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Permuta de imóveis vence em agosto

(Alfredo Risk)
Prefeitura de Ribeirão Preto quer trocar terreno na Zona Sul por prédio do Marista (detalhe), onde pretende instalar seu novo centro administrativo


Prazo para votação de permuta de imóveis entre a prefeitura e Marista termina em 16 de julho, mas, devido a recesso, precisa ser votado até 3 de agosto

A Câmara de Vereadores tem de votar o projeto de lei complementar número 24/2026, que trata da permuta de imóveis entre a prefeitura de Ribeirão Preto e o Colégio Marista, até o dia 3 de agosto. O artigo 42 da Lei Orgânica do Município (LOM) estabelece que propostas do Executivo devem ser votadas em um prazo de 45 dias após o protocolo no Legislativo.

O projeto da permuta foi protocolado em 1º de junho pelo vice-prefeito Alessandro Maraca (MDB), que na época exercia interinamente o cargo de prefeito. O prazo termina em 16 de julho. Entretanto, os vereadores entrarão em recesso parlamentar e a votação, obrigatoriamente, terá de ocorrer na primeira sessão do segundo semestre, no dia 3 de agosto.

Caso a proposta não seja votada em plenário até o prazo final, travará a pauta do Legislativo, impedindo a votação de qualquer projeto de lei. A Câmara terá apena mais duas sessões antes do recesso, na segunda (13) e na quarta-feira (15) da semana que vem.

A única possibilidade de o projeto ser apreciado antes das férias seria a prefeitura entrar com pedido de urgência para que seja votado na sessão do dia 15 de julho. Na segunda-feira, os vereadores votarão – em discussão final – a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A primeira votação ocorreu quarta-feira (8). 

Outra opção seria o Executivo retirar o projeto da Câmara, mas fontes ouvidas pelo Tribuna dizem que isso não vai acontecer. Em sessão realizada no dia 24 de junho, , a Câmara de Vereadores aprovou indicação do presidente do Legislativo, Daniel Gobbi (PP), que pede ao prefeito Ricardo Silva (PSD) a retirada da proposta.

No texto do documento, Gobbi aponta que os dados e esclarecimentos apresentados pelo Executivo na audiência pública de 16 de junho são insuficientes. Cita a total ausência de projeto definitivo para a ocupação do imóvel do Colégio Marista, bem como a inexistência de estimativa orçamentária dos custos necessários para a reforma e adaptação do prédio.

Também permanecem indefinidas quais secretarias municipais seriam efetivamente transferidas para o local. Segundo o vereador, a proposta de permuta carece de estudos fundamentais de impacto viário e de vizinhança para a região, além de não apresentar a necessária manifestação do Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto (Conppac).

O projeto também ignora o fato de que a capela interna do complexo é tombada e que a área está inserida no entorno de proteção da avenida Nove de Julho, o que gera severa insegurança jurídica e urbanística.

Em audiência pública realizada em junho para discutir a proposta, representantes do Executivo não conseguiram responder aos questionamentos considerados fundamentais. Entre eles, a existência de estudos técnicos que embasem a ocupação do imóvel do Colégio Marista como sede do novo centro administrativo da prefeitura de Ribeirão Preto.

No novo projeto, a área da prefeitura na região da avenida Braz Olaia Acosta, Zona Sul da cidade, com 40.928,38 metros quadrados, está avaliada em R$ 86.684.000, contra os R$ 57.214.519,39 do imóvel do Colégio Marista, com área de 21.929,25 m² na rua Bernardino de Campos nº 550, no Centro da cidade, uma diferença de R$ 29.469.480,61, conforme o Tribuna havia apurado. Agora, o terreno público vale 51,51% a mais

Já na avaliação elaborada no ano passado pela Comissão de Avaliação Técnica de Imóveis (Cati), da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, e que constava do primeiro projeto enviado à Câmara, a área da prefeitura fora avaliada em R$ 39.617.035, valor menor do que o do imóvel Colégio Marista.

Na primeira avaliação o prédio teve seu valor fixado em R$ 57.214.519,39. O valor da área da prefeitura agora é R$ 47.066.965 superior, alta de 118,80%. Antes, era R$ 17.597.484,39 inferior a do Marista, 30,76% abaixo. O Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (CreciSP) ndeu consultoria ao Cati na nova pesquisa.

Segundo o projeto, o Colégio Marista teria aceitado pagar a diferença de R$ 29.469.480,61 entre as duas áreas, para o município, caso a proposta seja aprovada pelos Câmara. No imóvel particular, a prefeitura pretende implantar o seu novo centro administrativo.

Já no terreno da prefeitura, a instituição de ensino pretende instalar sua nova unidade. A área fica na confluência das ruas Palmyra Magnani Protti e Marcos Markarian, na região da avenida Braz Olaia Acosta, na Zona Sul.

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