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Ribeirão tem 22 estudantes com altas habilidades

Censo Escolar de 2025 registrou cerca de 56 mil estudantes formalmente identificados com Altas Habilidades/Superdotação em todo o Brasil | Foto: Guilherme Sircili

Dados da Secretaria Municipal de Educação revelam que as escolas municipais possuem atualmente 22 estudantes identificados com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), distribuídos entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. A condição é caracterizada por potencial intelectual e capacidade de aprendizagem acima da média.

A superdotação não se resume apenas a um QI elevado ou notas altas. Ela se manifesta de diferentes formas e, segundo o Ministério da Educação (MEC), pode ser classificada em cinco áreas principais: Intelectual, Acadêmica, Criativa, Psicomotora e Artística.

Acompanhamento escolar

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, no cotidiano escolar, os estudantes com AH/SD recebem diferentes formas de suporte pedagógico e educacional, com o objetivo de estimular suas potencialidades, criatividade, autonomia e participação ativa no ambiente escolar.

Entre as principais estratégias adotadas pelas unidades escolares estão o enriquecimento curricular, por meio de propostas pedagógicas mais desafiadoras e compatíveis com os interesses e habilidades do estudante, além da flexibilização das atividades escolares, permitindo aprofundamento de conteúdos, desenvolvimento de projetos, pesquisas e atividades diferenciadas.

Outro recurso oferecido é o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que auxilia no estímulo das habilidades específicas de cada aluno. “Além disso, a participação em olimpíadas do conhecimento, feiras, concursos, grupos de estudo e outras atividades acadêmicas e criativas também contribuem significativamente para o desenvolvimento desses estudantes”, afirma a Secretaria.

Dados nacionais do Censo Escolar de 2025 registraram cerca de 56 mil estudantes formalmente identificados com AH/SD em todo o Brasil. Os números, entretanto, podem ser maiores, segundo estimativas de entidades ligadas ao tema, como a Associação Mensa Brasil. Especialistas e instituições da área apontam que muitos casos ainda não são identificados durante a trajetória escolar, o que contribui para a subnotificação.

O diagnóstico de Altas Habilidades/Superdotação pode ser realizado ainda na infância, geralmente a partir dos cinco anos de idade, por profissionais especializados.

Política nacional

Enquanto municípios buscam identificar e acompanhar estudantes com Altas Habilidades/Superdotação, o tema também avança no Congresso Nacional.

O Senado Federal aprovou na semana passada o projeto de lei que institui a Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, com o objetivo de ampliar o atendimento especializado e promover o desenvolvimento desses alunos.

São Paulo concentra o maior número de associados identificados pela entidade, com 984 pessoas | Foto: Fernando Gonzaga

Pelas regras aprovadas, esses estudantes deverão receber atendimento especializado que pode incluir aceleração de estudos, agrupamento com pares ou grupos de interesse e acesso a programas de enriquecimento, diferenciação ou aprofundamento curricular.

O texto prevê ainda a criação de centros de referência em Altas Habilidades/Superdotação em colaboração com estados e municípios. Os recursos deverão vir do Fundo Social do Pré-Sal, das loterias de quota fixa (bets), do salário-educação destinado ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e de recursos públicos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Para diminuir a subidentificação nos censos escolares, o projeto cria um mecanismo de triagem anual de estudantes com instrumentos pedagógicos, como o estudo de caso, de caráter exclusivamente pedagógico e indicativo.

Ou seja, a triagem não poderá ser utilizada como laudo, parecer clínico ou comprovação diagnóstica. Os resultados terão caráter confidencial e servirão para subsidiar o planejamento pedagógico e encaminhamentos posteriores.

A proposta foi aprovada pelo Senado Federal e agora segue para análise do presidente da República, que poderá sancionar ou vetar o texto.

