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A determinação é da Delegacia Geral de Polícia Civil

 

O delegado da Polícia Civil de Ribeirão Preto Paulo Henrique Martins de Castro e os escrivães Maria José dias Arena e Marcos Aurélio Carvalho, lotados no 4°Distrito na cidade, foram suspensos em suas atividades após serem denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) sob suspeitas de revelarem informações aos investigados da Operação Têmis, deflagrada em 2018.

A decisão foi publicada pela Delegacia Geral no Diário Oficial e os três estão proibidos de executarem as suas funções por 180 dias. Entretanto, eles receberão seus salários e benefícios.

Na denúncia apresentada pela promotoria estadual, o delegado e os escrivães teriam recebido privilégios através de advogados dos investigados na operação. Assim sendo, os suspensos não estariam executando os inquéritos policiais resultantes das ocorrências registradas no 4º Distrito Policial (DP) de forma precisa.

Na operação, oito pessoas foram presas por envolvimento no esquema. Quatro advogados, que respondem diretamente pelos crimes, e outros quatro investigados por captar inadimplentes com promessas de vantagens. As defesas dos afastados do ofício público, alegam a normalidade no procedimento adotado pela Delegacia Geral e reiteram a inocência dos clientes.

A operação

A operação Têmis deflagrada em janeiro de 2018, em Ribeirão Preto, investiga supostas fraudes judiciais no montante de R$ 100 milhões, segundo o Ministério Público Estadual (MPE).

No esquema, advogados captavam dados pessoais de cidadãos afirmando que iriam “limpar” o nome dos interessados em dívidas apontadas e protestadas.

As pessoas procuradas eram homônimas de correntistas de instituições financeiras com contas bancárias nas décadas de 1980 e 1990. Os advogados, então, ingressavam com ações judiciais nas quais cobravam perdas inflacionárias causadas pelos planos Collor e Verão.

Os verdadeiros titulares das contas não ficavam sabendo da iniciativa golpista.

Os advogados ganhavam as ações e ficavam com o dinheiro.

Ainda, segundo o MPE, as vítimas iludidas com a promessa de que teriam as dívidas quitadas, assinavam procurações em meio a outros documentos, sem delas, sequer, ficarem sabendo.

Em Ribeirão Preto, os advogados ajuizaram 53,3 mil processos. Outros 30 mil recursos tramitam no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), além de processos não contabilizados em comarcas, como Belo Horizonte.

Os policiais afastados são apontados como responsáveis por impedir investigações em inquéritos que chegavam à Polícia Civil, denunciando o esquema operado pela quadrilha acusada. Em resultância disso, receberiam presentes e uma suposta compensação financeira.

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