AMIR COHEN/REU

A escalada de violência entre israelenses e palestinos se estendeu pela noite de ter­ça-feira (11) e na madrugada desta quarta-feira, 12 de maio. Pelo menos mais 100 foguetes foram disparados da Faixa de Gaza em direção a Israel, que respondeu com bombardeios no território de maioria árabe. Autoridades de saúde palesti­nas confirmam que o número de mortos chegou a 43 em Gaza, incluindo 13 crianças, enquanto os serviços de saúde de Israel confirmam seis mortos, in­cluindo uma adolescente.

Mesmo enquanto ataques aéreos eram lançados e sirenes de ataque aéreo soavam, cida­dãos palestinos de Israel cor­riam para as ruas, incendiando carros e entrando em confron­to com a polícia em cenas que relembraram revoltas violentas que abalaram o país décadas atrás. “Não vimos esse tipo de violência desde outubro de 2000”, disse o chefe da polícia de Israel, Kobi Shabtai, referin­do-se às manifestações árabes no início da segunda intifada, ou levante em massa palestino.

Na terça-feira à noite, pou­co antes das 21 horas, o Ha­mas, grupo militante islâmico que governa a Faixa de Gaza, anunciou que lançaria fogue­tes em Tel-Aviv em resposta aos intensos ataques aéreos is­raelenses que derrubaram um prédio de 13 andares, bem como outros ataques em arranha-céus que resultaram em pelo menos três vítimas. Os militares isra­elenses disseram que o prédio de 13 andares abrigava escritórios de inteligência militar do Hamas e uma unidade de pesquisa e desenvolvimento de foguetes.

Em Lod, cidade próxima a Tel-Aviv, um homem de 40 anos e sua filha, de 16, mor­reram após a explosão de um foguete palestino que atingiu a cidade. Sirenes antiaéreas so­aram nas cidades israelenses que fazem fronteira com Gaza, como na parte sul da cidade de Beersheva e na área metropo­litana de Tel Aviv. “As crianças escaparam do coronavírus e agora vivem um novo trauma”, disse uma mulher israelense da cidade costeira de Ashkelon a uma emissora de televisão.

Mais de mil foguetes foram disparados por grupos pales­tinos contra Israel desde que teve início a pior escalada de tensão entre árabes e judeus dos últimos anos. Destes, cerca de 850 atingiram o alvo ou fo­ram interceptados pelo sistema de defesa antiaérea israelense, o Domo de Ferro, enquanto outros 200 falharam e caíram na própria Faixa de Gaza, se­gundo o porta-voz do exército de Israel, Jonathan Conricus.

“Residentes de Gaza, vocês estão vivenciando esta ope­ração militar porque as orga­nizações terroristas optaram novamente por colocá-los na linha de fogo”, disseram milita­res israelenses em um post no Facebook. “Fique longe deles. Fique longe dos locais onde atuam. Protejam-se e protejam suas famílias.”

Um foguete disparado pelo Hamas atingiu diretamente um ônibus na cidade de Ho­lon, ferindo quatro pessoas, incluindo uma criança de 5 anos. Foguetes também atingi­ram perto do Aeroporto Inter­nacional Ben Gurion, que foi temporariamente fechado e os aviões redirecionados.

Na manhã de quarta-feira, o Exército israelense instruiu todos os residentes, incluin­do fazendeiros, que vivem em um raio de 2,5 milhas de Gaza, a permanecerem tempora­riamente em suas casas, com medo de que o Hamas possa usar foguetes de curto alcan­ce, foguetes de fogo direto ou atiradores para atacar civis. Os militares israelenses também expressaram preocupação de que o Hamas usaria túneis para se infiltrar no território israelense, apesar de um sis­tema de sensor subterrâneo re­cém-construído projetado para prevenir tais incursões.

A retaliação adotada pelo governo do premiê Binyamin Netanyahu, até então, tem se dado por ataques aéreos. Em­bora a violência venha sendo amplamente condenada por líderes e entidades internacio­nais, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Europeia, não há si­nais de que qualquer um dos lados esteja disposto a recuar. Em vez disso, o primeiro-mi­nistro Binyamin Netanyahu prometeu expandir a ofensiva, afirmando que o conflito “vai levar tempo”.

Na manhã de quarta-feira, a procuradora-chefe do Tribu­nal Penal Internacional (TPI), Fatou Bensouda, disse via Twitter que está preocupada com a possibilidade de que cri­mes de guerra estejam sendo cometidos na Cisjordânia nos últimos dias. “Observo com grande preocupação a escala­da da violência na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, bem como dentro e ao redor de Gaza, e a possível prática de crimes sob o Estatuto de Roma”, escreveu.