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Peeling de fenol: especialistas de RP alertam sobre cuidados  

Jovem morreu em SP após complicações do procedimento estético; especialistas e até instituições de ensino da região usam o exemplo trágico para conscientizar pacientes

Considerado invasivo e agressivo, o tratamento consiste na aplicação do ácido indicado para combater as rugas e flacidez (Reprodução)

Adriana Dorazi – especial para o Tribuna Ribeirão

Perder a vida em busca do “visual” perfeito. A notícia não é nova, mas ganha nuances cada vez mais impressionantes quando uma substância aplicada para renovar a pele do rosto é capaz de matar. Foi o que aconteceu neste mês de junho quando um homem de 27 anos morreu na capital paulista depois de complicações ao realizar o “peeling de fenol”, técnica que ganhou notoriedade por bons resultados estéticos.

A proprietária da clínica não tinha especialidade ou autorização para fazer o peeling. Teria feito apenas um curso “on line” com farmacêutica que também não seria habilitada para aulas sobre o assunto. A polícia investiga o caso como homicídio. Até o fechamento desta edição o laudo com a causa da morte não havia sido divulgado, mas a clínica foi interditada e multada.

Nessa onda especialistas e instituições de ensino na área médica reforçam o alerta necessário para quem deseja ver no espelho a versão mais bonita do corpo e rosto.  Segundo o Conselho Federal de Medicina, por lei, os procedimentos estéticos invasivos devem ser executados apenas por médicos, preferencialmente com especialização em dermatologia ou cirurgia plástica, por estarem capacitados para oferecer ao paciente atendimento com competência técnica e segurança.

Professora Dra. Cristiane Soncino: o peeling de fenol precisa ser realizado em centros cirúrgicos (Reprodução)

Segundo a professora Dra. Cristiane Soncino, coordenadora dos cursos de estética da Faculdade de Tecnologia em Saúde (Fatesa) de Ribeirão Preto, o peeling de fenol precisa ser realizado em centros cirúrgicos para que haja segurança do profissional e paciente já que o ideal é que haja, além da análise de exames prévios, o monitoramento durante a aplicação.  

“Existem outros tipos de peeling que são de competência dos profissionais da área da estética, porém de acordo com a resolução de seus conselhos”, alertou a professora. A faculdade publicou conteúdos explicando os riscos do procedimento que não é indicado para todas as pessoas.

O que é o peeling de fenol? 
O fenol tem formulação muito antiga, usada desde a década de 60 e aprimorada ao longo do tempo. A substância aplicada atualmente no peeling de fenol não contém apenas fenol, mas também o produto chamado óleo de Cróton, que é o responsável por fazer com que o peeling se aprofunde mais na pele.

Considerado invasivo e agressivo, o tratamento consiste na aplicação do ácido indicado para combater as rugas e flacidez. A substância provoca renovação intensa da pele e estimula a produção de colágeno.  

“O que devemos entender é que o fenol provoca abrasão química e seu efeito promove a irritação da pele. Essa inflamação é responsável pela descamação da córnea, que é a camada externa de pele, que compõe a superfície da nossa epiderme e de camadas inferiores”, explicou Cristiane Soncino.

Vani Moscardini: em Ribeirão Preto a demanda pelo peeling de fenol é relativamente pequena devido ao clima quente, que aumenta o risco de manchas (Divulgação)

A dermatologista Vani Aparecida de Miranda Moscardini, responsável técnica do Instituto Dermatológico de Ribeirão Preto, reforça que o peeling de fenol é um tratamento muito profundo, indicado para pessoas com envelhecimento facial acentuado, pele de má qualidade (muitas rugas e manchas) ou cicatrizes de acne.  

“No entanto, pacientes com problemas cardíacos, renais ou hepáticos, bem como fumantes, estão contraindicados devido ao risco de toxicidade e baixa cicatrização. Pessoas com pele morena também são desaconselhadas a fazer o procedimento, devido ao maior risco de hiperpigmentação ou hipopigmentação. Portanto, a seleção de pacientes deve ser rigorosa”, afirma.

A especialista relata que são muitos cuidados pós-aplicação. Em Ribeirão Preto, a demanda é relativamente pequena, devido ao clima quente, que aumenta o risco de manchas. “Variações do peeling de fenol clássico, com concentrações menores e aplicação em áreas restritas, têm maior aceitação, tanto da classe médica como dos pacientes, por serem mais seguras e terem recuperação mais rápida”, completa.

Opção por não fazer
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), confirmou que o fenol é um produto autorizado para finalidade estética, como é o caso do peeling, e para uso estritamente profissional. O produto, portanto, não pode ser comercializado pela internet. A agência reforçou que estão sendo adotadas medidas para a retirada de anúncios irregulares relativos ao fenol da internet.

Flávia Vilella: para quem não pode ou tem medo do peeling de fenol, a especialista destaca que há outras possibilidades para quem quer rejuvenescer o corpo e o rosto (Divulgação)

Mesmo com habilitação para realizar o peeling de fenol, Flávia Villela, médica especialista em Dermatologia que atende em RP optou em não realizar o tratamento. “Atualmente não realizo esse procedimento na clínica pois necessita de estrutura mais complexa para que seja realizado com segurança. É um peeling profundo que atinge camadas internas da pele, a absorção das substâncias do peeling de fenol pode causar arritmias cardíacas e outras toxicidades (hepática e renal) levando o organismo ao colapso”, alerta.

Ela destaca que há outras possibilidades para quem quer rejuvenescer o corpo e o rosto. “Associar técnicas traz resultados incríveis. Peelings médios seriados; laser de CO2 fracionado; Lavieen; Bioestimulador de colágeno, entre outros. A busca pela beleza requer cuidado e pesquisa minuciosa. É indispensável que o profissional seja habilitado e competente, além de avaliar o paciente como um todo e de ter em sua clínica a infraestrutura para lidar com qualquer complicação”, conclui.

Para denúncias, esclarecimentos ou informações acesse o site da Sociedade Brasileira de Dermatologia: https://www.sbd.org.br

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