora a herança católica remonte à colonização espanhola, apenas uma parcela dos uruguaios que se identificam como católicos frequenta missas regularmente.

O país foi o primeiro do mundo a legalizar a maconha recreativa, o segundo da América Latina a descriminalizar o aborto e o terceiro das Américas a reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Recentemente, também se tornou o primeiro da região a aprovar uma lei de morte medicamente assistida, apesar da oposição da Igreja Católica.

Espera-se que Leão XIV reafirme a posição da Igreja contra o aborto e a eutanásia, ao defender a dignidade humana em todas as fases da vida. No domingo, 8, ele participará em Florida das celebrações da Virgem dos Trinta e Três, imagem religiosa associada à independência uruguaia do Império do Brasil, proclamada em 1825.

A visita tem despertado entusiasmo entre os uruguaios, com relatos de que os ingressos para uma vigília de oração no Estádio Centenário, em Montevidéu, se esgotaram em dois dias. O ex-dirigente da comissão pontifícia para a América Latina Guzmán Carriquiry avalia que a passagem do papa pode reavivar as raízes católicas do país.

Já Andrew Chesnut, especialista em catolicismo da Universidade Virginia Commonwealth, pondera que o entusiasmo não necessariamente se converterá em maior frequência às igrejas.

“Se o objetivo mais amplo é tentar revitalizar o catolicismo na região mais católica do planeta, o Uruguai é praticamente uma causa perdida”, afirmou. O papa também visitará a Argentina e o Peru, onde atuou como missionário e bispo durante duas décadas.

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