Bolsonaro pode anunciar hoje a desfiliação do PSL

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Fernando Frazão/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsona­ro disse nesta segunda-feira, 11 de novembro, que tratará sobre a sua saída do Partido Social Liberal (PSL) em reu­nião no Palácio do Planalto na tarde desta terça-feira, 12 de novembro, com parlamentares da legenda. Ainda segundo o presidente, não está definido que “Aliança pelo Brasil” será o nome do partido que ele pre­tende tirar do papel.

“Não está certo nada ainda. Para depois vocês não falarem que recuei. Tenho de tomar co­nhecimento do que está acon­tecendo amanhã, para poder informar”, afirmou Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvo­rada. O presidente enviou men­sagem nesta segunda-feira a parlamentares aliados no grupo de Whatsapp “Time Bolsonaro”, informando apenas horário e lo­cal de uma reunião: 16 horas, no Palácio do Planalto.

Apesar de não ter especifica­do o assunto, deputados convi­dados acreditam que Bolsonaro anunciará a sua saída do PSL. A saída seria desfecho depois de uma crise que tomou os ho­lofotes da política nacional no último mês. O presidente pode­ria levar com ele quase a metade da bancada do PSL na Câmara, composta por 53 deputados, caso não houvesse entraves ju­rídicos que podem implicar na perda dos mandatos.

O líder da bancada do PSL na Câmara, deputado Eduar­do Bolsonaro (SP), disse que é provável que o pai anuncie hoje sua saída do partido. “Não sei se é isso que ele vai fazer. Eu acho provável? Acho provável. Agora, quem der um furo desse, eu não posso confirmar. O que tudo indica é que sim, mas a gen­te vai ver. A gente vai bater um papo com a maioria da bancada dos deputados do PSL para ver como vai ficar essa situação”, afirmou Eduardo.

Ele disse que se for essa a decisão de Bolsonaro, a maioria dos deputados deve acompa­nhar. “Mas não é uma ditadura não, quem quiser ficar no PSL, à vontade. A gente vai bater um papo amanhã (hoje)”, afirmou. “Se ele for para a lua, eu vou com ele”, disse. Eduardo confirmou que na reunião estará a maioria dos deputados do PSL. “Res­salvado meia dúzia ali que tem entrado em conflito frontal com o presidente para decidir essa questão partidária”, disse.

“Se vai ser um novo partido ou se vai ser migrar para um já existente ou ainda quais deputa­dos estão dispostos a fazer isso, vamos decidir amanhã nessa reunião. É um momento chave para os deputados que estão no PSL”, completou. A disputa in­terna da legenda veio à tona no dia 8 de outubro. Na porta do Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez críticas ao presidente do par­tido, Luciano Bivar (PE), a um pré-candidato a vereador do Re­cife. “O cara (Bivar) está queima­do para caramba lá. Vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara, esquece o partido”, prosseguiu. A partir daí, houve uma série de farpas trocadas en­tre dois grupos que se formaram entre os correligionários.

De um lado, os “bolsona­ristas”, aliados a Bolsonaro que articularam para colocar o filho do presidente, Eduardo Bolso­naro como líder da bancada na Câmara. Do outro, os “bivaris­tas”, ligados a Luciano Bivar, que perderam o controle da banca­da, com a destituição do deputa­do Delegado Waldir (PSL-GO), mas ficaram com o controle do partido e abriram processos no Conselho de Ética contra ao me­nos 19 colegas do grupo oposto. Nessa cizânia, está em jogo o controle do partido, que se tor­nou uma superpotência após eleger 52 deputados no ano pas­sado e angariar a maior fatia dos recursos públicos destinados às siglas. Apenas neste ano, o PSL deve receber R$ 110 milhões de fundo partidário.

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