A ternura de Deus em meu sacerdócio!

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Há 31 anos, na manhã de um sábado, dia 20 de janeiro de 1990, Festa de São Sebastião, na Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto, ajoelhado sobre o túmulo do primeiro bispo de nossa Arquidiocese, Dom Alberto José Gonçalves, por imposição das mãos de nosso amado Dom Arnaldo Ribeiro, fui ordenado sacerdote para sempre! Muitos er­ros e acertos, grande experiência de vida e profunda gratidão a cada dia, sem nenhum momento de arrependimento, pelo sim dado com minhas mãos entre as mãos do arcebispo.

Quantas pessoas passaram por minha vida nestes 31 anos? Pela vida de quantas pessoas passei eu? Penso ser um momento de avaliação, de balanço, de gratidão e de pedido de perdão, pelas vezes em que não consegui ser um bom padre! Escolhi como lema sacerdotal, a quinta bem-aventurança do Sermão da Montanha: “Bem-Aventurados os mi­sericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7), já que sempre me senti um servo inútil e indigno da graça do ministério sacerdotal! Mesmo assim Deus me quis padre, tamanha é Sua Bondade, Seu Amor e Sua Misericórdia para comigo.

Ao longo do amadurecimento no meu exercício ministerial, fui desco­brindo que a melhor maneira de ser fiel ao sacerdócio, é adotar a Teologia da Ternura! Mesmo que não tenha conseguido ser fiel, como quis ou deve­ria sempre me acompanhou o esforço pessoal por ser um sacerdote bom e misericordioso, a exemplo de São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, cuja vida conheci no primeiro seminário que me acolheu na Arquidiocese de Porto Alegre (RS), dedicado a ele. Como ele, o sacramento que mais gosto de celebrar, é o da reconciliação, depois, é claro, da eucaristia.

Como é bom ser dispensador do perdão de Deus àqueles que per­deram sua paz interior para o pecado. Pois é no sacramento do perdão, que Jesus nos devolve a paz que o pecado nos rouba. Tenho sido muito feliz ao acolher tantas pessoas em nossa amada Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres nos Campos Elíseos, e desde o dia 1º de março do ano passado, da também já amada Paróquia Santa Tereza de Ávila no Jardim Recreio de Ribeirão Preto, que são para mim, lugares ideais para a santi­ficação de meu sacerdócio, colaborando na santificação de tão queridos irmãos e irmãs na fé!

Como coroinha na Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, no bairro Santo Afonso e coordenador da Catequese, regente do Coral e animador de comunidade na Capela Santo Antoninho, no bairro Liber­dade em Novo Hamburgo (RS) ou brincando de missa com os vizinhos na estrebaria de casa, minha vocação ao sacerdócio foi se confirmando a cada dia que passava. Sentia sempre a necessidade de perdoar, desde tenra idade a quem me ofendesse ou machucasse. Nunca consegui bater em nin­guém. Mas sempre fui muito peralta e, mais pedia perdão do que precisava perdoar. Daí meu lema sacerdotal ser a bem-aventurança da misericórdia.

Que eu consiga viver meu sacerdócio pautado nos olhos de Deus, que promovem a justiça e amar as pessoas com o coração de Jesus, que dão sentido ao meu lema e à minha fidelidade sacerdotal: “Bem-aven­turados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”! E em cada eucaristia que celebro, cabem todas as pessoas que me ajudaram a ser padre, no precioso cálice do Senhor, como minha mais sublime e profunda gratidão!

Para selar a ternura de Deus em meu sacerdócio, celebrarei minha ação de graças no recolhimento. Passarei em oração silenciosa. Sei que poderei contar com as orações dos amigos, o melhor presente que pode­ria receber. Estarei ausente das redes sociais, especialmente com telefo­nes desligados! Conto com a compreensão dos que insistirem em ligar. Rezemos em silêncio, porque até mesmo nosso silêncio Deus escuta.

Aqueles que desejarem me cumprimentar, por favor, façam-no na oração por mim e sintam o carinho de minha oração por cada um dos que meu Sacerdócio permitiu amar!