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Páscoa nasceu no judaísmo e ganhou novos significados ao longo da história

Com o surgimento do cristianismo, a Páscoa foi ressignificada e passou a representar a ressurreição de Jesus Cristo, considerada pelos cristãos o principal evento da fé reprodução

Celebração associada hoje ao cristianismo, a Páscoa teve origem na tradição judaica e, ao longo dos séculos, incorporou novos significados religiosos e culturais em diferentes partes do mundo.

O termo “Páscoa” derivou do hebraico Pessach, que significa “passagem”. Na tradição judaica, a data marcou a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, episódio descrito no livro do Êxodo. A celebração relembrou a travessia rumo à liberdade e a preservação dos hebreus durante a última praga enviada ao Egito.

Com o surgimento do cristianismo, a Páscoa foi ressignificada e passou a representar a ressurreição de Jesus Cristo, considerada pelos cristãos o principal evento da fé. O sentido de “passagem” foi mantido, mas ganhou novo significado: da morte para a vida.

Ao longo do tempo, a celebração também incorporou elementos culturais de povos europeus, especialmente ligados à primavera no hemisfério norte. Símbolos como o ovo e o coelho, associados à fertilidade e ao renascimento, foram integrados às comemorações, sobretudo em contextos não religiosos.

A definição da data da Páscoa cristã foi estabelecida no século IV, durante o Concílio de Niceia, que determinou sua celebração no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte. O critério explicou por que a data é móvel, variando entre março e abril.

Hoje, a Páscoa reúne significados distintos — religiosos e culturais —, mantendo como eixo comum a ideia de renovação.

A tradição dos ovos de chocolate surgiu na Europa, especialmente a partir do século XVIII, quando confeiteiros passaram a produzir versões comestíveis do símbolo
Alfredo Risk

Religiões atribuem diferentes significados à Páscoa

Ao longo da história da humanidade, a Páscoa incorporou tradições judaicas, cristãs e culturais.

Mundialmente considerada uma celebração cristã, ligada ao “plano de salvação” protagonizado por Jesus Cristo, a Páscoa, segundo historiadores, também incorpora elementos de povos antigos do hemisfério norte, associados a rituais de renovação e fertilidade. Veja como diferentes religiões interpretam a data.

Cristianismo

O Domingo de Páscoa é o dia mais importante do calendário cristão. A data celebra a ressurreição de Jesus Cristo, marcando a vitória sobre a morte e o pecado, além da promessa de vida eterna para os que creem.

Para os cristãos, a ressurreição é considerada o evento central da fé. O período é dedicado à reflexão, celebração e agradecimento. Igrejas católicas e protestantes realizam atividades e celebrações especiais durante a Semana Santa.

Judaísmo

Para os judeus, a Páscoa — chamada Pessach — significa “passagem” e remete à libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, muitos anos antes do nascimento de Jesus Cristo.

A celebração aparece na Bíblia, no livro do Êxodo, e simboliza a transição da escravidão para a liberdade. É uma das datas mais importantes do calendário judaico.

Ortodoxos

As igrejas ortodoxas também celebram a ressurreição de Jesus Cristo, mas seguem o calendário juliano, instituído por Júlio César em 46 a.C., enquanto a Igreja Católica adotou o calendário gregoriano.

A diferença de calendários faz com que, em alguns anos, a Páscoa seja comemorada em datas distintas entre as tradições cristãs.

Espiritismo

Os espíritas não comemoram a Páscoa de forma ritualística, embora sigam os ensinamentos de Jesus. A doutrina respeita a data celebrada por judeus e cristãos e compartilha valores ligados à mensagem de renovação.

No espiritismo, o foco está na vivência dos princípios ensinados por Jesus ao longo de todo o ano.

Islamismo

Os muçulmanos não comemoram a Páscoa. No islamismo, Jesus é reconhecido como um profeta, citado no Alcorão, mas não há a crença na ressurreição.

O principal período religioso é o Ramadã, mês sagrado do calendário islâmico, marcado por jejum, reflexão e práticas espirituais.

Candomblé e umbanda

Religiões de matriz africana não têm a Páscoa como celebração central. No entanto, durante o período da Quaresma, alguns terreiros podem adotar práticas específicas, como a redução de atividades, em respeito ao período conhecido como Lorogun.

Esse momento é associado, em algumas tradições, a um tempo simbólico de recolhimento e de enfrentamento espiritual.

Curiosidades ajudam a entender tradições da Páscoa

Além dos significados religiosos, a Páscoa reúne tradições e costumes que foram sendo incorporados ao longo dos séculos.

Data móvel
A Páscoa não tem data fixa. Sua definição foi estabelecida no século IV: passou a ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte.

Origem dos ovos
O costume de presentear com ovos é anterior ao cristianismo e esteve ligado a antigas celebrações da primavera, nas quais o ovo simbolizava fertilidade e renovação.

Ovo de chocolate
A tradição dos ovos de chocolate surgiu na Europa, especialmente a partir do século XVIII, quando confeiteiros passaram a produzir versões comestíveis do símbolo.

Coelho da Páscoa
Associado à fertilidade, o coelho foi incorporado às comemorações por povos europeus e se tornou um dos principais símbolos populares da data.

Diferença de datas entre cristãos
Nem todos os cristãos celebram a Páscoa no mesmo dia. Igrejas ortodoxas utilizam outro calendário, o que pode gerar datas distintas em relação às celebrações no Ocidente.

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