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RP lidera casos de assédio eleitoral do interior no 2º turno

Atrás apenas da Capital, região de Ribeirão Preto registrou, no segundo turno, 23 casos de assédio eleitoral

A região de Ribeirão Preto foi a que mais casos de assédio eleitoral registrou, no segundo turno, no interior do Estado (Foto: Alfredo Risk)

| Por: Adalberto Luque |

A região de Ribeirão Preto ostenta um título negativo em relação aos casos de assédio eleitoral. Foi onde se registrou o maior número de denúncias em todo o interior paulista no segundo turno, à frente, inclusive, de Campinas e atrás apenas da Capital. O levantamento foi divulgado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) na manhã desta quarta-feira (28).

Entre o encerramento da votação, às 23h59 de domingo (25), e as 9h30 desta quarta-feira, o MPT da 15ª Região recebeu 80 denúncias de assédio eleitoral relacionadas a retaliações contra trabalhadores por suas escolhas políticas. Desse total, 23 foram registradas na região de Ribeirão Preto, contra nove na região de Campinas e 20 na de São José do Rio Preto.

No balanço geral das eleições de 2026, Ribeirão Preto aparece na terceira posição entre as regiões com mais denúncias, com 42 registros, atrás de Campinas, com 57, e da Capital, que integra outra regional do MPT. A 15ª Região abrange 599 municípios do interior paulista.

Retaliações

As denúncias recebidas após o segundo turno correspondem a 37% das 216 registradas pela regional durante todo o ano. Até o fim do primeiro turno, haviam sido contabilizadas 136 ocorrências. O aumento recente chama a atenção para a continuidade das práticas mesmo após o encerramento da votação.

Segundo o MPT, parte das denúncias envolve publicações em redes sociais que incentivam empresários a demitir trabalhadores que votaram em determinado candidato. Ameaças de demissão, dispensas, recusa de contratação e outras formas de retaliação motivadas pela escolha eleitoral podem configurar assédio eleitoral e ser investigadas pelo órgão.

Nos dois turnos, Ribeirão Preto só não teve mais casos que as regiões de São Paulo e Campinas (Foto: Alfredo Risk)

A procuradora Marina Tramonte, coordenadora regional da Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), afirma que a liberdade de escolha política precisa ser respeitada também no ambiente profissional.

“A autoridade do empregador restringe-se aos limites da atividade econômica. A consciência e a escolha eleitoral do funcionário continuam soberanas”, declarou. Segundo ela, o MPT atuará contra rescisões de contratos de trabalho motivadas por preferências ideológicas.

Denúncias

O MPT continua recebendo denúncias de assédio eleitoral relacionadas a fatos ocorridos antes, durante e depois das eleições. Trabalhadores que sofreram ou presenciaram esse tipo de situação podem registrar os casos pelo site www.prt15.mpt.mp.br, da regional do interior paulista, ou pelo endereço www.mpt.mp.br, de abrangência nacional.

O registro pode ser feito de forma remota e sigilosa. Para auxiliar a apuração, o órgão recomenda guardar provas, como capturas de tela de mensagens e publicações em redes sociais, áudios, gravações de tela e informações sobre possíveis testemunhas.

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