A maior presença das mulheres nas empresas paulistas é um avanço relevante, mas os números precisam ser lidos com cuidado. Entre as organizações reconhecidas pelo Great Place To Work (GPTW), certificação privada que avalia cultura organizacional, ambiente de trabalho e práticas de gestão de pessoas, elas chegaram a 43% dos colaboradores em 2026. O percentual está próximo de dados oficiais do mercado formal paulista, o que reforça a tendência de aumento da participação feminina.
O problema aparece quando se observa quem ocupa os postos de comando. No próprio levantamento do GPTW, as mulheres representam apenas 28% da alta liderança e 15% dos cargos de CEO. A desigualdade também permanece nos salários: dados oficiais mostram remuneração média feminina inferior à masculina, tanto em São Paulo quanto no cenário nacional. Isso indica que a presença cresce mais rapidamente do que o acesso a posições de decisão e melhores rendimentos.
O avanço, portanto, não deve ser confundido com igualdade conquistada. Contratar mais mulheres é importante, mas insuficiente se promoções, remuneração e ascensão profissional continuarem desequilibradas. A próxima etapa não está apenas em ampliar a representatividade, mas em transformar presença em oportunidade real, acesso à liderança e reconhecimento econômico.

