Setor relata dificuldades com crédito, ausência de seguro agrícola e uma grande preocupação com mudanças na jornada de trabalho
Os produtores rurais de São Paulo atravessam um período de aperto. Juros elevados, aumento dos custos e dificuldade para encontrar trabalhadores têm pressionado quem vive do campo. O cenário foi relatado pelo presidente do Sistema Faesp/Senar, Tirso Meirelles, durante o Encontro Regional de Lideranças realizado nesta quarta-feira, 15, em Ribeirão Preto, na sede da Entidade.

O evento reuniu representantes do setor para discutir os principais desafios da agropecuária no Estado. Segundo Meirelles, o acesso ao crédito rural tem se tornado um dos maiores obstáculos para manter a produção. Com financiamentos mais caros e margens cada vez menores, muitos produtores já demonstram preocupação com a próxima safra e com a capacidade de honrar os compromissos. “Hoje nós não temos plano safra com condições adequadas. O crédito está caro e muitos produtores já demonstram preocupação com a capacidade de pagamento”, afirmou.
Além do custo do dinheiro, outro problema que pesa no dia a dia do produtor é a falta de proteção contra perdas provocadas pelo clima. Sem seguro agrícola, qualquer mudança no tempo pode significar prejuízo direto. “Os Estados Unidos têm 95% das lavouras seguradas; no Brasil não chega a 5%”, disse.
O endividamento crescente também preocupa o setor. Segundo o dirigente, muitos produtores seguem trabalhando para manter a atividade, mas com orçamento apertado e pouca margem para investir ou planejar o futuro. “O endividamento da sociedade rural é muito grande. Os produtores estão com déficit porque os custos aumentaram muito nos últimos anos”, destacou Meirelles.
Outro desafio que tem aparecido com mais frequência nas propriedades é a falta de trabalhadores. A escassez de mão de obra, especialmente qualificada, já começa a afetar a produtividade e a rotina das atividades, principalmente em períodos de colheita. “A mão de obra está faltando em todos os cantos, e isso afeta diretamente a produção”, destacou.
Durante o encontro, o presidente da entidade também comentou o debate nacional sobre possíveis mudanças na jornada de trabalho. Para ele, qualquer alteração precisa ser discutida com cuidado e sem decisões precipitadas, para evitar impactos na economia e na geração de empregos. “Um trabalho para diminuir a carga horária do colaborador precisa ser feito sem politicagem e em consenso entre as categorias”, afirmou.
Apesar das dificuldades, o setor mantém a expectativa de crescimento e aposta na qualificação profissional e no uso de tecnologia como caminhos para enfrentar os desafios. Lideranças rurais e representantes de sindicatos destacaram que o investimento em capacitação e organização produtiva continua sendo uma das principais estratégias para manter a atividade e garantir renda no campo.
O encontro reuniu produtores, dirigentes sindicais e autoridades públicas em um espaço de discussão sobre os problemas enfrentados no dia a dia das propriedades e as alternativas para manter a produção ativa nos próximos anos.

