Candidato, Baleia fala sobre ‘impeachment’

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ALFREDO RISK/ARQUIVO

Candidato à presidência da Câmara dos Deputados, com apoio de onze partidos, o deputado ribeirão-pretano Baleia Rossi (MDB-SP) disse que um eventual novo pedi­do de impeachment do pre­sidente Jair Bolsonaro será tratado “com muita clareza e objetividade” e dentro do que manda a Constituição.

“É prerrogativa do Parla­mento, e nós não podemos abrir mão de nenhuma prer­rogativa”, declarou após reu­nião com a parte da bancada catarinense na manhã desta segunda-feira, 11 de janeiro, em Florianópolis. A afirma­ção ocorre após cobrança da cúpula do PT, que questio­nou declarações do deputado sobre o assunto.

No domingo (10), a pre­sidente do partido, deputa­da federal Gleisi Hoffmann (PR), tornou público que um dos itens do acordo para ter o apoio do partido de esquerda é a de “analisar denúncias de crimes do presidente da Re­pública”. Baleia Rossi diz que sua candidatura quer garantir uma Câmara que respeite as diferentes opiniões.

“A minha candidatura não é de oposição, mas sim uma candidatura que defen­de a independência da Câ­mara federal. A sociedade espera mais liberdades. Nós respeitamos as instituições e respeitamos a ciência”, afir­mou nesta segunda, em Flo­rianópolis.

Correligionários do par­tido disseram que o discurso “apaziguador”, longe de polê­micas, pode favorecer Baleia Rossi. O maior desafio será conseguir o consenso en­tre outros dez partidos que o apoiam na disputa: DEM, PT, PSL, PSB, PDT, PCdoB, PSDB, PV, Cidadania e Rede. Se fosse garantida a fideli­dade dos parlamentares aos partidos, Baleia teria 281 vo­tos, dos 256 votos necessários para a vitória.

“O bloco tem várias ide­ologias, o fato da presença de Baleia ser simbolizada pela Câmara livre atende os anseios da sociedade e dos partidos”, afirma Carlos Chiodini (MDB-SC). Baleia Rossi viajou a Santa Catarina acompanhado do deputado federal Júnior Bozzella, pre­sidente do PSL em São Paulo e que representa apoio da ala ligada a Luciano Bivar, presi­dente nacional do partido.

Mesmo assim, em Santa Catarina, dos 16 deputados da bancada federal, apenas quatro compareceram ao en­contro. Além dos três emede­bistas Carlos Chiodini, Peni­nha e Celso Maldaner, apenas Carmen Zanotto (Cidadania) que não era do partido com­pareceu ao encontro.

Puxados pela deputada Caroline De Toni, três dos quatro representantes da si­gla no Estado vão apoiar Ar­thur Lira (PP-AL), candidato do presidente Jair Bolsonaro. Ainda nesta segunda-feira, o deputado cumpriu agenda no Piauí, Bahia e Goiás. No final de semana, o presidente da Frente Parlamentar da Agro­pecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS), declarou apoio ao deputado Baleia Rossi.

O emedebista é candi­dato do atual presidente da Casa de Leis, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com quem o lí­der da bancada ruralista teve atritos durante a gestão.

“Baleia é extremamente qualificado para o diálogo com qualquer partido, o que é imprescindível para levar à frente as pautas que o País precisa. E isso em nada tem a ver com apoio a pautas da es­querda como muitos dizem”, escreveu Moreira no Twitter.

Modesto como nunca foi, Bolsonaro cobrou o apoio de parlamentares da bancada ruralista ao candidato do Pla­nalto nas eleições da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), líder do Centrão. Ele justificou o pe­dido ao destacar que o campo “nunca teve um tratamento tão justo e honesto” quanto em seu governo. Segundo ele, o agronegócio está “bomban­do” e, por isso, parlamentares da bancada deveriam apoiar o candidato do governo.

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