Tribuna Ribeirão
DestaqueGeral

Saúde municipal poderá fazer perguntas sobre sexualidade

Objetivo é dotar a rede municipal de saúde de instrumentos técnicos capazes de mapear o perfil epidemiológico e social da população | Foto: Alfredo Risk / Arquivo

Um projeto de lei em análise na Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto pretende incluir perguntas sobre a sexualidade e transgeneridade no atendimento realizado nos serviços de saúde municipais de Ribeirão Preto.

Segundo a proposta, as Unidades Municipais de Saúde (UBS), incluindo os serviços da administração direta e indireta, devem incluir em seus prontuários e sistemas de cadastramento campos específicos para a coleta de informações sobre a orientação sexual e a identidade de gênero dos pacientes.

A coleta será realizada mediante autodeclaração do paciente ou de seu responsável legal. Também será vedada a negativa de atendimento em caso de recusa de resposta. O profissional de saúde responsável pelo atendimento deverá informar ao paciente a finalidade estatística e epidemiológica da coleta.

As informações coletadas deverão ser utilizadas estritamente para o planejamento de políticas públicas de saúde, vigilância epidemiológica e aprimoramento da assistência humanizada.

O projeto estabelece que o Poder Público Municipal garantirá o sigilo e a proteção dos dados coletados, sendo vedada a divulgação de informações que possibilitem a identificação individual dos pacientes em relatórios públicos.

Também deverá promover a capacitação periódica dos profissionais da rede municipal de saúde para a abordagem e coleta desses dados, assegurando o respeito à dignidade da pessoa humana e a proibição de práticas discriminatórias.

Segundo a vereadora Duda Hidalgo (PT), autora do projeto de lei, o objetivo é dotar a rede municipal de saúde de instrumentos técnicos capazes de mapear o perfil epidemiológico e social da população.

“A ausência de dados oficiais sobre a orientação sexual e a identidade de gênero nos atendimentos de saúde torna invisível as demandas específicas de diversos grupos, dificultando o planejamento de políticas públicas baseadas em evidências científicas. Trata-se de um avanço na gestão pública da saúde em Ribeirão Preto, alinhando o município às diretrizes nacionais de promoção da saúde integral e ao dever estatal de reduzir as desigualdades no acesso aos serviços públicos” afirma a parlamentar na justificativa da proposta. O projeto não tem data para ser votado.

Dados inexistentes

Não existem dados oficiais do número de pessoas trans em Ribeirão Preto. Entretanto, é possível estimar o tamanho dessa população com base em dados de saúde, registros civis e projeções nacionais.

Com base na estimativa da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) de que cerca de 2% da população brasileira é trans, e considerando que Ribeirão Preto possui aproximadamente 730 mil habitantes – estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) -, a cidade teria cerca de 14.600 pessoas trans.

 

Ribeirão tem Assistência Especializada

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, Ribeirão Preto tem três centros de referência para o processo de afirmação de gênero e saúde integral. Um deles é o Ambulatório de Diversidade Sexual (Unaerp/Prefeitura), inaugurado em agosto de 2025, oferece cuidado integral com foco em hormonização, saúde reprodutiva, apoio psicológico e encaminhamentos para cirurgias. Funciona no Hospital Electro Bonini, da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e recebe pacientes encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Já o Ambulatório de Incongruência de Gênero do Hospital das Clínicas (HC/RP) oferece acompanhamento multidisciplinar especializado. A cidade tem ainda, o Ambulatório do Centro de Saúde Escola (CSE) da Rua Cuiabá, no bairro Sumarezinho Cuiabá

Em todos os equipamentos são oferecidos assistência integral, tratamento hormonal e medicamentoso, exames gerais, como mamografia, colesterol, entre outros. Existe também o acompanhamento por psicólogo.  Para o atendimento, o paciente precisa ir até a UBS de seu bairro, onde será feito o encaminhamento para um dos ambulatórios.

 

Entidade lança dossiê sobre assassinatos de transexuais

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) lançou em janeiro deste ano a 9ª edição do Dossiê “Assassinatos e violências contra transexuais e travestis no Brasil em 2025”. Segundo o estudo, o Brasil aparece, pelo 18º ano consecutivo, como o país que mais mata pessoas trans no mundo, considerando aqueles que contabilizam esses dados.

O relatório aponta que em 2025 foram 80 pessoas trans e travestis assassinadas no Brasil em crimes motivados por transfobia. Apesar do número representar uma queda de 34% em relação ao ano anterior, a Antra salienta que tal resultado se deve, entre outros fatores, à dificuldade crescente de monitoramento e divulgação dos casos.

Com relação ao número de assassinatos por estado, e Minas Gerais aparecem no topo do ranking, com oito casos cada. Bahia e Pernambuco empatam com sete registros de assassinatos. A região Nordeste aparece com a maior concentração de assassinatos em 2025, com 38 casos no total.

O dado corrobora com o perfil frequente das vítimas identificado pela pesquisa: jovens negras e nordestinas. A média de pessoas trans negras assassinadas foi de 77%, enquanto pessoas trans brancas se mantiveram em 22%. Pessoas indígenas representam 1% dos casos. A pesquisa ainda aponta que uma pessoa trans jovem de até 29 anos tem, em média, 28% mais chances de ser assassinada do que uma pessoa trans de qualquer outra faixa etária

Entre as recomendações para o combate à transfobia e a conscientização da população a respeito do assunto, o estuado defende a implementação de cotas trans em universidades, institutos federais e concursos públicos, além de salientar que as forças de segurança devem combater a impunidade e a subnotificação de abuso e violência contra pessoas LGBTQIA+.

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

Botafogo conquista importante vitória contra São Bernardo

Hugo Luque

Festival da Cachaça em Ribeirão Preto fortalece cadeia de produtos artesanais

Eduardo Ferrari

Polícia pede prisão preventiva de padre de Bonfim Paulista

Luque

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade