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Reforma Administrativa de Nogueira segue para a Câmara

ALFREDO RISK/ARQUIVO

Nesta quinta-feira, 1º de abril, a prefeitura de Ribeirão Preto enviará para a Câmara de Vereadores oito projetos de leis complementares referen­tes à reforma administrativa proposta pelo prefeito Duarte Nogueira (PSDB). O objetivo é estruturar, aumentar a eficiên­cia da máquina pública e gerar economia de recursos.

O prefeito também fala em valorizar o funcionário públi­co. “Além de garantir todos os direitos dos servidores munici­pais, haverá maior ocupação de servidores efetivos nos cargos de confiança, o que significa maior participação no governo, por­tanto, na tomada de decisões”, explica Duarte Nogueira.

Os estudos realizados para a elaboração da reforma adminis­trativa revelam que atualmente existem cerca de 100 cargos que poderiam ser ocupados tanto pelos servidores efetivos como por comissionados, porém, a proposta é de que todos estes es­paços sejam preenchidos pelos funcionários de carreira.

O documento ainda revela que as gratificações, regras de progressão de carreira e todos os direitos dos servidores públicos municipais seguem assegura­dos. Atualmente, o quadro da prefeitura é composto por 93,4% de estatutários, contra apenas 2,3% de comissionados.

Em 15 de julho do ano pas­sado o Órgão Especial do Tri­bunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP), o colegiado da Corte Paulista que reúne todos os desembargadores, considerou inconstitucionais 39 leis muni­cipais da prefeitura de Ribeirão Preto que criaram cargos co­missionados entre os anos de 1993 e 2018.

A decisão atende a uma ação movida pela Procuradoria-Ge­ral de Justiça de São Paulo, que alegou inconstitucionalidade pela ausência de especificação dessas atribuições no corpo da lei e compatíveis com as respec­tivas atividades, vulnerando pre­ceitos da Constituição Federal, com validade obrigatória nos Estados e municípios.

Na decisão, o Tribunal de Justiça deu prazo de 120 dias, contados a partir da decisão, para a prefeitura elaborar leis específicas e reestruturar os cargos comissionados. Entre as funções consideradas irregula­res pelo Tribunal de Justiça, es­tão cerca de 80 cargos que vão desde assistente de secretário, assessor de gabinete, chefes de divisões como o de limpeza, assessores de comunicação, coordenador de comunicação e coordenador de Limpeza Ur­bana, entre outras.

A nova lei garante todos os direitos dos servidores públicos e comissionados. Todos os be­nefícios foram mantidos e siste­matizados. Além desta mudan­ça, serão extintos alguns cargos de livre nomeação e apenas os cargos de diretor, chefe de divi­são e alguns cargos de assessoria técnica poderão ser nomeados.

“A vantagem desta mudança foi a readequação estrutural da administração municipal, o que permitirá identificar de forma clara o fluxograma de funcio­nários, portanto, corrigir erros quando necessário. Além disso, para exercer um cargo, se faz ne­cessário curso superior e atender os requisitos que a função exige”.

A prefeitura de Ribei­rão Preto gasta por mês R$ 97.383.050,58 com a folha de pagamento dos servidores mu­nicipais ativos da administração direta e com os aposentados e pensionistas. O valor referente aos funcionários ativos é de R$ 54.601.277,26. Já a folha de inati­vos é de R$ 42.781.773,32 men­sais. Em um ano, contando com o décimo terceiro salário, o total chega a R$ 1.265.979.657,564.

Os números são de novem­bro do ano passado e envolvem 14.730 servidores. Deste total, 7.931 são funcionários efetivos e 516, contratados. Os aposen­tados e pensionistas totalizam 6.283 pessoas. A categoria está há dois anos sem reajuste sala­rial e também não terá aumen­to em 2021.

Secretaria de Justiça
Para apoiar e dar maior re­forço à segurança do município, apoiar a Guarda Civil Metropo­litana de Ribeirão Preto (GCM), além de garantir os direitos e respeito ao cidadão, a reforma revela a transformação da Secre­taria de Negócios Jurídicos em Secretaria Municipal de Justiça.

Além disso, também irá abrigar o Órgão de proteção ao Consumidor (Procon-RP), que sairá do controle da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), e o Departamento de Fiscalização Geral, que deixa­rá de ser subordinado à Secre­taria Municipal da Fazenda.

Controladoria Geral do Município
Para prestar assessoria téc­nica ao gabinete do Executivo, a reforma administrativa propõe a criação da Controladoria Ge­ral. Ela será composta por cinco membros, sendo quatro deles funcionários efetivos, entre eles o cargo do controlador-geral.

Daerp
Para evitar a privatização do Departamento de Água e Esgo­tos de Ribeirão Preto (Daerp) futuramente, a reforma admi­nistrativa ainda propõe que a autarquia seja transformada em Secretaria Municipal de Água e Esgoto. Passará a ser parte da estrutura administra­tiva da prefeitura, ou seja, da administração direta.

Com a aprovação do novo Marco Regulatório do Sanea­mento Básico, havia duas op­ções: transformar a autarquia em empresa mista ou levar o departamento para a prefeitu­ra. Atualmente, o Daerp tem cerca de 205 mil “clientes” em Ribeirão Preto.

Antonio Daas Abboud, se­cretário de Governo, esclarece que a mudança não interferirá em nada aos funcionários da empresa. “Além de ganhar efi­ciência na prestação de serviços, os direitos, benefícios, salários, cargos, carreiras, aposentado­ria dos servidores serão man­tidos”, disse. O departamento é especializado em saneamento básico e conta com controle financeiro próprio.

Tem cerca de 205 mil liga­ções de água e uma previsão de receita para este ano de R$ 332 milhões. No ano passa­do, segundo dados do site da autarquia, arrecadou R$ 281 milhões contra uma projeção de R$ 328 milhões. Ou seja, atingiu 85,7% da meta em ple­na pandemia, com suspensão de cortes e da cobrança de ser­viços para as famílias de baixa renda (tarifa social). A inadim­plência atual do Daerp é de aproximadamente de 25%.

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