| Por: Adalberto Luque |
O médico ortopedista Luiz Antônio Garnica, preso desde 6 de maio de 2025, trabalha nas enfermarias das duas penitenciárias do Complexo de Potim, no Vale do Paraíba, onde presta atendimento a outros detentos. Segundo o advogado Júlio Mossin, que defende o médico, a atividade é registrada para o cálculo da remição de pena, benefício que permite reduzir o tempo de prisão pelo trabalho realizado.
“Como preso provisório, como qualquer preso provisório, tem direito ao trabalho. Então, ele auxilia na enfermaria, e o trabalho vai de acordo com a aptidão da pessoa presa. Como ele é médico e a imputação que é feita contra ele, a acusação que é feita contra ele não tem nenhuma relação com o exercício da medicina, ele auxilia na enfermaria”, explicou Mossin.
De acordo com o advogado, Garnica trabalha nas unidades Potim 1 e Potim 2. A cada três dias de trabalho, o preso pode obter a remição de um dia de pena, caso seja condenado. Para isso, as atividades precisam ser registradas, permitindo que o período trabalhado seja contabilizado pela Justiça.
“Isso lhe garante, a cada três dias de trabalho, um dia a menos na pena, caso o Luiz venha a ser condenado. Ele trabalha no complexo Potim 1 e Potim 2, e tudo isso é registrado na ficha dele. Porque ele tem que ter esse cômputo de dias trabalhados para remir, para diminuir eventual pena que ele venha a sofrer numa eventual condenação num Tribunal do Júri”, afirmou o defensor.
O Complexo de Potim fica na região do Vale do Paraíba e reúne duas unidades prisionais. O sistema penitenciário paulista também transferiu para o local presos que estavam em Tremembé, unidade conhecida por abrigar detentos envolvidos em casos de grande repercussão.
Júri ainda não tem data
Enquanto trabalha nas enfermarias, Garnica aguarda a definição da data do Tribunal do Júri que julgará a acusação de participação na morte da esposa, a professora de pilates Larissa Talle Leôncio Rodrigues. A Justiça manteve a decisão que determina que o médico e a mãe dele, Elizabete Eugênio Arrabaça, sejam submetidos a julgamento popular.
Em 1º de outubro, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) rejeitou os recursos das defesas e manteve a pronúncia dos dois réus. A data do julgamento, porém, ainda não foi definida, pois as defesas apresentaram novos recursos às instâncias superiores.
O Ministério Público sustenta que mãe e filho planejaram a morte de Larissa por envenenamento, motivados por questões pessoais e patrimoniais. A investigação apontou a presença de veneno conhecido como “chumbinho” no organismo da vítima.

As defesas contestam as acusações. Garnica nega participação no crime e atribui à mãe a responsabilidade pela morte. Elizabete também nega envolvimento, mas não acusa o filho de ter cometido o assassinato. A pronúncia não representa condenação: a responsabilidade criminal de cada réu será analisada pelos jurados durante o Tribunal do Júri.
Relembre o caso
Larissa Talle Leôncio Rodrigues, de 37 anos, morreu em 22 de março de 2025, em Ribeirão Preto. Professora de pilates, ela era casada com o médico Luiz Antônio Garnica e nora de Elizabete Eugênio Arrabaça.
As investigações apontaram que Larissa foi envenenada com uma substância conhecida como “chumbinho”. O Ministério Público denunciou mãe e filho por feminicídio triplamente qualificado, considerando o emprego de veneno, o meio cruel e o recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Garnica também responde por fraude processual, sob a acusação de ter tentado alterar a cena do crime.
A Justiça decidiu submeter os dois ao Tribunal do Júri. Em outubro de 2026, o TJSP manteve a decisão após analisar os recursos apresentados pelas defesas. Ainda não há data para o julgamento.

Elizabete também responde, sozinha, pela morte da filha, a veterinária Nathália Garnica, de 42 anos, ocorrida em 9 de fevereiro de 2025, em Pontal. Inicialmente tratada como morte natural, a ocorrência passou a ser investigada após as suspeitas relacionadas à morte de Larissa. A exumação do corpo e os exames periciais apontaram envenenamento. Em setembro de 2026, a Justiça determinou que Elizabete também seja levada a júri popular por esse caso.
A idosa ainda é ré por tentativa de homicídio qualificado contra uma amiga, Neusa Maria Costa de Andrade Ghioto, de 78 anos. A acusação sustenta que ela teria sido alvo de envenenamento. A defesa de Elizabete nega a responsabilidade dela nos casos.
A morte de Élede Guidi, prima de Elizabete, também foi investigada, mas o inquérito acabou arquivado por falta de provas e pela impossibilidade de realização de exame no cadáver. Nesse caso, não houve denúncia.

