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Polícia investiga confronto da Via Norte

Após confronto, PM encontrou duas pistolas e duas submetralhadoras no carro ocupado pelos suspeitos (Foto: Alfredo Risk)

| Por: Adalberto Luque |

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do confronto com o Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) que terminou com a morte de dois homens, na tarde de quarta-feira (21), na Via Norte, em Ribeirão Preto. Um dia depois, a circulação de moradores e o funcionamento do comércio nos bairros da zona Norte afetados por mensagens que anunciavam possíveis represálias voltaram ao normal, mas o policiamento permanece reforçado. A investigação também busca identificar a origem das quatro armas apreendidas no carro em que estavam os mortos.

Alexsandro Calisto Gomes, de 40 anos, e Vinícius de Jesus, de 32, foram baleados durante uma tentativa de abordagem na avenida Eduardo Andréia Matarazzo, a Via Norte, no sentido Centro-bairro, próximo ao cruzamento com a avenida Thomaz Alberto Whatelly.

Segundo a Polícia Militar, uma denúncia anônima informou que o veículo estaria transportando armas ilegais. Os policiais passaram a acompanhar o carro e, durante a abordagem, houve troca de tiros. Conforme a versão apresentada pela PM, os ocupantes atiraram contra a equipe, que revidou.

Câmera de segurança registrou momento em que viatura do BAEP emparelha com HB20 ocupado pelos suspeitos (Foto: Reprodução)

No veículo foram encontradas duas pistolas e duas submetralhadoras. De acordo com o delegado da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de Ribeirão Preto, José Carvalho de Araújo Júnior, as armas apresentavam sinais de raspagem nas numerações.

A perícia recolheu 19 cápsulas deflagradas no local. O material será submetido a exames, assim como as armas apreendidas. Imagens de câmeras instaladas nas proximidades também integram a investigação. Os registros mostram o momento em que a viatura policial emparelha com o carro ocupado pelos dois homens e, depois dos disparos, motoristas e motociclistas dão meia-volta para deixar o local.

Quatro armas foram encontradas no carro ocupado pelos suspeitos (Foto: Divulgação)

Segundo o delegado, a Polícia Civil pretende identificar a numeração original das armas e reunir os laudos periciais e do Instituto Médico Legal (IML) ao inquérito. A investigação também deverá esclarecer as circunstâncias do confronto e a procedência do armamento.

Antecedentes criminais

Alexsandro tinha registros policiais e condenações por tráfico de drogas, receptação, roubo e porte ilegal de arma. Vinícius também tinha antecedentes por tráfico de drogas, roubo e latrocínio, crime caracterizado pelo roubo seguido de morte.

Vinícius chegou a ser investigado por suspeita de participação no assassinato do subtenente do Corpo de Bombeiros Ricardo Luiz Falqueto, morto com um tiro na cabeça em novembro de 2022, em uma fazenda na região de Franca. Na época, a suspeita era de que o bombeiro, que trabalhava na segurança particular da propriedade, tivesse sido alvo de uma quadrilha especializada em roubo de agrotóxicos.

Dupla tinha várias passagens criminais (Foto: Redes Sociais)

O nome de Vinícius, porém, foi retirado da investigação, e o caso foi arquivado em relação a ele. Portanto, não houve condenação atribuída a Vinícios por esse homicídio.

Ameaças provocaram apreensão

As mortes também provocaram medo entre moradores e comerciantes de bairros da zona Norte. Na tarde e na noite de quarta-feira, áudios e mensagens compartilhados por aplicativos de conversa e redes sociais mencionaram possíveis represálias pelo confronto.

Por precaução, parte dos comerciantes fechou os estabelecimentos mais cedo, enquanto moradores evitaram sair de casa. A apreensão atingiu principalmente os bairros Adelino Simioni, Quintino Facci II, Avelino Palma e Geraldo Correa de Carvalho, região onde os dois homens supostamente atuavam.

Comerciantes de bairros da zona Norte fecharam as postas de seus estabelecimentos com medo de represália (Foto: Redes Sociais)

A Polícia Militar esclareceu que não houve determinação oficial de toque de recolher. As mensagens que circularam não partiram das autoridades, mas provocaram mudanças na rotina da população.

De acordo com a major Luana Gallo, coordenadora operacional do 3º Batalhão de Caçadores (BC), responsável pelo policiamento na região, as equipes foram reforçadas assim que a corporação tomou conhecimento das mensagens, ainda na quarta-feira.

A medida teve como objetivo prevenir crimes e aumentar a sensação de segurança dos moradores e comerciantes. O policiamento permaneceu intensificado durante a noite e a madrugada, período em que, segundo a major, não foram registradas ocorrências graves.

O reforço continuará nos próximos dias, sem prazo definido para encerramento. A coordenadora operacional também pediu que a população procure canais oficiais para confirmar informações e comunique situações suspeitas à Polícia Militar pelo telefone 190.

Segundo a major, o compartilhamento de mensagens sem confirmação pode ampliar o temor e prejudicar a rotina de moradores e comerciantes. Na manhã desta quinta-feira (22), a movimentação nos bairros havia voltado ao normal, embora o policiamento continuasse reforçado.

Velório e sepultamento

Os corpos de Alexsandro Calisto Gomes e Vinícius de Jesus estão sendo velados na rua Flávio Uchôa, no bairro Campos Elíseos, zona Norte de Ribeirão Preto.

O sepultamento está previsto para as 16h30 desta quinta-feira, no Cemitério Bom Pastor, na zona Leste da cidade.

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