Brasil lidera ranking sul-americano

Segundo levantamento divulgado pela Associação Mensa Brasil, entidade que reúne pessoas com altas capacidades intelectuais e representa oficialmente a Mensa Internacional no país, o Brasil lidera o ranking sul-americano de pessoas identificadas com altas habilidades intelectuais.

São Paulo concentra o maior número de associados identificados pela entidade, com 984 pessoas. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com 229, Distrito Federal, com 135, Paraná, com 134, e Rio Grande do Sul, com 94.

Na época do levantamento, a entidade não registrava associados identificados nos estados do Acre, Rondônia e Amapá.

A Mensa Brasil congrega pessoas com altas capacidades intelectuais, tendo como único requisito para ingresso possuir QI superior ao de 98% da população em geral, comprovado por teste de inteligência reconhecido. A entidade tem como objetivos identificar e promover a inteligência humana em benefício da sociedade, estimular pesquisas sobre a natureza e os usos da inteligência e proporcionar um ambiente intelectual e socialmente estimulante para seus associados.

Do total de pessoas identificadas pela entidade no Brasil, 70% têm entre 19 e 36 anos. A faixa etária entre 13 e 18 anos representa 10% do total, mesmo percentual registrado entre pessoas de 37 a 45 anos. Apenas 5% possuem mais de 45 anos.

Com o objetivo de ampliar a identificação de pessoas com Altas Habilidades/Superdotação, a entidade realiza periodicamente rodadas de testes em diversas cidades brasileiras.

Como identificar sinais de altas habilidades

Identificar uma criança ou adolescente com Altas Habilidades/Superdotação nem sempre é uma tarefa simples. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a condição não está relacionada apenas a notas altas ou facilidade em todas as disciplinas. Segundo orientações do Ministério da Educação (MEC), os sinais podem se manifestar de diferentes formas e em intensidades variadas.

Ao perceber sinais recorrentes, a recomendação é que a família converse com professores e gestores da escola para compartilhar observações e buscar orientação especializada | Reprodução

Entre as características mais observadas estão a facilidade para aprender novos conteúdos, memória acima da média, vocabulário avançado para a idade, curiosidade intensa, criatividade, capacidade de resolver problemas de forma original e interesse por temas incomuns para a faixa etária. Também são comuns a persistência diante de desafios e a habilidade de estabelecer relações entre diferentes assuntos.

Especialistas alertam que um único comportamento isolado não é suficiente para caracterizar Altas Habilidades/Superdotação. A identificação deve considerar um conjunto de características observadas ao longo do desenvolvimento da criança, tanto em casa quanto no ambiente escolar.

Ao perceber sinais recorrentes, a recomendação é que a família converse com professores e gestores da escola para compartilhar observações e buscar orientação especializada. A avaliação deve ser realizada por profissionais habilitados, considerando aspectos pedagógicos, cognitivos, emocionais e comportamentais.

Outro ponto importante é evitar alguns mitos. Ter excelentes notas não significa necessariamente que o estudante seja superdotado. Da mesma forma, crianças com altas habilidades podem apresentar dificuldades em determinadas disciplinas ou até demonstrar desinteresse pela escola quando não encontram desafios compatíveis com seu potencial.

O apoio conjunto entre família e escola é considerado fundamental para que esses estudantes possam desenvolver plenamente suas capacidades e transformar potencial em aprendizado, criatividade e realização pessoal.

Sinais que merecem atenção

  • Aprende novos conteúdos com facilidade;
  • Demonstra curiosidade intensa e faz muitas perguntas;
  • Possui vocabulário avançado para a idade;
  • Apresenta excelente memória;
  • Gosta de desafios intelectuais;
  • Resolve problemas de forma criativa;
  • Mostra interesse por assuntos complexos ou incomuns;
  • Tem facilidade para relacionar diferentes informações;
  • Demonstra persistência em temas de interesse;
  • Pode apresentar tédio diante de atividades repetitivas.

 

Fontes: Ministério da Educação (MEC) e materiais de orientação sobre Altas Habilidades/Superdotação

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