Com oito anos de carreira, grupo francano de música instrumental é conhecido pela sua formação singular composta por viola caipira, violão, guitarra e baixo acústico
Com a proposta de unir elementos populares e eruditos em uma linguagem própria, que homenageia a diversidade cultural do Brasil, Quarteto Enredado acaba de lançar seu terceiro álbum “Fantasia Sertaneja”, que mergulha no universo da música caipira, tendo a viola como fio condutor de um diálogo entre tradição e criação contemporânea.
Neste fim de semana, o grupo francano de música instrumental apresenta dois shows da turnê do novo trabalho: no Teatro Minaz, em Ribeirão Preto, na sexta-feira, 22 de maio, às 20 horas, e na Esplanada da Casa de Portinari, em Brodowski, no sábado (23), às 16 horas. A entrada é gratuita e as apresentações contam com acessibilidade em Libras.
Para acesso ao show do Teatro Minaz, é necessário reservar os ingressos on-line (https://www.minaz.com.br/event-details/quarteto-enredado-fantasia-sertaneja). Fica na rua Carlos Chagas nº 273, Jardim Paulista. Tem capacidade para 260 pessoas.
Com identidade artística própria e formação singular composta por viola caipira (Ronaldo Sabino), violão (Claryssa Pádua), guitarra (Daniel R. Palermo) e baixo acústico (Gabriel Terra), o Quarteto Enredado é conhecido pela sua sonoridade única.
Em “Fantasia Sertaneja”, o grupo propõe uma escuta ampliada da tradição, articulando repertórios consagrados da música sertaneja de raiz, revisitados em arranjos como “Moreninha Linda”, “Luar do Sertão” e uma seleção de pagodes de viola de Tião Carreiro & Pardinho.
Traz composições autorais que exploram diferentes ritmos e paisagens sonoras do universo caipira – como as compostas pelo violeiro Ronaldo Sabino, “Viola em Festa” e “Porca Mineira”, e a “Suíte Caipira” do baixista Gabriel Terra, idealizador do Quarteto e responsável pelos arranjos do álbum.
Para os shows da turnê do disco na região, o Quarteto prepara várias surpresas que prometem ser emocionantes. No Teatro Minaz, em Ribeirão Preto, a abertura fica por conta do cortejo com a Companhia de Santos Reis Pinheiros, instaurando desde o início a atmosfera simbólica e festiva do espetáculo.
No palco, a convidada especial é a cantora, compositora, instrumentista e produtora musical Verônica Ferriani. A artista já lançou dez álbuns e destacou-se em parcerias importantes como gravação de DVDs com Yamandu Costa e Toquinho, além de dividir o palco com Ivan Lins, Beth Carvalho, Mart’nália, Monarco, Jair Rodrigues, Moska, Teresa Cristina e Criolo, entre outros.
O show na Esplanada da Casa de Portinari, em Brodowski, é em comemoração ao Dia Internacional dos Museus e à Semana Nacional de Museus. Na entrada, a Folia de Reis fica por conta do Grupo Sagrada Guia. No palco, as canções serão interpretadas pelo cantor e multi-instrumentista Leo Pizzi, figura emblemática na cena cultural do município e da região. Sua trajetória de quase 20 anos dedicados à música é marcada pela versatilidade e pelo carisma.

O álbum – “Fantasia Sertaneja” aprofunda a pesquisa do Quarteto Enredado sobre a música caipira como linguagem viva, atravessada por memória, invenção e escuta contemporânea. Essa síntese estética se revela afirmando a diversidade rítmica e expressiva que constitui a música sertaneja de raiz.
São 13 faixas, sendo uma suíte estruturada em três movimentos, inspirados em ritmos característicos do gênero que dialogam com a tradição das suítes europeias, evocando em sua concepção o pensamento formal de compositores como Johann Sebastian Bach. A produção musical é de Camilo Carrara, a direção artística e musical é uma parceria entre Gabriel Terra e Claryssa Pádua, violonista e produtora do grupo.
Um dos destaques do álbum é a música autoral “Suíte Caipira” (Gabriel Terra), que traz nomes de aves muito presentes na região de Franca. As participações especiais ampliam as possibilidades do repertório e abrem outras camadas dentro desse encontro entre música instrumental e canção.
O cantor pernambucano Ayrton Montarroyos participa de duas canções, “Bandeira do Divino” e “Luar do Sertão”, dividindo esta última com a cantora e compositora Bia Góes, que também colabora em “Lá na Roça (Mês de Maria)”, ao lado do percussionista Ricardo Valverde. O resultado é uma camada sonora atravessada por referências de matrizes afro-brasileiras, presentes também nas trajetórias dos artistas.

