Vacinação deve ser ampla no país - Foto: unsplash

Sociedade Brasileira de Pediatria diz que grupo não está isento de formas graves e sequelas

A Sociedade Brasileira de Pediatria divulgou nota na última nesta sexta-feira (17) dizendo que todos os adolescentes brasileiros, com ou sem comorbidades, devem passar pela vacinação contra covid-19. A posição da entidade é mais uma do setor da ciência e da medicina nacional contrária à recomendação do Ministério da Saúde, que suspendeu a utilização de imunizantes nesta parcela da população.

A recomendação do Ministério da Saúde aconteceu após a pasta suscitar dúvidas quanto à aplicação das vacinas nos adolescentes. A situação ocorreu após a morte de um adolescente de 16 anos sete dias após ele ter tomado uma dose da vacina da vacina da Pfizer. O tema tem sido acompanhado no Brasil inteiro, que estão de olho nas recomendações que virão a seguir.

Diante da suspeita, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, chegou a dizer expressamente que mães não deveriam levar “suas crianças” para vacinar “sem autorização da Anvisa”, ainda que a agência tenha mantido a orientação de utilizar o imunizante em adolescentes. O posicionamento foi duramente criticado por cientistas e infectologistas, que não veem correlação entre o óbito e a vacina.

Na sexta-feira, a Secretaria da Saúde de São Paulo disse que a vacina da Pfizer não foi a causa provável da morte do adolescente de São Bernardo do Campo. “As análises técnicas indicam que não é a vacina a causa provável do óbito e sim a doença identificada com base no quadro clínico e em exames complementares, denominada púrpura trombótica trombocitopênica (PPT)”, afirmou o governo paulista. Os testes serão avaliados pela Anvisa.

A análise foi realizada por 70 profissionais e reuniu especialistas em hematologia, cardiologia e infectologia, além de atuantes em centros de referência para imunobiológicos especiais do estado. “As vacinas em uso no país são seguras, mas eventos adversos pós-vacinação podem acontecer. Quando acontecem, precisam ser cuidadosamente avaliados”, afirma o infectologista Eder Gatti, que coordenou a investigação.

A Sociedade Brasileira de Pediatria tem acompanhado os casos de perto. Segundo a entidade, até o momento, foram registradas 2.416 mortes por covid-19 entre adolescentes, número maior que o conjunto de outras doenças imunossuprimidas.

A SBP destaca ainda que o uso da vacina da Pfizer/BioNTech em adolescentes foi autorizado pela Anvisa e que a dose foi testada em ensaios clínicos que demonstraram segurança, eficácia e imunogenicidade. O imunizante, é bom lembrar, foi aprovado por autoridades sanitárias da União Europeia e é utilizado em 14 países.

“A maioria dos casos ocorreu em adolescentes do sexo masculino maiores de 16 anos e adultos jovens com menos de 30 anos de idade, mais frequentemente após a segunda dose da vacina.  A maioria dos pacientes respondeu bem ao tratamento com rápida recuperação”, assinala a SBP. A associação diz ainda em nota que as “decisões unilaterais não contribuem para a construção de um programa de imunização de sucesso, sendo a confiança um dos principais pilares das ações de vacinação”.

O Ministério da Saúde tem sofrido com a falta de vacinas e a redução dos estoques em diversos estados. A pasta já foi questionada se a paralisação da vacinação entre os adolescentes têm correlação com a ausência de imunizantes, mas a pasta nega a correlação e diz que a entrega de vacinas segue normal e dentro dos padrões estabelecidos pelo Plano Nacional de Imunização.